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Para a alegria dos pescadores, mandis voltam aos rios e lagos da região do Yaco e Purus

As imagens da fartura são uma boa notícia para o festival do peixe em Sena Madureira, já que em outras épocas o produto tinha que ser importado de avião de municípios vizinhos

Desaparecidos do rio Yaco, igarapés, lagos e igarapés que compõem os mananciais que circundam o município de Sena Madureira e a região do Purus, o mandi – peixe sem escamas, uma espécie de bagre que faz parte da dieta do homem amazônico, principalmente da população ribeirinha – voltou a aparecer em grandes quantidades, na primeira piracema do ano. Os mercados de Sena Madureira estão bem abastecidos com o produto, o que sinaliza que o festival deste ano, realizado sempre no mês de setembro, quando o município faz aniversário (no dia 25), em dias anteriores à maior festa da cidade, será bem diferente dos tempos de escassez em que, para garantir o Festival do Mandi, a Prefeitura Municipal tinha que mandar buscar o produto na vizinha Boca do Acre, no Amazonas.

Um empresário do setor confirmou ao Juruá Em Tempo que chegou a ganhar muito dinheiro do poder público transportando mandi de avião para atender as necessidades do Festival e dos mercados da cidade, principalmente na época do Festival. O peixe andava sumido provavelmente por causa da degradação ambiental ou da mudanças climáticas, que fazem com que nesta época do ano os rios da região, principalmente o Yaco, que banha o município e boa parte da região, baixem de nível demasiadamente e isso impede a locomoção para a reprodução.

O mandi habita remansos das margens dos rios, locais com areia e cascalho no fundo. É um peixe omnívoro, que alimenta-se de larvas bentônicas de insetos, algas, moluscos, peixes e fragmentos de vegetais. Seu período reprodutivo coincide com a época mais quente e menos chuvosa do ano. Depois que os filhotes nascem, não cuida mais da prole. Prefere desovar em pequenos afluentes. Daí a importância de se manter seu habitat intacto. É um peixe de couro. Suas nadadeiras possuem manchas negras e pequenas, com esporões farpados (com muco tóxico) nas nadadeiras peitorais e dorsal. Tem o corpo alongado a ligeiramente comprimido, alto, no início da nadadeira dorsal, afunilando em direção à cabeça e à nadadeira caudal. Sua cabeça é cônica com os olhos situados lateralmente. Os barbilhões maxilares ultrapassam a metade do corpo. Possui coloração parda, na região dorsal, passando para amarelada nos flancos e branca no ventre com uma linha escura no dorso. Apresenta 3 a 5 séries de grandes manchas escuras ao longo do corpo. É uma espécie de porte médio, chegando a alcançar 40 cm de comprimento e peso de até 3 Kg, em casos raros. A piracema é o período de reprodução onde os peixes de deslocam até as nascentes dos rios ou regiões rasas onde possam ter ervas para desovar. É um período de muita fartura conta o pescador. Pode ser consumido frito, assado na brasa ou em forma de caldeirada.

No mês passado, o peixe já havia aparecido em grandes quantidades na região do Juruá. Os pescadores ficaram eufóricos com a primeira piracema de mandi de maior potencial que passou pelo rio Juruá e garantiu a pesca de muitas toneladas da espécie.

Agora, foi a vez do peixe dar o ar de sua graça na região do Yaco e Purus. Os peixes estão subindo os ricos em busca de local apropriado para sua desova e reprodução. A pesca de mandi é permitida – desde que não seja predatória e nem coloque em risco a reprodução da espécie.

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