Mais uma história de honestidade, amor ao próximo e compaixão foi contada em Rio Branco na mesma semana. Dessa vez, a autônima Nelly Alves, de 32 anos, encontrou uma bolsa com R$ 500, um comprovante de saque e receita de medicamento e não pensou duas vezes antes de tentar encontrar o dono.
Ela conta que saía de uma lotérica perto de casa nesse sábado (4), no bairro Rui Lino, quando viu a bolsa caída entre o meio fio e a rua. Ao juntar, Nelly percebeu que estava pesada e viu que tinha bastante dinheiro e alguns outros papéis, mas preferiu não contar porque estava na rua sozinha.
Na última quarta-feira (4) um casal seguia para o trabalho quando viu várias notas de dinheiro caindo do bolso de um motoboy que não percebeu e seguiu viagem, na Avenida Ceará, em Rio Branco. As notas ‘voaram’ pela rua e rapidamente o casal parou o veículo e começou a juntar o dinheiro. A dona foi encontrada após uma postagem mobilizar as redes sociais.
Era por volta das 14h e fazia bastante sol. Mesmo assim, ela disse que ficou no local aguardando se o dono voltaria por cerca de meia hora. Olhando para um lado e para o outro, nada de avistar ninguém e foi então que resolveu ir para casa levando o dinheiro.
“Quando cheguei em casa foi que abri e vi que tinha os R$ 500, duas receitas médicas, um papel com números e um comprovante de saque dos R$ 500. Como hoje em dia a gente resolve quase tudo pela internet, fiz uma transmissão dizendo que tinha acabado de achar e pedindo que quem pudesse compartilhar na tentativa de acharmos o dono”, contou.
Como na carteira tinha duas receitas médicas, Nelly disse que pensou que aquele valor seria usado para comprar medicações e isso a deixou ainda mais preocupada. E ela já sentiu na pele o que é perder dinheiro e sabia que tinha que encontrar o dono.
“Já perdi todo o dinheiro do meu financiamento e do meu aluguel, então eu sei qual é esse sentimento. Não queria que aquela pessoa passasse pela mesma coisa. Senti a necessidade de devolver para que aquela pessoa não perdesse a fé na humanidade e o bem que a gente faz, a gente colhe de uma forma ou de outra. Fiz o que eu gostaria que tivessem feito por mim quando perdi o meu dinheiro”, disse.
Dono do dinheiro bateu de porta em porta
Já era por volta de 19h quando a autônoma escuta alguém batendo palma no seu portão e ao se aproximar viu um senhor de bicicleta perguntando se ela era a dona dos lobos. É assim que Nelly é conhecida no bairro, já que tem dois cachorros que parecem lobos.
Era o dono do dinheiro. O idoso contou que assim que percebeu que tinha perdido a carteira ficou fazendo o percurso na rua durante toda a tarde até que uma pessoa percebeu e perguntou o que ele estava procurando. Ao dizer que tinha perdido uma carteira, a pessoa disse que viu quando a ‘dona dos logos’ encontrou e pegou o objeto.
Sem saber exatamente onde era a casa de Nelly, a pessoa apenas indicou a rua e foi perguntando de porta em porta que o idoso conseguiu encontrar a autônoma. Ela contou que ele estava bastante nervoso e se tremia bastante.
“Ele estava muito emocionado. Eu disse que realmente tinha achado a bolsinha com o dinheiro e que esperava que fosse dele de verdade. Ele disse ‘minha filha, é meu sim. Eu tenho como provar’. Aí me mostrou o cartão dele e a identidade, que era o mesmo nome que tinha no comprovante de saque da lotérica. Era um senhor de 60 anos, muito surradinho da lida, deve andar de bicicleta o dia todo. Ele chorou, estava tremendo bastante e agradeceu”, lembrou.
A autônoma disse não conseguiu fazer nenhuma foto ou vídeo do momento da entrega, porque não viu condições no idoso de ter esse tipo de exposição. Ela disse que ainda pediu um telefone de contato para depois fazer uma visita, mas ele não lembrou o número e disse que voltaria na casa dela ainda esta semana com mais calma.
“Ele não conseguiu lembrar do número. Na hora, fiquei desconcertada e não achei conveniente fazer uma foto, porque ele estava muito emocionado e ia parecer que eu estava me aproveitando da situação. Até porque, eu não publiquei o vídeo para me promover, foi numa tentativa realmente de devolver, de chegar até a pessoa. Mas, acredito que ele vai voltar aqui sim”, concluiu.
Fonte: G1.

