Senador reafirma que recursos do Fundo Amazônia, vindos da Noruega, acabam nos bolso de dirigentes de instituições interessados no próprio conforto
Auditoria em 18 contratos com ONGs, no valor de R$252,2 milhões, revela que grande parte desses recursos do Fundo Amazônia acabou no bolso de pessoas ligadas aos projetos. O caso foi revelado pela coluna “Bastidores do Poder”, do jornalista Cláudio Humberto e Silva e publicada em todo o país. O senador Márcio Bittar (MDB-AC) aproveitou a informação para dizer que Cláudio Humberto só confirmou aquilo que ele vem denunciando no senado desde que tomou posse.

De acordo com o jornalista, um caso é exemplar sobre a imoralidade envolvendo ONGs é que, de R$14,2 milhões entregues ao Instituto Imazon, uma das organizações auditadas, R$12,4 milhões (87% do total) foram pagos a seus próprios integrantes. “Consultorias”, como são chamadas este tipo de procedimento, que levaram R$3,7 milhões (26,5%). O caso está entregue ao Tribunal de Contas da União (TCU), que já definiu relator: o ministro Vital do Rêgo.
O objeto do projeto de R$14,2 milhões da Imazon sugere enrolação, diz o jornalista. “Apoiar a adequação ambiental de imóveis rurais na Amazônia Legal”. A ONG Imazon faturou R$36,6 milhões em três contratos com o Fundo Amazônia. E o BNDES liberou dinheiro sem prestação de contas. A Imazon recebeu R$9,7 milhões para “contribuir” na “mobilização de atores locais”. Segundo o jornalista, tudo isso foi apenas “blábláblá para torar 85% do total em custeio e pessoal”.
Segundo Cláudio Humberto, “solicitada a explicar gastos tão significativos com seu próprio pessoal”, a Imazon não explicou a proporção dos gastos, mas enviou nota afirmando que “os recursos foram utilizados para contratar técnicos e pesquisadores experientes em suas áreas de atuação” e que “todas as contas foram aprovadas pelo BNDES, pelo Tribunal de Contas da União e por auditorias independentes de padrão internacional”.
“Isso é mais um exemplo daquilo que eu venho dizendo – e o próprio governo também – de que o Fundo Amazônia, na verdade, é uma tentativa absoluta clara de países como a Noruega que vive de explorar os seus recursos naturais”, disse Márcio Bittar. “51%b do PIB norueguês é da exploração de petróleo e gás e a Alemanha tem apenas 25 por cento de energia limpa, enquanto o Brasil já tem 70 por cento. São países como esses – embora 90 por cento dos recursos do Fundo Amazônia sejam da Noruega, que querem dominar a Amazônia brasileira”, apontou Bittar.
A estratégia é, segundo no senador, a transferência de dinheiro para homens e mulheres que dizem representar essas ONGS. Segundo ele, são pessoas que recebem dinheiro, sempre na casa dos milhões, e justificam isso com gastos com pessoal. “Quando o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) questionou, essa foi a justificativa. Na prática, os recursos acabam evaporando e as pessoas que deveriam ser assistida por esses recursos, acabam como sempre estiveram”, disse o senador.