Ícone do site O Juruá Em Tempo

Pela 2ª vez, jovem de 22 anos faz papel de Jesus Cristo na Via Sacra em Cruzeiro do Sul

Pela primeira vez após anos, nesta sexta-feira (19), a Via Sacra, em Cruzeiro do Sul, ocorreu no fim da tarde. A celebração sempre ocorria pela manhã e é encabeçada pelo grupo de jovens da igreja católica.

Os fiéis saíram da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida até a Catedral, no Centro da segunda maior cidade do Acre. São cerca de 5 km percorridos pelos cerca de 5 mil fiéis, segundo a organização.

O representante da comissão de organização da Via Sacra, Endrio Silva, diz que a mudança no horário foi uma forma de mais comunidades participarem do evento.

“Como fazíamos pela manhã, muitas pessoas de ramais diziam que não conseguiam chegar a tempo, reclamaram do horário e mudamos justamente por isso. Nós estamos com dois meses de preparação, mas pensando nisso é muito mais tempo. São mais de 70 jovens envolvidos nisso e é uma manifestação pública da nossa fé. Queremos dar o nosso melhor não só porque nos assistem, mas porque é a nossa devoção a Deus”, destaca.

Procissão reuniu fiéis na segunda maior cidade do Acre — Foto: Alcinete Gadelha/G1

Entres esses mais de 70 jovens está Lucas Guimarães, de 22 anos. Ele é estudante e trabalha em uma loja na cidade, mas nesta sexta-feira ele faz o papel de Jesus Cristo ao percorrer os 5 km carregando a cruz refazendo o sofrimento de Jesus.

“Isso pra mim é uma graça, mesmo sendo pecador. É uma forma de evangelizar, como Cristo sempre nos pede. É a segunda vez, mas sempre dá aquele nervoso, mas basta muita oração e tentar encarnar o papel da melhor forma nesse momento que relembra o que é tão importante para o cristianismo”, conta.

Espetáculo conta com grande participação de jovens das paróquias de Cruzeiro do Sul — Foto: Mazinho Rogério/G1

Três paróquias

A celebração reúne as três paróquias da cidade. O padre Afonso Maria, da igreja de Nossa Senhora Aparecida, acredita que a mudança no horário foi uma boa ideia, já que conseguiu ver o aumento de fiéis no encontro.

Ele destaca ainda que esse é o momento em que quem participa renova sua fé.

“Não se trata de uma morte desesperadora de Jesus Cristo, mas trata-se exatamente de uma morte temporária. Uma morte que demorou pouco menos de 3 dias, porque no terceiro dia, Ele voltou glorioso à vida sem nunca mais morrer. Esse é o centro da nossa fé cristã, que faz com que o povo tenha esperança. A fé desse povo não é vã, mas uma fé viva, que parte de um fato histórico: a ressurreição de Jesus”, finaliza.

E é essa fé que parece conduzir Maria Lúcia, de 65 anos. Todos os anos, ela acompanha a celebração e percorre os 5 km sem as sandálias. Uma forma de agradecer.

“Eu tenho devoção a Deus. Faz muitos anos que sinto uma dor na perna e minha promessa é fazer sempre as caminhadas descalça”, explica.

Por Mazinho Rogério
Sair da versão mobile