Em todo o país, os povos originários estão se levantando contra o desmonte dos direitos e extinção da saúde indígena. Em Cruzeiro do Sul, liderados por Fernando Katukina, um grupo está fechando, nesta quarta-feira, 27, a BR-364, chamando atenção para mal que esta ação do governo Federal está fazendo para os povos brasileiros.

“Nós só podemos sair daqui com a presença de algum representante do Ministério da Saúde, senão vamos até a noite ou até amanhã. Nós estamos lutando contra a extinção da saúde indígena, que afeta a todos nós. Hoje não temos mais nada de saúde indígena aqui”, avisou Fernando.
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, anunciou a extinção da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), fazendo com que suas atividades sejam transferidas para um departamento dentro do Ministério. Isto significa, que a saúde indígena passa a ser uma responsabilidade dos municípios e não mais do governo Federal.
Em comunicado assinado por lideranças e associações do da Região do Vale do Juruá, o governo federal está colocando em grande risco quase 20 mil pessoas.
“O ministro usa, como argumento, acusações infundadas que não justificam a suspensão do atendimento à Saúde Indígena. Além disso, o mesmo Ministro protela a assinatura dos Convênios e repasses de recursos, exigindo que sejam prestadas justificativas e explicações absurdas, e, com isso, trabalhadores estão sem salário, falta comida, insumos e logística para entrada em área, colocando em risco eminente de vida a toda a população indígena do Juruá, que corresponde a aproximadamente 20.000 (vinte mil pessoas), 14 diferentes povos, e mais de 150 Aldeias”, afirma o manifesto.
O povo Katukina também argumenta no manifesto que chegou a informação de que o senador Márcio Bittar (MDB-AC) está tentando alterar a natureza da TI. Segundo o comunicado, o senador teria proposto um “Projeto de Lei visando transformar a Terra Indígena Campinas/Katukina em uma reserva florestal, o que ameaça a vida do Povo Noke Koi (Katukina), bem como afeta o domínio de seu território tradicional.”
Em Rio Branco também estão ocorrendo manifestações. Hoje, pela manhã, diversos indígenas se dirigiram para a sede do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Purus. Já em Brasília, após uma reunião com indígenas Pataxó e Tupinambá, o ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou que determinou a liberação imediata dos recursos dos DSEIs. Porém, conforme o ministro afirmou, os recursos devem “levar cerca de 10 a 15 dias para o dinheiro chegar até a ponta da linha.”