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Jornais impressos do Acre estão a caminho da completa falência e extinção

Gladson Cameli e Jair Bolsonaro agem em conjunto de forma a acabar com o jornalismo impresso e empresas de comunicação têm que buscar alternativas na comunicação digital

Jornais impressos que circulam no Acre – “A Gazeta”, “O Rio Branco”, “Página 20”, “A Tribuna”, e “Opinião”, o mais recente -, alguns com quase 50 anos de circulação, o caso de “O Rio Branco”, estão a caminho da falência absoluta. Além de sofrerem com o fenômeno da Internet e das redes sociais, que a tudo informam em tempo real e fazem com que as pessoas deixem de ir às bancas em busca de jornais impressos, as empresas de comunicação de mídia impressa no Acre também padecem com a falta de anúncios dos governos federal e estadual. As prefeituras também praticamente deixaram de anunciar na mídia impressa.

O reflexo disso foi, inicialmente, o fim da tradicional figura do jornaleiro. Esta profissão já está praticamente extinta. A data alusiva à profissão, dia 30 de setembro, está praticamente esquecida em todo o mundo. De acordo com algumas fontes, a origem da atividade está na Itália, quando os jornais eram anunciados, aos gritos, com os vendedores trepados em caixotes de madeiras, nas esquinas, ao preço de uma gazeta – a moeda italiana na época, e daí o nome de alguns impressas pelo mundo.
Em Cruzeiro do Sul, no Vale do Juruá, a primeira vítima foi o jornal “A Voz do Norte’, que circulou em bancas por mais de dez anos e que hoje se restringe à plataforma digital, por causa das elevadas despesas com tinta, papel e outros serviços gráficos, admitiu o empresário Elson Costa, dono da empresa.

Em Rio Branco, o “Página 20” também pode vir a se tornar apenas digital, informa seu proprietário, Elson Dantas. A mudança deve ocorrer no final do ano.

Reflexo da Internete, mas também as faltra de relações com o governo. Desde que assumiu, há oito meses, o governador Gladson Cameli não contratou agência de publicidade para divulgar as ações e os anúncios de seu Governo. Licitação neste sentido sofreu embargos judiciais entre os concorrentes e a situação se arrasta sem definição e sem prazo para acabar com as disputas.

O que poderia salvar os jornais seriam os anúncios do governo federal e de suas empresas estatais, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobrás, Eletrobrás e outras que eram obrigadas a publicar, a cada final de ano, os seus balanços em jornais impressos de todo o pais. O presidente Jair Bolsonaro, na sua mais dura investida contra imprensa, não só desobrigou as empresas de publicarem seus balanços em jornais como resolveu eliminar também a exigência legal da divulgação de editais de concursos, licitações e leilões públicos em jornais diários.

A decisão de Bolsonaro sobre o assunto está formalizada na Medida Provisória 896/2019, publicada nesta segunda-feira (9), no Diário Oficial da União (DOU).

Profissão de jornaleiro está praticamente extinta pela baixa procura por jornalismo impresso.

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