No último século, muita tragédia aconteceu. Tivemos guerras, doenças avassaladoras, catástrofes naturais e outras provocadas pelo homem. Mas para uma idosa de 108 anos, moradora de Pato Branco, no Paraná, que viu praticamente todas acontecerem, nada se compara à pandemia do coronavírus.

A aposentada Maria Antônia Vaz, mais conhecida como “vó Antônia”, que completou 108 em dezembro, conta que apesar de já ter vivido muito, nunca viu algo tão cruel como a covid-19, doença que tem feito não só ela, mas milhões de brasileiros ficarem em isolamento domiciliar.
“Eu nunca vi uma doença tão brava como essa agora”, diz ela para Universa. “A situação está muito complicada e muita gente está morrendo. Antigamente até tinha algumas doenças, mas não matava tanto como agora. Todos têm que ficar em casa por causa desse vírus, que é perigoso”, alerta.
No vídeo gravado e publicado nas redes sociais, além de pedir para que os idosos não saiam de casa nesse período, vó Antônia também dá dicas de como se prevenir, usando o álcool em gel, por exemplo.
“Ele [coronavírus] é um bichinho que vem e pega a gente, então tem que pegar o álcool em gel e passar bem nas mãos para matar ele”, diz, em um trecho do vídeo (veja abaixo).
De acordo com a neta Claudia Natalina de Oliveira, a avó é cuidadosa com a sua saúde, acompanha os noticiários e presta atenção às recomendações para se prevenir da doença — e segue tudo à risca.
“A vó perdeu um filho de 4 anos que morreu por causa da febre tifoide. Ela sentiu na pele como é perder alguém por causa de uma doença”, conta a neta. “Então crescemos ouvindo os ensinamentos dela sobre os cuidados que devemos ter com a saúde nossa e a de quem amamos.”
Rotina da casa mudou
Cindo pessoas moram na mesma casa que vó Antônia. Três delas continuam trabalhando e, por isso, a rotina precisou passar por alterações.
Segundo Claudia, quem chega da rua tem que entrar pelos fundos da residência. Lá, eles trocam de roupa, deixam o sapato e só depois entram no imóvel, seguindo já para o banho. Além disso, há um frasco de álcool em gel nas duas portas de entrada da residência.
“Não estamos recebendo visita. Todo o carinho com a vó agora é pela internet. Quase todos os dias ela faz chamada de vídeo com os netos e bisnetos para conversar”, conta a neta.
Claudia lembra ainda que mesmo os integrantes que moram na casa não podem beijar e abraçar a vó. E acrescenta que a aposentada tem uma boa saúde, não tem doenças como pressão alta e diabetes e dificilmente fica doente.
“Não é fácil, mas é tudo pela prevenção dela”, diz.
Andar de moto é plano para o pós-pandemia
Vó Antônia integra o grupo da terceira idade do município de Pato Branco e três vezes por semana se reúne com os amigos para fazer diversas atividades culturais. Sem poder sair de casa, a aposentada conta que faz questão de ir ao quintal tomar sol pela manhã.
“Eu já estou em casa há vários dias. É uma doença muito perigosa que atinge os pulmões e está matando os idosos. Então durante esses dias eu tomo sol atrás da casa e assisto televisão”, conta.
Apesar de estar seguindo uma rotina mais calma, vó Antônia sabe bem o que vai querer fazer assim que a situação melhorar e ela puder sair de casa.
“Quando puder sair de novo, quero ir ver meus amigos, passear, caminhar e andar de moto”, diz.
- Por Simone Machado, do Portal Uol.