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Negros ganham quase R$ 700 a menos que brancos no Acre e trabalham 1h a mais, aponta IBGE

Os trabalhadores negros no Acre ganham quase R$ 700 a menos que os brancos e chegam a trabalhar uma hora a mais, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Conforme dados, no 2º trimestre de 2019, a população negra recebe, em média, R$ 1.696 enquanto que a branca R$ 2.392.

Nesta quarta-feira (20), no Dia da Consciência Negra, muitos ainda buscam uma vaga no mercado de trabalho e dizem que a discriminação continua e outros afirmam que a cor não é determinante para conseguir oportunidades de emprego.

O presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Rio Branco, Igor Ramon, diz que as desigualdades existentes nas relações de trabalho e de poder se dão por conta do processo de construção do país.

Ele afirma que a população negra ainda encontra dificuldades em se inserir no mercado de trabalho e acaba sendo submetida a subempregos.

“Durante o processo de construção, as pessoas negras e indígenas tiveram seus direitos violados, no sentido em que eram proibidas de estudar por lei. As políticas sociais não eram construídas para atender suas necessidades e isso a gente vê até hoje. Acredito que esse processo de desigualdade social em relação a espaços de trabalho e de poder entre quem é branco e quem é preto, se dá a partir desse processo de construção do nosso país”, afirma Ramon.

Ele fala ainda que uma solução para o problema seria maior investimento em educação. “Acredito que, para melhorar essa atual condição da população negra, deve ser feito maior investimento na educação, uma reforma política que traga uma realidade de atender melhor as demandas de toda a população, considerando a adversidade dos povos”.

Em contrapartida, para a empresária Rafaela Silva, de 26 anos, a cor da pele nunca foi empecilho para conseguir oportunidades de trabalho. Segundo ela, as pessoas, independente de cor ou raça, precisam correr atrás de se profissionalizar para estar aptas ao mercado.

“Não concordo que esses números tenham a ver com preconceito. Acredito que as pessoas têm que abrir a visão para as oportunidades e não ficar dependendo só do concurso ou de empresa privada. Tem que se reinventar, porque hoje em dia para ser microempreendedor não é difícil. Você pode ser uma cabeleireiro, manicure, abrir um negócio on-line, como é meu caso. Eu nunca tive dificuldade de encontrar emprego”, conta Rafaela.

Desempregada, Sandrelli da Silva, de 18 anos, diz que nunca trabalhou de carteira assinada e só fez bicos, desde que começou no mercado de trabalho.

Apesar de nunca ter tido um emprego formal, ela acredita que a raça não é um fator determinante para isso.

“Não tenho preferência por um tipo de emprego, quero qualquer um, desde que eu não fique mais desempregada. Acho que não tem nada a ver com minha cor, porque, até as pessoas brancas têm dificuldade para encontrar emprego. Então, acredito que seja um problema geral mesmo”, afirma Sandrelli.

G1

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