Rio Branco, Acre, 30 de setembro de 2020

Agronegócio: um dos mais importantes setores da economia volta a ser pilar de desenvolvimento no Acre

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Após 20 anos esquecido e desestimulado pela fatídica “florestania”, o agronegócio no governo Gladson Cameli reinicia com a promoção e a expansão, desde o pequeno ao grande produtor, por meio de ações da Secretaria de Estado de Produção e Agronegócio (Sepa).

Garantir o desenvolvimento do estado do Acre é um dos carros-chefe do governador Gladson Cameli e prioridade da atual gestão. O agronegócio ou agrobusiness, um dos mais importantes setores da economia mundial, promove a expansão econômica/social por meio de três caminhos que passam entre os setores primários, com a agropecuária; o secundário, com as indústrias de tecnologias e de transformação das matérias-primas; e o terciário, com o transporte e comercialização dos produtos advindos do campo.

De acordo com o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil (Mapa), a presença dos produtos do agronegócio nas exportações brasileiras em 2019 teve elevação de 1,5 ponto percentual, chegando a 47,6% na ascensão do mercado, sendo o regente da balança comercial do país.

Os cinco principais segmentos exportadores do agronegócio brasileiro são: soja (US$ 3,98 bilhões, ou seja, 46,0% do valor exportado); carnes (US$ 1,23 bilhão, ou 14,3% do valor exportado); produtos florestais (US$ 1,10 bilhão, ou 12,7% do valor exportado); café (US$ 467,39 milhões; 5,4% do valor exportado), dentre outros. A participação desses cinco principais segmentos é de 83% do valor total exportado pelo agronegócio brasileiro em março do mesmo ano.

Setor envolve cadeia produtiva

O governo do Acre não tem medido esforços para tornar o estado altamente produtivo e sustentável. Esse setor da economia envolve toda uma cadeia de atividades que inclui a própria produção agrícola (cultivo de culturas como o café, algodão, pecuária etc.), a demanda por adubos e fertilizantes, o desenvolvimento de maquinários agrícolas, a industrialização de produtos do campo (como óleos, café solúvel, entre outros) e o desenvolvimento de tecnologias para dinamizar todas essas atividades.

Ao contrário do que muitos imaginam, o agronegócio não está somente relacionado com o campo, ele perpassa o ambiente urbano, sendo um dos vetores de promoção do atrelamento das atividades rurais à dinâmica das cidades. Isso ocorre porque, à medida que o agronegócio vem se modernizando, mais carece de atuações industriais e produtivas advindas das cidades.

O fenecimento do campo

Os muito jovens de 2020 não se lembram dos armazéns da Cageacre lotados de arroz, feijão, farinha, milho e outros produtos que compunham a vocação agrícola do Acre, ao lado da pecuária que nasceu junto com as cidades. Desde o início da atual gestão, grandes mudanças foram necessárias para o renascimento da área. Iniciou-se em 2019 o processo de levantamento situacional de como estava sendo trabalhadas as ações de incentivo aos produtores rurais. Com a avaliação realizada pela Secretaria de Estado de Produção e Agronegócio (Sepa) foi possível enxergar os déficits e descasos com o incentivo à produção.

Para mudar essa triste realidade, o governo iniciou projetos para tornar o estado produtivo e sustentável. Em 2104, o então governado entregou 364 equipamentos agrícolas, esses mesmos equipamentos que foram encontrados pelo governo Gladson Cameli abandonados em propriedades rurais, desgastados em sol e chuva, de particulares, de forma totalmente irregular. Outros equipamentos também foram encontrados em abandono pelos ramais acreanos. Todos em péssimo estado.

Máquinas e equipamentos resgatados

Em uma ação de recuperação do patrimônio público, o governo Gladson Cameli conseguiu localizar e recuperar 46 equipamentos, entre máquinas agrícolas e veículos, em janeiro de 2019. O resultado da atuação, coordenada pela Secretaria de Estado de Produção e Agronegócio (Sepa), recuperou tratores, caminhonetes, carros, motos, quadriciclos, barcos, colheitadeiras, plantadeiras e outras diversas máquinas agrícolas. Os equipamentos foram encontrados em quase todos os municípios, como Assis Brasil, Brasileia, Bujari, Epitaciolândia, Porto Acre, Senador Guiomard, dentre outros.

