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Mosquitos inférteis são usados no Recife para ajudar a combater dengue, zika e chikungunya

Por Redação Juruá em Tempo.21 de dezembro de 20194 Minutos de Leitura
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O Recife lançou, nesta sexta-feira (20), um projeto piloto para controlar os mosquitos Aedes aegypti, que transmitem dengue, zika e chikungunya, usando animais estéreis. Cerca de 350 mil bichos que não têm capacidade para procriar começaram a ser soltos, por terra e com a ajuda de um drone, em Brasília Teimosa, na Zona Sul, para impedir a reprodução de insetos selvagens.

Segundo a prefeitura, a ação é baseada na Técnica do Inseto Estéril (TIE), reconhecida pela eficiência na erradicação e controle de insetos e pragas ao redor do mundo. Esse mecanismo já vem sendo usado na agricultura, mas só agora passou a ser implantado na saúde pública.

Esta foi a primeira etapa do projeto piloto, que é acompanhado de perto por agências da Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa prevê também a soltura dos animais estéreis nos bairros da Mangabeira e Macaxeira, na Zona Norte.

As áreas foram escolhidas, de acordo com a administração municipal, a partir de critérios ambientais, epidemiológicos e de estudos dos insetos. Anteriormente, os bairros ganharam armadilhas para que os mosquitos espalhassem larvicidas. Em Brasília Teimosa, informou a prefeitura, houve uma redução de 25% na população de Aedes aegypti.

Com a técnica de esterilização de mosquitos machos, a meta é fazer uma espécie de “controle de natalidade” de insetos, segundo o cientista Jair Virgínio, chefe da pesquisa.

De acordo com ele, esses machos não conseguem procriar e competem com os bichos selvagens para acasalar comas fêmeas. “Mesmo que eles consigam acasalar, não nascem mais mosquitos. Os ovos são estéreis”, apontou.

Para Virgínio, o Brasil e o mundo esperam os resultados desse projeto “para que seja possível levar adiante os estudos e começar a utilizar em larga escala a técnica do inseto estéril”.

Ele ressalta o apoio para o projeto, que conta com incentivo da Organização Mundial de Saúde (OMS), Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

“É uma tecnologia muito importante e chega pra se somar a todas as outras alternativas de combate ao Aedes aegypti. É importante que as pessoas entendam que não existe uma única tecnologia que seja capaz de resolver todo o problema”, comentou.

Processo

O processo de esterilização conta com doses de radiação de um elemento chamado cobalt 60. “Não são mosquitos transgênicos. Eles vão para o laboratório e passam por radiação. Contamos com o apoio do Departamento de Energia Nuclear da Universidade Federal de Pernambuco”, afirmou Virgínio.

Nos locais onde estão ocorrendo os lançamentos dos mosquitos inférteis, é possível observar uma grande quantidade de bichos. Mas eles são diferentes dos insetos selvagens.

“Eles foram pintados de quatro cores. Passam por um controle e só vão para a natureza aqueles que conseguem voar e competir com os machos selvagens para acasalar com as fêmeas”, disse.

Os machos inférteis foram reproduzidos na biofábrica da Moscamed, em Juazeiro, na Bahia. No Recife, após serem esterilizados na UFPE, foram marcados com pó fluorescente, em um espaço da prefeitura, em Peixinhos, na Zona Norte.

Esse processo de marcação, segundo a prefeitura, é importante para os técnicos avaliarem a eficácia dos mosquitos e quanto tempo eles permanecem no meio ambiente.

O resultado também facilita o mapeamento e a escolha da técnica de soltura. Assim, os técnicos também avaliam quais são os melhores locais e a quantidade de bichos ideal para a realização da experiência.

Cuidados

O gerente de Vigilância Ambiental do Recife, Jurandir Almeida, ressaltou quer os animais estéreis podem ser chamados de “mosquitos do bem”. “Eles não picam e, por isso, as pessoas devem evitar usar produtos para matá-los”, afirmou.

Almeida acredita que o projeto piloto será importante para o planeta. “Essa é a primeira experiência. Esperamos ajudar o mundo inteiro”, contou.

O gerente destacou, no entanto, que, mesmo com a introdução da nova técnicas, a população deve se manter vigilante para impedir a reprodução dos mosquitos selvagens.

“Temos que evitar a proliferação e manter as vistorias nas casas e não deixar que os focos sejam criados”, comentou.

Estatísticas

Segundo a prefeitura do Recife, até o início de dezembro deste ano, foram notificados 7.002 casos de arboviroses. Deste total, são 5.790 ocorrências de dengue, 1.032 de chikungunya e 180 de zika.

Dentre estas notificações, foram confirmados 3.119 casos de dengue e 406 de chikungunya. Em comparação ao mesmo período de 2018, houve um aumento de 118% dos casos notificados e de 140% dos casos confirmados.

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