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Artista que viaja o país levando música para pacientes internados em hospitais chega com projeto no Acre

Por Redação Juruá em Tempo.22 de novembro de 2019Updated:22 de novembro de 20193 Minutos de Leitura
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Com um violão, uma escaleta [teclado de sopro] e muita alegria, o cantor baiano Allan Cruz, de 36 anos, viaja o Brasil em visita a hospitais para tocar e cantar para pacientes e servidores de unidades de saúde pelo país.

Em Rio Branco desde quarta-feira (20), ele já passou pelo Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac), Pronto-Socorro e Hospital da Criança, onde cantou, emocionou e arrancou sorrisos.

As visitas encerram neste sábado (23) e Cruz conta que ainda vai ao Hospital de Amor, tocar novamente no PS e Hospital da Criança. Depois, ele retorna para Brasília, onde mora.

“Sou musicoterapeuta e a gente sabe que a música consegue liberar endorfina e também é um dos poucos elementos que consegue atingir todo o nosso cérebro. Isso quer dizer que, quando alguém está ouvindo uma música que gosta, a gente consegue tirar o foco do paciente da dor”, explica sobre o projeto.

Há 11 anos com o projeto Remédio Musical, Cruz já passou por 22 estados e por onde vai leva música e alegria às pessoas. No repertório, ele diz que tem de tudo um pouco, dos mais variados estilos.

“A gente sabe do poder da música, da importância que ela tem na vida das pessoas. Existem estudos que mostram que pacientes com Alzheimer a última coisa que eles esquecem são as melodias que fizeram parte da vida deles”, conta.

No Acre há dois dias, ele diz que tem sido uma experiência espetacular.

“O Acre é muito parecido com o nordeste. Um povo muito acolhedor, muito sedento. Na área da saúde não é diferente do nordeste, falta muita coisa, uma realidade do Brasil. Mas, o importante é o amor”, fala.

Trabalho voluntário

Entusiasta do trabalho voluntário, Cruz diz que desde 2008 começou a desenvolver o projeto e criou como meta tocar em todos os estados brasileiros gratuitamente. Para realizar o sonho, ele usa recursos próprios e também conta com a ajuda de voluntários por onde passa.

Cruz disse que o projeto nasceu a partir de suas origens. Negro, descendente de africanos, ele fala que sempre ouviu que música não era para pessoas de origens como as dele.

“No interior da Bahia, o povo falava, na minha época, que música era para brancos e pessoas que tinham dinheiro e a gente que não tinha dinheiro nunca ia conseguir. Sempre tive o sonho de estudar música”, afirma.

Ao longo da caminhada o cantor conta que sempre encontrou pessoas que o ajudaram de alguma forma e, ao chegar em Brasília (DF), ele começou a idealizar o projeto para conseguir viver de música.

Viagens

As viagens ocorrem duas a três vezes por ano e Cruz fala que para chegar ao Acre fez a rifa de uma guitarra que ganhou de outro voluntário. “A gente chora junto, se emociona. É uma troca divina. Nesse trabalho, o voluntário que está indo, ganha muito mais que dá”, acrescenta.

A escolha dos destinos é sempre nos estados em que o artista não esteve. Com a visita ao Acre, falta entrar para a lista apenas Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Amapá que devem receber a visita dele até fevereiro de 2020. Quando passar por todos os estados, Cruz diz que vai escrever um livro sobre a experiência.

  • Por Portal G1 Acre.
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