Deputada acha que há indícios de irregularidades cometidas por autoridades brasileiras para a venda de energia e que é objeto de crise política no país vizinho
A crise envolvendo o Brasil e o Paraguai em relação à usina de Itaipu, construída pelos dois países nos anos 70, precisa ser investigada por uma comissão externa da Câmara dos Deputados. A investigação se faz necessária porque há indícios de crimes cometidos por autoridades brasileiras na assinatura de um acordo entre os dois países para a aquisição de energia pelo Paraguai a preços fora do mercado. A crise em relação à energia elétrica gerou também uma crise política no país vizinho.
A investigação foi pedida pela deputada federal Perpétua Almeida (PC do B-AC), em requerimento já protocolado na Câmara. De acordo com a deputada acreana, há indícios de irregularidades cometidas por autoridades brasileiras no âmbito da assinatura do ato diplomático entre Brasil e Paraguai relativo à compra de energia elétrica da Itaipu Binacional assinada no dia 24 de maio de 2019.
“O acordo foi o grande responsável por mergulhar o país vizinho em uma forte crise política”, disse Perpétua Almeida. Na negociação, o Paraguai se comprometia a comprar energia mais cara do que o habitual da Usina de Itaipu, pertencente aos dois países.
A deputada baseou seu requerimento em informações do jornal Folha de S.Paulo divulgada na última quarta-feira (7), a Léros Comercializadora, uma empresa brasileira, pagaria US$ 6 por um megawatt de energia paraguaia e a venderia no Brasil por US$30. Por conta disso, o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Luis Alberto Castiglioni, pediu demissão do cargo. O mesmo aconteceu com José Alberto Alderete, diretor da Itaipu no país vizinho, e com a secretária de Prevenção de Lavagem de Dinheiro ou Bens do Paraguai, María Epifania González. Também envolvidos no caso, o presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, e o vice-presidente, Hugo Velázquez, podem enfrentar processo no Congresso que culminaria em impeachment.
Para reforçar o pedido de abertura da Comissão Externa, Perpétua lembra que mensagens trocadas entre Benítez, e o então presidente da estatal energética paraguaia, Pedro Ferreira, revelaram que o chefe de Estado sabia dos termos da ata diplomática assinada em maio com o Brasil. Além disso, tinha conhecimento de que o acordo contrariava os interesses de Assunção na compra da energia. “E ainda, que nos parece gravíssimo, ocorreram denúncias de pressões brasileiras sobre o embaixador paraguaio para que se cumprisse o acordo”, disse.