A retomada dos equipamentos agrícolas públicos que estavam sob uso de particulares ou empresas privadas, de forma irregular, faz parte de uma determinação do governador Gladson Cameli em mostrar o respeito do governo pelo patrimônio público, resultando em uma gestão equilibrada e transparente nas cessões de uso.

Novas regras asseguram o acesso justo à mecanização agrícola para pequenos agricultores e põe fim ao apadrinhamento político

O lançamento do Fundo Agropecuário Estadual 2019 entra para a história do setor produtivo rural do Acre. O compromisso da nova gestão é colocar fim ao descaso em que a maioria dos agricultores foram submetidos em anos passados, em que apenas apadrinhados políticos eram os beneficiados de cessão gratuita de equipamentos e máquinas pesadas. O estacionamento do estádio Arena Acreana ficou tomado por tratores, caminhonetes, caminhões e equipamentos agrícolas, sucateados, principalmente pelo mau uso e menosprezo pelo bem público.

Todo o maquinário foi adquirido por meio de empréstimos milionários que estão sendo pagos pelo contribuinte acreano. O desdém com o patrimônio público era tamanho que máquinas e equipamentos chegaram ao ponto de ser alugados por servidores, e, até mesmo, pelos próprios produtores rurais, o que era já proibido na época, além do furto de peças, vendidas no mercado ilegal. Em abril de 2019, cerca de 250 bens foram recuperados somente nos municípios de Rio Branco, Acrelândia e Senador Guiomard.

Alavancando a economia renda

O fortalecimento e a expansão do agronegócio no estado são de essencial importância para a economia acreana, porquanto, atualmente, já garante 75 mil empregos diretos representando em negócios 12% do Produto Interno Bruto (PIB) local e alcançando em torno de R$ 1,4 bilhões, valor que o coloca em terceiro lugar em termos de geração de renda.

A produção de carne gira em torno de 150 mil toneladas por ano, com 75 mil toneladas exportadas para outros estados anualmente. Vale ressaltar que o patrimônio bovino acreano equivale a R$ 6 bilhões. Com os avanços previstos pelo governo, por meio dos incentivos que são realizados, a expectativa é aumentar ainda mais esses números.

Programas de incentivo

Para reduzir a burocracia para os produtores rurais, o governo tornou uma política pública de destaque: a Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP). A declaração é uma ferramenta utilizada para identificar e qualificar as Unidades Familiares de Produção Agrária (UFPA) da agricultura familiar e suas formas associativas organizadas em pessoas jurídicas.

Com a DAP são fornecidos diversos instrumentos para que o governo federal possa analisar as condições socioeconômicas do agricultor, assim como o rendimento de suas terras. Por meio do documento, o agricultor familiar tem amplo acesso aos financiamentos e demais benefícios concedidos pelo governo federal por intermédio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e demais programas.

Após levantamento feito em 2019 foi constatada uma série de irregularidades na cessão de DAPs nos últimos anos, liberadas para pessoas que não se enquadravam nos requisitos do programa e, mesmo assim, desfrutavam dos benefícios. Para regularizar essa situação, o governo do Estado iniciou uma ampla campanha para dar o acesso correto à declaração como diversos treinamentos com os técnicos para a emissão regular.

Técnicos capacitados: mais oportunidades

O governo do Acre em parceria com o Banco da Amazônia promoveu a Oficina de Capacitação para a Aplicação de Créditos no Desenvolvimento da Agricultura Familiar. Em 2019, o banco anunciou um investimento superior a R$ 696 milhões destinados ao incremento das áreas produtivas no Acre. Com a oficina, os técnicos foram capacitados para dar mais celeridade e oportunidade de acesso ao crédito rural, principalmente aos pequenos produtores. A ideia é que, com a capacitação, as propostas de financiamento sejam realizadas de forma acelerada, uma vez que elas demorariam muito mais para avançar no banco. Com essa nova ferramenta, os processos serão promovidos com brevidade e atendendo melhor os produtores que necessitam desses incentivos para expandir suas produções agrícolas.

Residência Agrária

Para fortalecer a assistência técnica e extensão rural no estado, o governo do Acre iniciou um importante projeto em 2019. Trata-se da criação do Programa de Residência Agrária no estado. Para dar subsídio ao projeto, serão destinados ao programa cerca de R$ 3,5 milhões de recursos de créditos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), referentes ao Programa de Desenvolvimento Socioambiental do Estado. Estes valores serão utilizados no pagamento de bolsas de residência profissional para aqueles que ingressarem no programa, o qual deverá ter duração de um ano e carga horária de 1.900 horas.

