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Artigo: Proposta de reforma da previdência: remédio ou veneno para o mercado varejista acreano?

Por: Marcelo Siqueira

A reforma da previdência é necessária, disso todos sabem, mas será que a reforma proposta pelo governo é a melhor para a maioria dos brasileiros?

A resposta para essa pergunta é complexa. Não quero e nem pretendo  abordar nesse texto os aspectos técnicos da proposta em análise, posto que não sou expertise no tema e certamente existem pessoas muito mais capacitadas para dissertar sobre. Todavia, pretendo alertar para os possíveis resultados sociais que a reforma implicará em determinadas regiões brasileiras, tomando como território de análise o estado do Acre e a cidade de Cruzeiro do Sul.

Um dos erros mais comuns nas políticas públicas implantadas no Brasil reside na falta de equidade entre as mais diversas regiões do território brasileiro, já que com diferentes indicadores demográficos, cada região apresenta uma peculiaridade que pode responder positiva ou negativamente as medidas implantadas pela União.

Esse argumento pode ser melhor visualizado na comparação entre os estados do Acre e de São Paulo frente a proposta da nova previdência. Se pararmos para ler as notícias sobre o tema em debate, veremos que empresários e industriais paulistas, como regra geral, apoiam as medidas propostas pelo governo, principalmente quanto aos servidores públicos. Não há nenhuma incoerência nesse fenômeno, afinal o estado de São Paulo tem sua economia centrada na inciativa privada, sendo o maior polo industrial da América do Sul, nutrindo com o arrocho nas contas do governo uma melhor condição de desenvolvimento econômico, já que a economia do estado não depende da renda dos servidores públicos.

Entretanto, quando um empresário acreano defende a mesma reforma da previdência, então temos uma incoerência, já que o estado do Acre não detém uma economia centrada majoritariamente na indústria, sendo a maioria dos municípios semelhantes a cidade de Cruzeiro do Sul, onde a economia local depende majoritariamente do serviço público.

O mercado varejista acreano enfrenta uma grave crise. Em Cruzeiro do Sul, por exemplo, o comércio varejista só se mostra aquecido durante uma semana de cada mês. Justamente a semana de pagamento dos servidores públicos. Para as três semanas seguintes o que se vê são lojas vazias e funcionários com os braços cruzados.

As perspectivas para 2019 não são boas, já que, além do Acre ter ficado de fora do plano de investimentos do governo federal, se a reforma da previdência em análise for aprovada o poder de compra do consumidor acreano reduzirá ainda mais, tendo como resultado direto o agravamento da crise do mercado varejista.

Por esse olhar, os comerciantes acreanos devem ficar atentos a reforma da previdência, pois se ela vai dificultar a vida dos servidores públicos, certamente – em efeito dominó – muito dificultará a vida destes.

Por esse motivo é preciso atentar para as propostas do governo e cobrar dos parlamentares acreanos uma postura protetiva para os cidadãos da região Norte, já que a reforma que parece boa para os industriais paulistas, mostra-se perigosa e até fatal para empresários de estados como o do Acre.

Marcelo Siqueira é professor universitário, Doutor em Ciências e Conferencista nas áreas de saúde, sociedade e inteligência emocional.

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