A aposentada Francione Costa Caruta, de 54 anos, tem muita dificuldade para se locomover e evita sair de casa. Ela tem obesidade mórbida e, desde o ano passado, apareceu uma ferida na perna, agravada, segundo ela, após contrair a bactéria erisipela no Pronto-Socorro de Rio Branco. Ela não informou quantos quilos está pesando.
Antes, uma equipe de assistência da Saúde de Rio Branco ia até a casa dela para fazer os curativos, com uma placa de alginato, que custa quase R$ 180. Porém, o atendimento foi suspenso e o motivo, segundo ela, seria o corte de verbas.
“Preciso que retornem, não consigo sair de casa. Vieram aqui dizendo que iam voltar, mas tinha muita gente, a prefeitura tinha cortado recursos, verbas. Prometeram que um rapaz ia vir na minha casa, mas ele nunca apareceu. Decidi fazer particular, mas só uma placa que usa no curativo custa R$ 175”, contou.
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Saúde diz que paciente recebeu apoio durante atendimento
Ao G1, a Saúde do município informou que a paciente foi acompanhada mais de um ano pelas equipes e, no mês passado, recebeu alta. Após a liberação, ela foi encaminhada para receber atendimento na unidade de referência do bairro São Francisco, onde há uma pessoa exclusiva que acompanha o caso de Francione.
O município disse ainda que como a paciente não é cadastrada como acamada, mesmo tendo obesidade mórbida, foi detectado que ela consegue se locomover. E que foi indicado que ela não parasse o tratamento e fosse até a unidade de referência.
Sobre a bactéria que Francione pegou, a Saúde explicou que ela recebeu toda assistência necessária e acompanhamento, inclusive com nutricionista no período em que foi acompanhada em casa.
Em relação à alta do programa residencial, a Saúde afirmou que os profissionais que acompanhavam ela fizeram um relatório mostrando que ela apresentou melhoras e não precisava mais de tratamento em casa. A Saúde disse ainda que vai encaminhar uma equipe novamente na casa da paciente para rever o caso dela.
Bactéria
Francione disse que adquiriu a bactéria quando esteve no Pronto-Socorro de Rio Branco, em dezembro do ano passado, quando foi até a unidade de saúde fazer um exame. Após um mês, a aposentada deu entrada em uma das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) da capital acreana com febre, calafrios, tremores e outros sintomas.
Na época, ela disse que já tinha a ferida na perna, mas a situação se agravou com a bactéria. Atualmente, ela afirma que gasta mais de R$ 200 a cada cinco dias para um profissional da saúde particular fazer os curativos.
Francione diz que foi internada diversas vezes devido à obesidade e a ferida. Há cerca de quatro meses, quando foi internada novamente, o atendimento em casa foi suspenso e ela precisou tirar dinheiro do próprio bolso para ter o serviço.
“Tudo que comprei desde dezembro para cá já foi em base uns R$ 25 mil. Não tenho mais condições. Meu primo tinha conseguido uma equipe da prefeitura para me dar assistência, mas o pessoal não tinha experiência com essas placas e agora eu tenho que pagar particular”, disse.
Por Aline Nascimento, G1 AC.

