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Após cumprir pena, ex-presidiário relata preconceito na busca de ressocialização em Cruzeiro do Sul

Por Redação Juruá em Tempo.21 de outubro de 2019Updated:21 de outubro de 20192 Minutos de Leitura
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Desempregado e com dois filhos para criar, Rodrigo Nascimento, de 37 anos, ex-presidiário do sistema carcerário do Acre, tem sobrevivido com o trabalho de roçador de quintal, e assim, conseguido o sustento de sua família. Rodrigo é natural de Cruzeiro do Sul, e disse já ter sido preso pelo crime de tráfico de drogas. Na cadeia, ele cumpriu 6 anos de detenção.

Tentando a ressocialização, ele comenta que hoje em dia o preconceito ainda é grande na sociedade.

“A liberdade que eu sonhava e almejava passou a ser uma verdadeira tormenta. Quando algumas pessoas me veem com a tornozeleira eletrônica, já me olham de outra forma”, ressaltou.

O preconceito, segundo Nascimento, acontece principalmente no mercado de trabalho, já que a maioria deles, necessitam de um emprego, para poder sobreviver.

“Já entreguei curriculum nas lojas e demais estabelecimentos privados, que podem me oferecer uma vaga de emprego, mas quando vêem minha tornozeleira, já ficam meio que ‘desconfiados’, e provavelmente, é o principal motivo para não ser chamado, ou solicitado para a vaga”, enfatizou.

MINISTRO DEFENDE RESSOCIALIZAÇÃO

O ex-ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que se o Estado não investir na ressocialização de presos, oferecendo a quem cumpre pena oportunidades de trabalho e estudo, continuará “simplesmente arregimentando soldados paras as facções criminosas”.

Segundo o ministro, cerca de 85% dos apenados não trabalham porque “não há investimentos” públicos para permitir que os presos se ocupem. “Grande parte do sistema prisional [sob responsabilidade dos estados] é um depósito de presos”, disse Jungmann, destacando que o trabalho não só tiraria os detentos da ociosidade como lhes permitiria ter uma fonte de renda.

“Para a segurança pública, isso seria muito importante pois, tendo alguma renda, o preso ficaria menos dependente das facções criminosas”, finalizou.

Por Carlos Guthierres e Richard Silva.

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