A previsão é contratar 80 profissionais das áreas agrárias como veterinários e engenheiros florestais, agrônomos, de produção e de pesca. Os profissionais irão atuar nos 22 municípios acreanos, realizando assistência técnica e extensão rural e parte desde o auxílio à regularização fundiária, ambiental ao acesso ao crédito rural.

Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) fortalece a vida de pequenos produtores rurais, organizados em associações e cooperativas em todo o estado, pois prevê a compra de alimentos da agricultura familiar e a sua doação para entidades socioassistenciais que atendam pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional. O PAA tem inúmeros benefícios sociais: gera estoque público de alimento por meio de compras governamentais, repassados principalmente para a produção da merenda escolar.

É um programa do governo federal, coordenado pela Secretaria de Estado de Produção e Agronegócio (Sepa), implantado por meio de convênio formalizado entre o Ministério da Cidadania e o Estado, permitindo a compra com dispensa de licitação, de alimentos de agricultores familiares, no limite de até R$ 6,5 mil por família a cada ano. Além disso, o programa colabora para a formação de estoques públicos de alimentos produzidos por agricultores familiares e para a formação de estoques pelas organizações da agricultura familiar.

O programa tem inúmeros benefícios sociais, pois segue promovendo o abastecimento alimentar por meio de compras governamentais de alimentos, fortalecendo circuitos locais e regionais e redes de comercialização, valorizando a biodiversidade e a produção orgânica e agroecológica de alimentos, incentivando hábitos alimentares saudáveis e estimulando o cooperativismo e o associativismo. E para garantir essa adesão ao programa, os escritórios da Sepa fazem o trabalho de cadastramento de produtores e entidades beneficiadas e interessados no programa em 18 municípios.

Amacro

O governo apresentou a proposta de criação de uma região de desenvolvimento agropecuária chamada Amacro, envolvendo os estados do Amazonas, Acre e Rondônia. Com os investimentos devidos, essa regionalização produtiva trará um salto de infraestrutura para o setor nos três estados, expandindo a competitividade do campo agropecuário, com geração de mais empregos e renda.

De acordo com o secretário da Sepa, Edivan Azevedo, ao assumir a pasta ele decidiu como meta de gestão apoiar a produção rural, por meio do estímulo aos produtores, fortalecendo e promovendo ações que garantissem um ambiente seguro para a produção rural. A Amacro é um audacioso projeto para consolidar a criação de uma nova região próspera, sobretudo por meio da produção agrícola e diversos outros setores do agronegócio.

A riqueza gerada com o agronegócio deve ser utilizada para dar sustentabilidade ambiental, contribuindo com as demais fontes de recursos já existentes e, assim, tornando as políticas ambientais mais sólidas e sustentadas com a riqueza da própria região.

Para incentivar ainda mais a criação da Amacro junto ao Ministério da Agricultura, os estados elencaram como vantagens elementos importantes como localização e clima, a abertura com o Pacífico pela Estrada Interoceânica, a conclusão da ponte sobre o rio Madeira, o reinício das obras de asfaltamento da BR-319, o complexo portuário-hidroviário do Alto Rio Madeira e a inclusão das três regiões no Bloco I do programa nacional de retirada da vacinação de aftosa para o rebanho bovino, o que hoje já é uma realidade para o Acre.

Expoacre 2019: sucesso agroprodutivo

A maior feira de negócios do estado, a Expoacre, movimentou em 2019 mais de R$ 74 milhões e reuniu mais de 25 mil pessoas por dia no parque de exposições. Adotando um novo formato, a feira foi sucesso do setor agroprodutivo do Acre. A feira, com duração de nove dias, teve como um de seus principais espaços o Caminhos do Agronegócio, que reuniu, em único local, empreendedores e instituições com a parceria entre Sepa, Sebrae, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Companhia de Armazéns Gerais e Entrepostos do Acre (Cageacre), Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), Instituto de Terras do Acre (Iteracre), Departamento de Estradas e Rodagens do Acre (Deracre), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

A proposta de setorização da Expoacre foi exitosa, principalmente para o setor do agronegócio que movimentou R$ 4,5 milhões apenas em produtos agropecuários, sendo o dobro do valor negociado no ano anterior. Os leilões de bovinos, por exemplo, movimentam economicamente a feira desde sua primeira edição. A organização da feira de exposições e do espaço previa a adesão de 15 expositores no Caminhos do Agronegócio, mas, devido ao sucesso do conceito do projeto, 38 expositores demonstraram interesse e fizeram parte do espaço fechando negócios dia e noite, superando as expectativas.

