“Abriu um buraco gigante no meu peito. Pra mim, o mundo estava acabando”. O desabafo é de Josiane Ribeiro, de 32 anos, que se viu sem direção ao descobrir um câncer agressivo no colo do útero na hora do parto prematuro da filha, a pequena Ayshabella Ribeiro, que tem sete meses.
Sem ter com quem deixar a filha, ela leva a bebê constantemente ao Hospital do Câncer do Acre (Unacon), em Rio Branco, toda vez que tem crises. Josiane conta que quando ainda estava no sexto mês de gestação começou a passar mal, sentir dores e ter sangramento, quando surgiu a suspeita de que estaria com a doença.
“Eu me sentia muito mal, mas, como a neném estava muito prematura, a médica tentou segurar mais um pouco e me deu medicação para dor. Quando faltava uma semana para eu completar sete meses de comecei a ter hemorragia, me internei de emergência e no mesmo dia foi feita uma ultrassonografia e o doutor que me examinou viu que tinha algo muito errado”, disse.
Tumor do tamanho de uma laranja
Na hora do parto, ela lembra que os médicos tiveram a certeza do diagnóstico. “Antes eles não tinham 100% de certeza e, na hora do parto, a médica confirmou que eu estava com câncer no colo do útero em estágio avançado e o tumor era do tamanho de uma laranja”, lamenta.
A descoberta trouxe um momento turbulento para a vida de Josiane quando ela viu que ia ter que fazer um parto cesariano às pressas para poder salvar a vida da filha e começar o tratamento. Ela fala que como o câncer foi descoberto em estágio avançado e ela não pode mais fazer cirurgia. O tratamento que faz no Unacon é apenas paliativo, para amenizar as dores.
Hoje, Josiane busca forças para lutar contra a doença e conseguir criar a filha, que nasceu no dia 20 de março. Sem ajuda da família e do pai da bebê, que não registrou a criança, ela conta com o apoio de uma amiga que a ajudou durante a gravidez e após o parto. “Ela já é muito querida lá por todos os funcionários, eles já dizem que a Aysha é do Unacon”, fala.
Mesmo com um diagnóstico considerado irreversível, Josiane diz que não perde a fé e tem certeza que vai ficar boa para poder cuida da filha. Esperançosa, ela fala que nos dias em que passa no hospital só pensa em fazer o tratamento e ficar boa.
“Minha filha é meu maior motivo para lutar e continuar viva. Tenho fé que vou ficar boa, apesar de os médicos terem desenganado, porque Deus é quem dá a última palavra”, diz.
G1

