O chefe de Recursos Humanos da Secretaria de Saúde de Sena Madureira, interior do Acre, foi preso por suspeita de peculato. O servidor foi flagrado carregando várias latas de tinta e massa acrílica em um carro oficial da secretaria.
O flagrante ocorreu na tarde de quinta-feira (30), pelas polícias Civil e Militar do Acre na casa do servidor. Não foi arbitrada fiança e ele permanece preso na delegacia da cidade.
O delegado Marcos Frank, responsável pelo caso, disse que a polícia já tinha recebido denúncias anônimas alertando sobre o uso indevido do veículo oficial por parte de servidores para fins particulares.
“Já tinham algumas denúncias nesse sentido e prática. Ontem [quinta,30] teve uma barreira policial e ele foi surpreendido trazendo esse material de construção para a casa dele. O carro é caracterizado, tem o adesivo de ‘uso exclusivo em serviço’”, complementou.
A reportagem não conseguiu contato com o advogado do servidor público.
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Carro retirado
O secretário de Saúde do município, Daniel Herculano, falou que não foi notificado oficialmente sobre a prisão até esta sexta (31). Porém, ele contou que teve conhecimento da prisão e foi até a delegacia retirar o veículo.
“Por ser um município pequeno, fui lá de manhã pegar o carro e conversei informalmente com o delegado, não fui intimado. Me entregou o carro porque não há nenhum problema”, acrescentou.
Herculano explicou que o servidor viajou para Rio Branco, na quinta, a serviço da secretaria e também para fazer uma consulta médica. Na volta para o interior, o servidor passou em uma loja de material de construção e comprou a tinta e a massa acrílica.
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“O que causa estranheza é que quando chegou em Sena Madureira estava tendo uma blitz na ponte, pararam ele, mas não fizeram a apreensão nessa hora. Ele seguiu o percurso, foi deixar uns documentos na casa da minha secretária e foi para casa dele. Não estava na cidade e só soube da notícia”, relembrou.
O secretário afirmou que o servidor é comissionado há mais de três anos. Herculano alegou que abriu um procedimento administrativo para apurar a conduta do servidor e encaminhou um ofício para a Procuradoria da Justiça e para prefeitura da cidade.
“Sempre prestou o serviço com responsabilidade. É um pai de família, é um senhor, não tem passagem e é pessoa de boa índole. A polícia tem que fazer o papel dela, mas acho que deveria ter tido outra atitude”, garantiu.
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Abordagem em casa
O delegado falou que após a abordagem na entrada da cidade, equipes das polícias seguiram o servidor até a casa dele para fazer o flagrante. Em depoimento, o servidor confessou que a tinta era para casa dele.
“Seguiram ele até em casa para se certificar do que realmente estava acontecendo. Chegou em casa com o material e foi surpreendido, estava na garagem de casa. Foi autuado por peculato, não foi arbitrada fiança e espera o pronunciamento da Justiça”, argumentou.
Frank complementou que o desvio de bem público para proveito próprio tem pena entre dois a 12 anos. “Fiz a lavratura do auto de flagrante e está esperando para saber se responde em liberdade ou vai para o presídio”, concluiu.

