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Artigo: O eterno balaio de gatos

Por Redação Juruá em Tempo.5 de julho de 20204 Minutos de Leitura
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Por André Kamai

 

Não sou o dono da verdade e nem tenho a palmatória do mundo, pra ficar apontando o dedo para os outros. A esquerda acreana já tem os seus próprios problemas para administrar e erros para corrigir. Ademais, macaco que olha muito para o rabo dos outros esquece do seu.

Mas, devo dizer que o clima está pesado entre a turma da direita no Acre. A aliança vitoriosa que conquistou o Palácio Rio Branco para Gladson Cameli (Progressistas) se desfez em menos de dois anos. Ao contrário da unidade obtida em 2018, proliferam, agora, no campo governista, múltiplas candidaturas a prefeitura da capital.

Até bem pouco tempo atrás, todos estavam juntos, no mesmo barco: além do apoio a Cameli, apoiaram Temer, apoiam Bolsonaro. Os deputados federais e senadores dessa aliança votaram a favor do impeachment, da PEC do teto de gastos, da reforma trabalhista, da reforma da Previdência, da privatização das distribuidoras de energia elétrica e da privatização do serviço de água e esgoto… Com isso, todos eles contribuíram para a subtração de bilhões de reais do orçamento que, dentre outras coisas, poderiam ajudar a salvar milhares de vidas dentre as vítimas de covid-19.

Um dos pré-candidatos governistas à prefeitura da capital – o que diz que, se eleito fosse, faria tudo diferente do que fez a Frente Popular do Acre – é o mesmo cuja família aplaudia as conquistas que o governo de Jorge Viana (PT) conseguiu para a pecuária, como o Acre livre da aftosa. Parece que tal pretendente agora foi “demovido” da ideia de sua pré-candidatura, em razão de uma grande rasteira, vinda das astutas pernas do vice-governador, Major Rocha. Conto isso mais adiante.

Outro pré-candidato dizia, aos quatro ventos, que era necessário “produzir para empregar.” Tendo assumido a Emater por pouco mais de um ano, se afastou do cargo para se candidatar – mais uma vez – sem nada de concreto ter feito para fortalecer a agricultura familiar ou implementar o tal “Plano do Agronegócio” que, segundo o governador, seria o carro-chefe de sua gestão.

Nessa toada, parecia que teríamos, até antes de ontem, ao menos 4 candidaturas da base governista à prefeitura de Rio Branco: 1) a candidata do governador (Socorro Neri/PSB); 2) o candidato do vice-governador (Minoru Kinpara/PSDB); 3) o candidato do partido do governador (Tião Bocalom/PP); e 4) o candidato do partido do vice-governador (Fernando Zamora/PSL). Vale salientar, mais uma vez: todos bolsonaristas de carteirinha, incluindo agora, também, os dois professores universitários.

Minoru Kinpara, ex-presidente do PT/AC e candidato ao senado em 2018 pela REDE Sustentabilidade, foi reitor da UFAC. Teve algum sucesso graças ao apoio e aos recursos enviados por Lula, Dilma e às polpudas emendas parlamentares dos petistas Sibá Machado e Jorge Viana. Hoje, é o pré-candidato tucano à prefeitura de Rio Branco. As universidades públicas comeram o pão que o diabo amassou no governo do tucano FHC – sob a batuta do então ministro da Educação, Paulo Renato – e voltaram a sofrer o mesmo ou pior no governo Bolsonaro. Basta lembrarmos dos cortes e contingenciamentos de verbas, operados pelo ex-ministro Weintraub; e de que já estamos indo para o 5° ministro da Educação em menos de 2 anos de governo. Minoru se filiou ao PSDB e o seu mentor, o vice-governador Major Rocha, tomou de assalto o controle do PSL no Acre, antigo partido do presidente da República, para ter mais tempo de TV e mais recursos do Fundo Eleitoral para gastar na campanha de seu pupilo.

Socorro Neri, por sua vez, foi alçada ao posto de vice-prefeita e, depois, prefeita na chapa de uma coligação de centro-esquerda. Mesmo estando em um partido que não integra a base governista – o PSB – é agora pré-candidata declarada do governador, que é de direita e bolsonarista.

Além da notória incapacidade de construir uma unidade, tais fatos demonstram a existência de uma enorme quantidade de projetos paralelos de poder. Mas, projeto de governo, que é bom, nada. A coerência e a união não são mesmo o forte da direita acreana. Mesmo no governo, continuam sendo um balaio de gatos.

 

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