Cel Ulysses recua, mas não convence Gladson

Os atritos entre o Coronel PM Ulysses e o governador Gladson Cameli ganharam mais um episódio, dessa vez, com o comandante da PM recuando de uma nota anterior, em que condenava as medidas de isolamento determinadas pelo governador.

No primeiro posicionamento, o comandante da PM criticou as ações de fechamento do comércio ambulante, executadas pela PM: “Passaram-se três meses e o discurso permanece o mesmo. Não sabemos até quando essa situação vai perdurar, todavia essa indefinição está causando instabilidade na sociedade e essa conta não pertence à Polícia Militar, pois nossa corporação não parou um segundo as suas atividades ostensivas e operacionais nas ruas”, disse inicialmente o coronel.

Temendo a repercussão negativa que poderia suscitar seu afastamento do comando, Ulysses emitiu nova nota, recuando da declaração anterior e declarando estar em acordo com as medidas do governo: “O Comando da Polícia Militar do Estado do Acre vem a público tornar sem efeito a nota anterior sobre a ação da Polícia Militar no camelódromo, uma vez que tomou repercussão com viés político, não sendo esta a sua intenção. Em nenhum momento a nota foi feita com o intuito de criticar as medidas de isolamento adotadas pelo governo do Estado e da Prefeitura de Rio Branco, pois sabemos que são medidas necessárias e com fundamento técnico-científico da área da saúde pública e que não está na esfera de avaliação da Polícia Militar”.

Apesar de todos indícios, Ulysses procura negar a motivação política. Candidato em 2018, o coronel PM declarou no ano passado que seria candidato novamente em 2022. Por outro lado, a ameaça de insubordinação das PMs face aos governos estaduais reflete uma tendência política em que as instituições estão mais alinhadas com as posições do presidente Jair Bolsonaro e menos com os estados, que vêm buscando fazerem cumprir as medidas de isolamento social durante a pandemia.