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A história do professor venezuelano de 60 anos que sobrevive com ‘bicos’ no Acre

Por Redação Juruá em Tempo.8 de abril de 20195 Minutos de Leitura
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Mais de 10 mil venezuelanos cruzaram a fronteira com o Brasil nos seis primeiros meses de 2018, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Hoje, mais de 32 mil imigrantes venezuelanos vivem no país.

Com a situação de pobreza e hiperinflação na Venezuela causada por condições políticas e sociais, milhões de venezuelanos buscaram refúgio em outros países. A Organização dos Estados Americanos (OEA) prevê mais de 5 milhões de imigrantes da Venezuela em 2019, um fluxo migratório equiparado aos provocados por guerras como a da Síria.

O educador físico e mestre de karetê, Rogelio Antonio Navarro Rijo, de 60 anos, é um dos milhares de venezuelanos que decidiu abandonar o país e recomeçar a vida no Brasil.

Para chegar até fronteira brasileira com a filha de 7 anos e a esposa, Rogelio vendeu seu carro e moto por um valor equiparado a R$ 1.500. Dono de terras e imóveis, ele conta que abandonou suas propriedades por que as ofertas de compra eram desproporcionais ao valor dos bens.

“Minha fazenda vale, no mínimo, 100 mil bolívares e me ofereceram menos que 10 mil”, contou.

Com o dinheiro que juntou, Rogelio e sua família só conseguiram chegar até a fronteira, em Pacaraima, em junho do ano passado. Os últimos trocados foram pagar agentes da guarda nacional venezuelana que tentaram barrar a passagem de sua esposa e filha.

Arranhando um pouco do português, o venezuelano relata como foi o trajeto feito por sua família.

“Quando chegaram à rodoviária encontraram com um grupo da guarda nacional. Lá estava ocorrendo brigas com cidadãos indígenas, por isso minha família teve que dormir na rodoviária e respirar gás lacrimogênio por que havia muitos problemas nas ruas. Não podia sair por que poderiam ser atingidos por tiros, haviam muitos tiros. Só depois de quatro dias, elas puderam sair com destino a Pacaraima, no Brasil, mas mesmo assim elas tiveram que pagar para a guarda nacional para as deixarem sair. Tinha muitas pessoas, muitas crianças, e todos tiveram que pagar com dinheiro ou com comida. Só assim conseguiram sair”.

O imigrante e sua família passaram por diversos estados brasileiros em busca de trabalho até chegarem a Campo Grande, onde ele adoeceu e ficou acamado. Assim, decidiu aceitar o convite de morar no município do Quinari, onde sua filha mora há três anos.

“Eu decidi buscar refugio no Brasil por causa da situação que vive a Venezuela. Hoje em dia, a Venezuela está pior do que antes. Existe muita fome, muita miséria, e não é em um estado, mas em todo o país. Não tem médicos nos hospitais, não tem dinheiro nos bancos. Não se pode viver na Venezuela, as escolas estão vazias, não há professores, não há estudantes”, contou.

 

Vivendo de bicos

Desempregado e com dificuldade de falar português, o professor conta que sobrevive de bicos que, a maioria das vezes, não é suficiente para comprar a comida do dia para sua família.

“Sou professor de educação física, não posso trabalhar como professor porque preciso cumprir alguns requisitos. Por isso, tenho que trabalhar com o que sei fazer, limpeza, manutenção. Não importa a profissão que você tem, se é médico, advogado, contador, aqui você trabalha com qualquer coisa pra comprar comida e sobreviver”.

Sua esposa que também é professora de educação física, mas tem trabalhado com conserto de roupas para ajudar na renda da família. A situação de Rogelio é ainda mais delicada por causa da sua idade, já que com 60 anos a oferta de emprego é praticamente zero.

“As pessoas entendem que uma pessoa de 60 anos já está aposentada, por isso não te contratam e, se te contratam, é para algo muito simples que não pagam bem. Se é difícil para um jovem imigrante conseguir um trabalho na sua profissão, é muito mais difícil para um homem de 60 anos”.

O professor conta que chegou a receber por uma semana de trabalho o valor de R$ 65. “O estrangeiro no Brasil tem dificuldade com relação a sua profissão. Primeiro por que o diploma universitário, cursos e seminários, não valem se você não preparar seus documentos”.

 

Esperança de uma vida melhor

O mestre de karatê explica que tem uma proposta de emprego em Mato Grosso, onde um ex-aluno venezuelano conseguiu uma vaga para ele como professor em uma academia de luta.

Porém, trabalhando apenas com ‘bicos’ o imigrante não consegue juntar dinheiro para comprar três passagens de ônibus, já que os poucos trabalhos que consegue servem apenas para custear a alimentação.

“As pessoas aqui são muito boas, muito solidárias, conheci pessoas sensacionais mesmo. Mas não posso ir trabalhar em outro estado e deixar minha esposa e filha aqui”.

Desmentindo declarações de Maduro

Em entrevista exclusiva à BBC News, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deu várias declarações que não coincidem com a realidade do país. E ninguém melhor que um imigrante venezuelano para por em cheque o discurso de Maduro.

O presidente afirmou que “jamais houve nem haverá repressão”. Declaração desmentida por Rogelio.

“É mentira. Em todos os estados, se você protesta na rua, pode receber tiros. Ninguém pode protestar, não podemos ir a uma rádio, nem na TV, porque eles com certeza irão fechar a rádio e a TV. Não podem publicar em jornais o que as autoridades fazem nas ruas. Se eles publicam, o jornal é fechado e os donos e funcionários com certeza vão presos, porque é proibido publicar coisas na Venezuela. As informações só funcionam por WhatsApp ou e-mail”.

Maduro disse ainda que a inflação da Venezuela não alcançou 1.000.000% em um ano. Fato que é rebatido pelo imigrante ao contar que uma cartela com trinta ovos chega a custar mais que um salário mínimo.

“O salário mínimo mensal de um trabalhador é de 18.700 mil bolívares soberanos e uma cartela de ovos está custando 20 mil bolívares, ou seja, uma cartela de voos está custando mais que um salário mínimo”.

 

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