Somente as casas agropecuárias presentes no evento, alcançaram mais de R$ 1,5 milhão em volume de negócios. Uma novidade e destaque da feira foi o Laboratório de Transferência de Embriões, que além de negócios, realizou um ciclo de palestras e capacitação para produtores, focando a importância do melhoramento genético para o rebanho acreano de corte e leite.

Outro importante grupo beneficiado com a mudança da feira foram os produtores da agricultura familiar, que puderam participar de forma individual e também com cooperativas e associações, o que veio a possibilitar a entrada de muitos agricultores que nunca conseguiram espaço na Expoacre.

Aproveitando a oportunidade de reunir produtores de pequeno e grande porte, o governo e parceiros reuniram diversos produtores, para discutir temas como os desafios da implantação de um programa de verticalização das agroindústrias de produção familiar, uso de tecnologias na produção agropecuária e como alavancar a produção de ovinos e caprinos no Acre, além de oferecer cursos como o de tratorista agrícola e de processamento de leite e derivados.

Representantes dos governos do Acre, Amazonas e Rondônia, utilizaram o evento da Expoacre 2019 para discutir e negociar os últimos ajustes para processo de criação da Zona Especial para o Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Acre, Amazonas e Rondônia (Amacro).

Regularização Fundiária – Iteracre e Incra

Consistindo em uma das principais propostas e políticas públicas do governo, o trabalho de regularização fundiária, protagonizado pelo Iteracre e Incra, tem avançado em todo o estado. A expectativa é que cerca de 12 mil famílias produtoras sejam beneficiadas nos primeiros dois anos, enquanto outras 4,5 mil ganharão seu título de regularização nos últimos dois anos da gestão do governador Gladson Cameli (2021/2022), sendo esse um passo de extrema importância para a ampliação do agronegócio no Acre, considerando que a regularização proporciona mais segurança aos produtores e estimula os investimentos em produções para comercialização.

Com a regularização, as famílias passam a ter direito a uma série de políticas públicas, entre elas a liberação, junto ao Instituto de colonização e Reforma Agrária (Incra), do Crédito Instalação, aplicado pelo Instituto desde 1985. As famílias beneficiadas terão direito às modalidades Apoio Inicial, no valor de R$ 5.200; Fomento, no valor de até R$ 6.400; e Fomento Mulher, no valor de R$ 5.000, sendo esta última modalidade disponível apenas para mulheres que constam na relação de beneficiários.

Produção de soja: efeito positivo no PIB

Segundo o secretário da Sepa, Edivan Azevedo, o importante agora é que teremos o recomeço da agricultura no Acre. “Em todo lugar é comum que primeiro venha a pecuária e depois a agricultura”. O principal mercado para a soja é o mercado chinês. O Acre tem o privilégio de estar a pouco mais de 500 quilômetros do porto público de Porto Velho. A produção de soja em grande escala terá um impacto gigantesco na balança comercial do estado acreano, que vai consequentemente promover um aumento no PIB local.

Para o governador Gladson Cameli, “quando se fala em produção de alta escala, temos que lembrar que a balança comercial é o que o estado exporta, e a soja é um produto eminentemente de exportação. Nem por isso esquecemos o produtor familiar, aquele de pequena escala. São eles que colocam as verduras, legumes, arroz e feijão, ou seja, a comida do nosso dia a dia na mesa”. O governador reforça em seus discursos e na prática que tudo vem da agricultura familiar. A soja e o milho, que são produzidos em larga escala, geram o efeito positivo em nosso PIB interno. “É o Acre exportando mais do que importando”.

O objetivo da promoção da agricultura é torná-la a cada dia mais autossuficientes nos produtos básicos e aproveitar o momento para exportar o máximo que o Acre puder produzir. Grande entusiasta do cultivo das mais diversas culturas em larga escala, o governador Gladson Cameli fez questão de estar presente no evento da colheita da soja, evento este ocorrido em fevereiro deste ano (2020). O gestor não tem dúvidas que a guinada econômica que o Acre necessita passa pela produção rural.

