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Avós e pai de menino esquartejado pela mãe no DF são ouvidos pela Justiça do Acre

Por Redação Juruá em Tempo.14 de outubro de 2019Updated:14 de outubro de 20194 Minutos de Leitura
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Os avós e o pai do menino Rhuan Maicon, de 9 anos, assassinado e esquartejado em Samambaia, no Distrito Federal (DF), no mês de junho, vão ser ouvidos pela Justiça do Acre para o processo que investiga a morte da criança no DF.

Segundo as investigações, Rosana Auri da Silva Cândido – que era mãe da criança – e a companheira dela, Kacyla Pryscila Santiago, assassinaram o menino e esquartejaram o corpo no dia 31 de maio, em Samambaia. Em seguida, o casal jogou partes do corpo em um bueiro.

O casal foi denunciado para o Tribunal do Júri de Samambaia no dia 18 de junho. Rosana e Kacyla foram denunciadas pelos crimes de homicídio qualificado, lesão corporal gravíssima, tortura, ocultação e destruição de cadáver, e fraude processual. A denúncia afirma que o crime foi cometido por motivo torpe – repugnante – e que a mãe do garoto foi a mentora do assassinato.

Depoimento

O avô de Rhuan, Francisco das Chagas, mais conhecido como Chaguinha, falou que a mulher dele, Maria do Socorro Oliveira, e o filho Maycon Douglas de Castro, vão ser ouvidos por carta precatória no Juizado Especial Criminal da Comarca de Rio Branco.

“Os depoimentos são para o processo de lá. Minha advogada vai estar lá, me acompanhou durante cinco anos na busca por ele [neto] e vai continuar acompanhado. Vamos ser ouvidos no mesmo local. Elas [suspeitas] vão a juri popular”, reafirmou.

Para Chaguinha, relembrar a luta que ele travou durante anos em busca de notícias do neto e a morte de forma trágica vai trazer mais sofrimento.

“Já aconteceu, o que tem que fazer daqui para frente é não deixar acontecer com outras crianças. Quantas crianças existem por aí na situação do Rhuan. É muito ruim. Fui a única pessoa que segurou tudo aqui em casa, minha mulher não aguenta e desmaia, o coração do meu filho é fraco. Ele não aguentou nem pegar o caixão no aeroporto, foi tudo eu”, lamentou.

Tortura e lesão corporal

Além do homicídio, Rosana Auri e Kacyla Pryscila foram denunciadas por lesão corporal gravíssima e tortura. Segundo a denúncia, Rosana tirou o filho dos cuidados dos avós paternos, no Acre, levando-o para conviver com ela e sua companheira às escondidas dos demais parentes. Já com a guarda do menino, a mãe teria passado a torturá-lo.

“Com apenas 4 anos de idade, Rhuan passou a sofrer constantes agressões físicas e psicológicas e a ser constantemente castigado de forma intensa e desproporcional, ultrapassando a situação de mero maltrato”, diz a denúncia.

O texto também afirma que as duas denunciadas “castraram e emascularam a vítima clandestinamente” e “impediram que Rhuan tivesse acesso a qualquer tratamento ou acompanhamento médico”.

Ainda de acordo com a denúncia, para esconder os abusos, as acusadas costumavam mudar de cidade e residência. “Registre-se que as denunciadas procuravam se ocultar, mudando frequentemente de endereço, a fim de que não fossem encontradas pelos familiares paternos da vítima e da filha da denunciada Kacyla.”

Já as acusações de ocultação de cadáver e fraude processual dizem respeito às tentativas da dupla de se desfazerem do corpo de Rhuan e dificultarem as investigações. Elas tentaram queimar o corpo do garoto e jogaram parte dele em um bueiro, em Samambaia.

O crime

O corpo de Rhuan Maycon foi encontrado na madrugada do dia 1º junho, esquartejado, dentro de uma mala deixada na quadra QR 425 de Samambaia, no DF. As partes da vítima foram localizadas por moradores da região.

A mãe do menino, Rosana Cândido e a companheira dela, Kacyla Pryscila, foram presas na casa onde moravam com o menino e com a filha de Kacyla, uma menina de 8 anos.

A filha de Kacyla, que estava na casa e presenciou o momento que Rhuan foi morto, voltou para o Acre com o pai em 15 de junho. A garota estava sob proteção do Conselho Tutelar desde o dia em que a mãe foi presa, no DF.

Em depoimento à polícia, a mãe de Rhuan contou que “sentia ódio e nenhum amor pela criança”.

Sequestro

Rhuan Maycon foi sequestrado em 2014, pela mãe, Rosana Auri, do Acre. Segundo a família, Rosana fugiu do estado com a criança, a companheira Kacyla Pessoa e a filha da companheira, uma menina de 8 anos.

O pai de Rhuan tinha a guarda do menino, dada pela Justiça do Acre. A família chegou a registrar um boletim de ocorrência após o sumiço do garoto.

Por Aline Nascimento, G1 AC — Rio Branco

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