Irregularidade denunciada por Mara Rocha é comprovada na Assembleia, mas secretário, em depoimento a deputados, disse que não sabia
Pelo menos uma das acusações da deputada federal Mara Rocha (PSDB-AC) para pedir a cabeça do secretário de Pecuária e Agronegócio, Paulo Wadt, que ela própria havia indicado ao governador Gladson Cameli ainda durante o período de transição para a posse do atual Governo, foi comprovada nesta quarta-feira-feira (10) durante encontro do executivo com deputados estaduais na Assembleia Legislativa. No entanto, a situação do secretário parece pacificada e ele deve continuar na equipe do governo por ter adquirido a confiança plena do governador.
Paulo Wadt compareceu ao Legislativo atendendo requerimento de autoria do deputado Edvaldo Magalhães (PC do B), na condição de presidente da Comissão de Serviço Público da Assembleia, e aprovado pelo plenário da Casa. O secretário tinha a prerrogativa de comparecer só em agosto, após o recesso parlamentar, mas preferiu se adiantar e ficou cara a cara com os parlamentares e produtores rurais que também manifestam descontentamento com sua administração. O empresário Jorge Moura, um dos maiores produtores e pecuaristas do Acre, que havia dito ao próprio governador Gladson Cameli que as portas de suas propriedades estavam fechadas para o secretário, também compareceu à audiência e desta vez foi até delicado com Wadt e não repetiu as acusações que embasaram Mara Rocha a dizer que ele agia como corretor de imóveis rurais.
A deputada Mara Rocha justificou a necessidade de exoneração de seu indicado da pasta da Pecuária e do Agronegócio afirmando que ele estava agindo, enquanto gestor público, como corretor e estava oferecendo propriedades de empresários e produtores acreanos à proprietários do Estado de Rondônia, no que é chamado de processo de “rondonização” da agricultura e pecuária do Acre. A acusação foi feita pela deputada a partir do que ouviu de Jorge Moura. A outra acusação dizia respeito à contratação de antigos sócios de Whdt numa empresa de consultoria rural e que agora estavam atuando como funcionários do governo do Acre, sob sua coordenação, na Secretaria de Pecuária e Agronegócio. Foi esta a acusação que foi comprovada durante o encontro com os deputados.
Trata-se do caso da servidora Célia Cristina Alves do Carmo, que integra o gabinete do secretário e, ao mesmo tempo, é cargo de confiança da equipe do secretário e sócia na empresa Terra Amazônia Engenharia, que tem contrato vigente com a Prefeitura do Município de Plácido de Castro até ao final de 2019, “a servidora está em situação irregular”, disse o deputado Edvaldo Magalhães.
O secretário Paulo Wadt desculpou-se com os deputados dizendo que não sabia que o contrato estava ativo e que, a partir desta quinta-feira (11), tomaria as providências, desligando a assessora do cargo ou fazendo com que ela se desligue da empresa privada. Quanto às acusações de corretagem em relação ao oferecimento de vendas de terras no Acre para empresários rondonienses, o assunto praticamente não veio mais à baila na reunião. Até mesmo o empresário Jorge Moura evitou voltar a tocar no assunto e os debates giraram em torno das ações que levarão o Acre a tentar ombrear-se à produção de Rondônia nos diversos setores da produção.
“O primeiro passo será do ponto de vista legal, a partir de agosto, quando enviaremos à Assembleia a proposta da legislação pertinente que precisamos para implantarmos daquilo que entendemos como necessário ao desenvolvimento”, disse Wadt, que admitiu não ter, ainda, segurança de permanência no cargo. “Eu trabalho para o governador Gladson Cameli, mas o cargo é dele”, disse o secretário.
Foto (Sergio Vale)