Ciente das responsabilidades para alcançar este ousado objetivo, o governo vem somando esforços para criar um ambiente favorável e garantir ainda a segurança necessária para o homem do campo. Para o governador Gladson Cameli, “a produção rural gera emprego, renda, movimento da economia por meio dos restaurantes, bares, supermercados, açougues, frigoríficos, casas agropecuárias, borracharias, postos de combustíveis, revendas de máquinas e implementos, revendas de automóveis e muito mais. É dinheiro circulando no Acre”.

Escoamento da produção

Assegurar a trafegabilidade para o escoamento da produção é prioridade do governo Gladson Cameli. Em 2020 serão investidos R$ 110 milhões na recuperação e pavimentação de ramais. Outros R$ 40 milhões estão em fase de licitação para a compra de máquinas pesadas. Os equipamentos também atenderão as necessidades da zona rural em todos os municípios do estado.

Para o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (Faeac), Assuero Veronez, o sucesso da implementação de novas culturas agrícolas é uma questão de tempo. Ele cita ainda a elaboração de ações voltadas ao setor e empenho do governo como decisivos para o fortalecimento da produção rural.

“A soja chegando ao Acre e com a possibilidade de expansão, certamente teremos um avanço muito grande no estado. Saímos da monocultura da pecuária para diversificar a produção. Sabemos que não é algo simples e não conseguiremos mudar a realidade do dia para a noite. Precisamos de políticas públicas adequadas que apoiem o produtor rural, especialmente na parte de conservação de ramais, maquinário, armazenagem e secadores porque sem isso ninguém consegue produzir. O atual governo estadual está sintonizado com todas essas questões”, destacou Veronez.

O Acre começa a viver um novo momento em sua política pública do setor agroprodutivo. Segundo dados da Secretaria de Produção e Agronegócio (Sepa), estima-se que em 2020 o estado tenha um incremento aproximado de 31% na produção de grãos, o que significa a produção de 131 mil toneladas de insumos que ainda incluem milho, arroz, feijão e tantos outros.

“É com muita alegria que participo deste momento tão importante para o Acre. Todos sabem que uma das principais bandeiras do nosso governo é o agronegócio e estar aqui, dando início à colheita da soja em 2020, é uma grande conquista e prova que isso já é uma realidade. Meus parabéns aos produtores que acreditaram e estão plantando não só a soja, mas o milho, o feijão e outras culturas. Esse é o Acre que sonhamos para a nossa gente. Saibam que vocês têm em mim um governador parceiro e que está ao lado de quem acredita nessa terra e quer trabalhar”, garante o governador.

O governo do Estado junto ao seu setor produtivo tem feito todo um esforço para estimular mais produtores a fazer parte da cadeia da soja, uma cultura de grande importância econômica para o Brasil, sendo hoje a principal cultura do agronegócio brasileiro e um dos maiores produtos de exportação do país. Gladson Cameli já sinalizou a segurança jurídica para que o agricultor consiga produzir grãos em larga escala.

O governador quer transformar o Acre em um grande celeiro de alimentos para o Brasil. Visionário, o gestor acena para o agronegócio. Com incentivos, o Acre colherá 131 mil toneladas de grãos em 2020, salvação econômica do Estado por meio da geração de postos de trabalho e renda. Segundo o secretário de Produção e Agronegócio, Edivan Maciel, a agropecuária é um setor bastante dinâmico e comporta substituição de cultivos na mesma área.

A soja, por suas características agroeconômicas, deverá se expandir paulatinamente combinada com milho e em conversão de áreas de pastagens. A pressão por áreas já abertas fará com que sejam aproveitadas muitas áreas abandonadas ou já degradadas, o que diminuirá o impacto de eventuais substituições de cultivos.

“Outras atividades agrícolas no Acre são de pequena escala, portanto, não estão sujeitas à comprometimento devido à expansão da soja. Estamos tratando de conferir, via mecanização, Ater e outras maneiras, maior produtividade por área plantada, diminuindo inclusive a pressão por novos desmatamentos”, conta Edivan Maciel.

O solo acreano, diferente do que foi por anos divulgado para engano da população, é um solo extremamente favorável, sem contar o clima com muito sol e chuva, ou seja, ambiente sempre positivo para a agricultura. O Acre pode produzir três safras sequenciais: uma de soja, que leva 120 dias; uma de milho, com o mesmo período de tempo; e ainda uma “safra” de boi, também com 120 dias. O pasto que é plantado no resíduo da soja e do milho, fortalece o capim, e é na mesma área que se explora a cadeia bovina. Uma fantástica metodologia natural que somente a agricultura unida à tecnologia podem fazer, sem avançar na floresta. Uma atividade extremamente sustentável do ponto de vista ambiental, econômico e social.

