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Artigo: Que tal pararmos de apontar o dedo e darmos as mãos?

Por Maria Meirelles

Os movimentos em defesa da vida e dos direitos humanos têm sofrido fortes ataques. O feminismo por lutar pela vida das mulheres é vítima de um discurso leviano e distorcido do real, que o intitula como “ideologia de gênero”.

Somos chamadas de mal-amadas, mal comidas e por aí segue a lista de baixarias, as quais somos submetidas por defender a equidade entre homens e mulheres. Mas, basta rolar alguma polêmica que nós, feministas, somos cobradas. “Cadê as feministas que não se pronunciaram sobre…”. As cobranças, em geral, são feitas por homens, claro!

Eles nos cobram críticas às atitudes adotadas por eles! Ora, não seria mais eficiente e justo que as cobranças sejam feitas a quem pratica o machismo? Se são os homens os disseminadores do machismo, por que eles não se auto questionam?

Coragem, amigos! Critiquem seus pares! Chega no coleguinha que ama fazer uma piada machista no grupo do futebol e diz para ele se mancar. No lugar de rir de uma mulher que tem uma foto íntima vazada, quebra essa corrente e denuncia esse tipo de prática criminosa.

A luta do movimento feminista tem como pauta principal a vida e os direitos tão suprimidos de nós mulheres. Entretanto, uma sociedade com equidade de gênero beneficia homens e mulheres. Porque sim, o machismo também afeta os homens.

“Nós deveríamos pensar o feminismo não só, portanto, como um movimento que é contrário aos homens. Nós devemos expandir o feminismo como uma ético-política universal que, ao contrário do machismo, inclui os homens. Os machismos nunca incluiram as mulheres. Vamos pensar que o feminismo pode ser uma ético-política que inclui os homens, mas que não inclui aquilo que foi a violência, que transformasse essa violência masculinista, machista-patriarcal, que transformasse esse estado de coisas em um estado de justiça, de igualdade, de equiparação, de direito à singularidade. Ele pode melhorar a vida de todas as pessoas e, inclusive ajudar aos homens para que eles tenham outra forma de subjetivação”, orienta Márcia Tiburi – escritora, filosofa brasileira, que teve que deixar o país, após ameaças de morte.

Me utilizo das palavras de Márcia Tiburi para convidar os homens a apoiar a luta feminista. Que tal pararmos de apontar o dedo e darmos as mãos?

Maria Meirelles é jornalista e feminista

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