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Com sistema agroflorestal, ONG quer recuperar áreas degradadas em duas cidades do Acre e uma do Amazonas

Por Redação Juruá em Tempo.20 de dezembro de 20194 Minutos de Leitura
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Com o objetivo de restaurar 15 hectares de terras em cidades do Acre, a ONG SOS Amazônia iniciou o projeto Faça Florescer Floresta em Tarauacá e Mâncio Lima, no Acre, e Guajará, no Amazonas.

A ideia é implantar sistemas agroflorestais (SAFs) e trabalhar a consciência ambiental, principalmente com as famílias que usam as terras para subsistência e como renda.

Esta nova etapa começou em setembro e atende 33 famílias. Porém, a ONG lembra que, em 2016, um projeto maior trabalhou com 105 famílias, restaurando 160 hectares terras e produzindo mais de 130 mil mudas.

“E agora essa fase vem para aumentar a área que já tinha sido restaurada por algumas dessas famílias e incluímos novas famílias também. Então, a fase de continuidade agora é um pouco menor. Estamos trabalhando com 33 famílias e a meta é aumentar mais 15 hectares com investimento desse projeto em um ano”, explica o diretor técnico da SOS Amazônia, Álisson Maranho.

A restauração ocorre em áreas degradadas ou alteradas pela agricultura ou pastagens, mas também caminha para um viés social.

“O projeto também tem o foco de apoiar comunidades em vulnerabilidade social e de baixa renda, que estão em áreas rurais, projetos de assentamento ou são ribeirinhas nesses municípios. A ideia é fazer restauração dessas áreas e tornar essas pequenas partes produtivas”, explica o técnico.

Agrofloresta

O Sistema Agroflorestal (SAF) consiste em combinar o plantio de árvores ou arbustos com cultivos variados para consumo e comercialização. Essa diversidade aproveita melhor os recursos naturais, como solo, água e luz.

“O que é atrativo para eles é colocar a floresta nas áreas que foram degradadas, mas que essa área também dê frutos, vários tipos de frutos que possam ser comprados por cooperativas e colocados no mercado. O foco é eles terem um retorno econômico com essa área que foi restaurada, e esse retorno econômico, possivelmente, vai começar a ser maior a partir do terceiro ano”, explica Maranho.

Doações

A SOS Amazônia não recebe nenhum aporte financeiro do governo. Os projetos são mantidos por meio de doações. Este, especificamente, recebeu investimentos de uma empresa de cosméticos inglesa.

A ONG também tem uma espécie de vakinha online, onde qualquer pessoa pode depositar o dinheiro e ajudar as ações. Como forma de se resguardar, o grupo presta contas de tudo que é feito com esse incentivo.

A ideia é de propagar a conscientização ambiental entre as comunidades que usam o meio ambiente para sobreviver e que consigam ter uma relação respeitosa com a natureza.

“Isso torna um atrativo para que as famílias possam restaurar e cuidar mais da sua propriedade, colocando a importância de que a floresta é produtiva, tem valor, e tudo isso a gente trabalha com eles”, pontua.

Durante o projeto, algumas nascentes de igarapés também são preservadas com trabalhos de limpeza e conservação.

Produtores comemoram

João Eudes, do polo agroflorestal de Tarauacá, disse que tem gostado do projeto e que passou a entender e saber usar a floresta de uma forma que ela dê frutos e também retorno financeiro sem ser degradada.

“Além do ar puro que vamos respirar, os plantios vão gerar os frutos e, através desses frutos, vão dar uma qualidade de vida pra gente, que vai dar nosso futuro, nossa aposentadoria mais pra frente. Então, é isso que a gente tá fazendo: onde estamos fazendo as mudas, estamos reflorestando uma área degradada por outras pessoas que não tiveram a consciência que temos hoje”, diz.

Produtora da mesma comunidade, Ecília Araújo concorda com Eudes e diz que essa consciência é uma forma de manter a riqueza natural do espaço.

“Esse projeto está reflorestando a terra, recuperando os igarapés, porque houve um tempo que secaram. Agora vai ser melhor porque já tem muita coisa aprontada (sic). Muito importante para nós”, finaliza.

  • Por Tácita Muniz, G1 AC.
Por:
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