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Bolsonaro fez de graça papel de ridículo na demissão do assessor

O presidente Jair Bolsonaro, no caso do assessor da Casa Civil que requisitou um jatinho Legacy da FAB para levá-lo à Suíça e à Índia, como se fosse um sultão, e não um simples subfuncionário do governo, cometeu um dos clássicos na categoria do “disse que ia, depois não foi e acabou indo”.

Essa história triste vai ficar, certamente, como um dos piores momentos dos seus 13 meses de governo. Bolsonaro, como se sabe, mandou demitir o assessor quando soube a barbaridade que o cidadão tinha feito. “É imoral”, disse ele. “É inadmissível”. Se é “imoral” e ao mesmo tempo “inadmissível”, só pode haver uma solução, não é mesmo? Olho da rua.

Só que não foi assim. Ou melhor: até que foi. Porém, depois de demitir o assessor, Bolsonaro, numa decisão 100% incompreensível, voltou atrás e mandou admitir de novo, em outro lugar do palácio – um pouquinho mais abaixo no poleiro, mas ainda assim dentro da equipe. Só que também não foi assim, mais uma vez. Depois de demitir e readmitir, mandou demitir outra vez. Pode um negócio desses? É claro que não pode, mas aconteceu.

De novo, há um problema com os filhos. O funcionário que foi de FAB para a Índia, quando os principais ministros do governo iam de avião de carreira, e ainda por cima em classe turista, só cometeu esse seu gesto tresloucado porque achou que podia – e achou que podia porque é amigo do filho. Depois de demitido, achou que o filho ia segurar de novo a sua barra, e quase conseguiu.

No fim, o presidente da República acaba fazendo de graça um papel ridículo. Para que isso tudo? No caso, é verdade, a emenda saiu melhor do que o soneto, porque a demissão foi mantida – só faltava que não fosse. Mas os filhos continuam por aí. É o tipo da coisa que tem tudo para acabar em lágrimas.

  • Por J.R. Guzzo, do Portal Metrópoles.
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