Trabalhadores da Saúde fizeram um protesto em frente da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Segundo Distrito de Rio Branco, que é referência no atendimento de Covid-19, para cobrar mais profissionais para a unidade. O ato ocorreu no início da tarde desta segunda-feira (11).
“Falta técnico em enfermagem, não tem, os que tinham foram afastados porque são do grupo de risco e os que ficaram estão adoecendo por causa da carga do trabalho. Não tem leito em canto nenhum, a demanda está aumentando, hoje deve ter uns 500 pacientes para serem atendimentos e não tem onde colocar. Estamos trabalhando com o mínimo do mínimo, estamos adoecendo”, disse uma servidora, que pediu para não ter o nome divulgado.
Ainda segundo a servidora, a unidade ter um déficit aproximado de 20 técnicos em enfermagem. “Temos uma gerência muito boa, mas que não pode dar suporte porque não tem profissional. Estamos cobrando da Sesacre e não da gerência do hospital”, pontuou.
Em nota, a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) afirmou que o movimento não teve a participação dos servidores da unidade, mas apenas do sindicato. Segundo a unidade, os profissionais estão atendendo normalmente nesta segunda.
Ainda na nota, a Sesacre afirma que a Diretoria de Assistência da pasta contratou, em caráter de urgência, três médicos e dois técnicos de laboratório para a UPA. A Saúde garantiu que vai contratar mais profissionais por meio de um processo seletivo que está em andamento, sendo que alguns dos selecionados só aguardam o chamamento por Diário Oficial do Acre para trabalhar.
A UPA do 2º Distrito de Rio Branco é uma das três unidades de referência no atendimento do novo coronavírus. Com aproximadamente 40 leitos, a unidade não tem mais espaço para internar os pacientes e atende, em média, 200 pessoas com sintomas de Covid-19 diariamente.
Pedido de socorro
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Acre (Sintesac), Adailton Cruz, afirmou que o ato foi uma solicitação dos servidores da UPA como um pedido de socorro.
Os manifestantes usaram cartazes e ficaram afastados uns dos outros para respeitar o distanciamento social.
“Tem setor da unidade com 32 leitos com dez profissionais para atender. Ontem [domingo,10], por exemplo, só tinham dois profissionais para atender os pacientes com a doença, que estão isolados e totalmente dependentes”, afirmou.
Sobre a resposta da Sesacre, Cruz alegou que o protesto foi realizado e contou com a participação dos servidores da unidade, que alegam sobrecarga no trabalho.
“O movimento foi a pedido dos profissionais [da UPA] e fomos lá apoiar porque pediram. A nota da Sesacre é inverídica e tenta deturpar os fatos e não focar no que os trabalhadores querem, que é a contratação de mais profissionais”, concluiu.
Aline Nascimento – G1

