Rio Branco, Acre, 1 de outubro de 2020

Geoglifos podem dar pistas de como viviam os povos na Amazônia antes da chegada dos colonizadores europeus

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A imagem de satélite de agosto de 2015 mostra um monumento complexo, composto de várias figuras. O círculo tem cerca de 100 metros de diâmetro. O retângulo tem 200 por 100 metros. Maior que um campo de futebol. No total, são seis estruturas. Em outra imagem, de setembro do ano passado, tudo já aparece aterrado.

Na fiscalização da área pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no último dia 27 de julho, a confirmação do que constatou o satélite.

“O sítio foi alvo de destruição pelo processo de aragem do solo para plantação de milho,” diz o superintendente do Iphan Jorge Mardini Sobrinho.

Os geoglifos são estruturas geométricas escavadas na terra, em formato de quadrados, retângulos ou círculos. Foram descobertos na Amazônia na década de 1970, com o aumento dos desmatamentos. Começaram a ser melhor estudados a partir dos anos 2000. Teriam sido construídos por civilizações que ocuparam o sul da Amazônia, antes da formação da floresta e seriam usados para cerimonias e rituais religiosos. Só no Acre, existem 800 catalogados pelos pesquisadores.

“O registro obtido pelo satélite da destruição de um desses monumentos nos traz preocupação. A destruição desse monumento é muito grave, ao mesmo tempo nos indica a necessidade de educação patrimonial para que os proprietários tomem conhecimento de que esses monumentos existem em suas propriedades e a necessidade de preservá-los para o futuro,” pontuou o paleontólogo Alceu Ranzi.

O proprietário da fazenda em que os geoglifos foram aterrados é o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Acre, Assuero Veronez, que afirmou ter sido um erro do tratorista quando preparava a terra para o plantio do milho.

“Desde quando adquiri, eu tinha conhecimento da existência do geoglifo. Comuniquei ao meu colaborador da importância e de que tinha que ser preservado, mas quando ele foi fazer o trabalho com máquina, já muito tempo depois desse alerta, ele não se lembrou mais dessa questão. Ele não tem conhecimento profundo sobre a importância de um sítio arqueológico e achou que era necessário nivelar o terreno porque o geoglifo era um obstáculo ao trabalho com a máquina. Agora é hora de tentar reconstruir, reparar ou mitigar os danos que foram causados,” diz.

A área já foi embargada pelo Iphan, que também protocolou uma denúncia no Ministério Público Federal. Ainda não é possível avaliar a perda de parte da história da Amazônia com a destruição dos geoglifos.

“Quando você destrói um sítio desse, destrói a possibilidade de pesquisa, de entendermos nosso passado e futuro. Não é uma questão apenas de legislação, mas de civilidade e regionalidade para preservamos nossa cultura, nossa história”, lamentou o superintendente do Iphan.

Fonte: G1 Acre.

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