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Com “festa”, bolivianos voltam interditar as pontes que ligam o Brasil à Cobija

Por Redação Juruá em Tempo.15 de novembro de 20193 Minutos de Leitura
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As pontes que ligam o Brasil à Bolívia, na região do Alto Acre, em Brasiléia e Epitaciolândia, amanheceram nesta sexta-feira (15) mais uma vez “trancadas”, com veículos atravessados e impedindo a livre circulação de entrada e saída do país. São as pontes “Wilson Pinheiro”, sobre o rio Acre, em Brasiléia, e da “Integração”, sobre o igarapé Bahia, em Epitaciolândia. É quarta vez que isso ocorre desde que eclodiram os protestos e movimentos que culminaram com a renúncia do então presidente Evo Morales e a chegada ao poder da oposição.

A diferença é que o fechamento das pontes agora não é por protestos e sim por festas, fizeram questão de esclarecer os bolivianos que  comandam o país e a região de Pando, que faz fronteira com o Acre.  A festa é em torno do recebimento dos bolivianos que viviam exilados em território brasileiro como foragidos do regime de Morales. Entre os exilados que agora podem circular livrmente nas ruas da Bolívia está um velho conhecido dos acreanos, o ex-senador Leopoldo Fernandez, que viveu no Acre, nos anos de 1980, como goleiro do Rio Branco Futebol Clube. Adversário de Morales na política na Bolívia, Fernandez amargou quase uma década de prisão e ultimamente, depois de ganhar a liberdade, vivia clandestinamente na faixa de fronteira para, se fosse necessário, escapar para o Brasil caso sua prisão fosse novamente decretada. Fernandez é irmão do cantor Lori, que vive a cantar em serestas em Rio Branco, no Clube “Saudosa Maloca”.

Em toda a Bolívia, o clima de tensão continua. A renúncia e fuga de Morales para o México não pacificou o país porque seus apoiadores continuam lutando no parlamento e denunciando que o ex-presidente foi vítima de um golpe de Estado. Nesta madrugada, o deputado Sergio Choque, líder da bancada do Movimento pelo Socialismo (MAS), partido do ex-presidente boliviano Evo Morales, foi eleito presidente da Câmara dos Deputados em um cenário de disputa constitucional no país.

Os deputados resolveram eleger Choque e afirmaram contar com o apoio de uma deputada da oposição, Iñez Lopez. Sergio Choque destacou que os movimentos sociais não podem “seguir se enfrentando” e afirmou que irá propor um projeto de lei para recuar as investidas do Exército nas manifestações. O antigo presidente da Câmara, Victor Borda, renunciou assim como Morales e a antiga presidente do Senado, Adriana Salvatierra. O vácuo de poder impulsionou a autoproclamação de Jeanine Añez, que era vice-líder do Senado e autoproclamou presidente interina.

O novo presidente da Câmara disse desconhecer a autoridade presidencial da senadora Jeanine Añez e a previsão é de que novos enfrentamentos possam ocorrer nas ruas da Bolívia durante o próximo final de semana. Em Cobija, Capital de Pando, o clima é de festa, mas também de tensão. Autoridades brasileiras, comoo secretário de Estado de Segurança do Governo do Acre, coronel Paulo Cézar dos Santos, recomendam que os brasileiros não cruzem a fronteira durante este pe´riodo de crise interna na Bolívia. “É seguro evitar o outro lado da fronteira. Não se sabe o que pode acontecer lá”, disse o coronel.

  • Por Tião Maia, do Contilnet.
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