Desempregado e com dois filhos para criar, Rodrigo Nascimento, de 37 anos, ex-presidiário do sistema carcerário do Acre, tem sobrevivido com o trabalho de roçador de quintal, e assim, conseguido o sustento de sua família. Rodrigo é natural de Cruzeiro do Sul, e disse já ter sido preso pelo crime de tráfico de drogas. Na cadeia, ele cumpriu 6 anos de detenção.
Tentando a ressocialização, ele comenta que hoje em dia o preconceito ainda é grande na sociedade.
“A liberdade que eu sonhava e almejava passou a ser uma verdadeira tormenta. Quando algumas pessoas me veem com a tornozeleira eletrônica, já me olham de outra forma”, ressaltou.
O preconceito, segundo Nascimento, acontece principalmente no mercado de trabalho, já que a maioria deles, necessitam de um emprego, para poder sobreviver.
“Já entreguei curriculum nas lojas e demais estabelecimentos privados, que podem me oferecer uma vaga de emprego, mas quando vêem minha tornozeleira, já ficam meio que ‘desconfiados’, e provavelmente, é o principal motivo para não ser chamado, ou solicitado para a vaga”, enfatizou.
MINISTRO DEFENDE RESSOCIALIZAÇÃO
O ex-ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que se o Estado não investir na ressocialização de presos, oferecendo a quem cumpre pena oportunidades de trabalho e estudo, continuará “simplesmente arregimentando soldados paras as facções criminosas”.
Segundo o ministro, cerca de 85% dos apenados não trabalham porque “não há investimentos” públicos para permitir que os presos se ocupem. “Grande parte do sistema prisional [sob responsabilidade dos estados] é um depósito de presos”, disse Jungmann, destacando que o trabalho não só tiraria os detentos da ociosidade como lhes permitiria ter uma fonte de renda.
“Para a segurança pública, isso seria muito importante pois, tendo alguma renda, o preso ficaria menos dependente das facções criminosas”, finalizou.
Por Carlos Guthierres e Richard Silva.