Povos indígenas e sua produção

Para expandir o agronegócio no Acre, do pequeno ao grande produtor, a Sepa e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) conseguiram articular um acordo comercial entre a Associação do Povo Ashaninka do Rio Envira, em Feijó, e a iniciativa privada para a compra do feijão produzido pela comunidade. Além do sucesso na venda, o negócio abriu uma nova perspectiva.

Povos indígenas e sua produção

Com o objetivo de comercializar 20 toneladas de feijão com o mercado paulista, o grupo comercial agora deseja aumentar a parceria com grupos indígenas que tenham essa produção. Ricardinho Ashaninka, cacique do povo ashaninka/kampa do Alto Rio Envira, foi o interlocutor. A cultura ashaninka valoriza muito o trabalho produtivo, a forma de lidar com a terra e a produção de alimentos, mas destaca que faltava apenas um olhar mais respeitoso e solidário do Estado para esse tipo de produção.

O governo, sem uso de recursos, sem onerar o Estado, ou apelar ao assistencialismo, conseguiu unir o empresário da livre iniciativa com o produtor indígena. Esse é apenas o início de grandes parcerias. Começou com a aquisição do feijão, depois serão outros grãos, frutas e produtos das aldeias. A Sepa está estabelecendo contato com associações, organizações, federação indígenas e com a própria Funai para que em 2021, já se tenha equipes técnicas atendendo às comunidades indígenas que solicitarem. E é para essas pessoas que o governo Gladson Cameli também quer abrir novas oportunidades.

Na perspectiva de atender numa escala crescente os produtores, do pequeno ao grande, as equipes da Sepa presentes em todos os municípios do Acre vêm articulando várias ações em parceria com outros órgãos governamentais, organizações de base e associações de pequenos produtores. Representantes das etnias ashaninka, huni-kuin/ kaxinawa, madija/kulina e shanenawa estiveram presentes no encontro. Todos os grupos indígenas demonstraram interesse em receber assistência técnica e fomento à produção em suas terras, ressaltando a importância da conservação das espécies nativas e nascentes d’água, unificando preservação ambiental e cultural.

Como o objetivo de impulsionar a produção e estimular o agronegócio, o primeiro passo foi encontrar, entre as diversas comunidades indígenas, quais seriam aquelas que ao longo de décadas foram menos assistidas pelo Estado e quais projetos poderão ser aplicados.

Comercialização da banana e mandioca

Acre possui vocação natural para diversas culturas. O Estado é excelente produtor de mandioca e banana. Essas duas culturas serão cada vez mais apoiadas pelo governo de Gladson Cameli, para que os produtos oriundos desse cultivo tenham maior valor agregado e atinja um mercado mais exigente, que pague mais caro pela qualidade exigida. Com relação à produção da banana, a Sepa tem o objetivo de oportunizar a construção de casas de embalagens, que visa atender as exigências de boas práticas de manipulação do produto, com rigor técnico, chegando ao consumidor com a maior longevidade e boa apresentação.

Para que isso se torne realidade, o governo, por meio da Sepa, também está promovendo um plano de mitigação contra a sigatoka negra, a peste que assola os plantios de banana e os estados não livres dessa praga sofrem barreiras sanitárias que exigem a isenção dessa doença nos bananais. Sobre a produção da mandioca, o governo destaca que é necessário aproveitar a vocação natural acreana de produzir a melhor mandioca nacional. Detecta que há que se alavancar a produtividade por hectare, para isso a gestão pretende dar condições para que os produtos provenientes desta matéria-prima como a farinha, goma e fécula, sejam produzidos em maior quantidade, apostando sempre em mercados mais exigentes.

Para o governador Gladson Cameli “o que mais impressiona foi o quanto o produtor foi desestimulado a produzir, vender ou empreender. Em nosso governo, estamos deixando bem claro que o Acre foi feito para produzir. Aqui o produtor terá segurança e assistência técnica no plantio. Sua produção terá escoamento, secagem dos grãos e armazenagens garantidas.”

O governo afirma, que, paralelo a isso, fará com que o produto seja comercializado de maneira justa, e que o produtor sinta no bolso a renda produzida por seu trabalho. “Isso é o agronegócio! Iremos fortalecer a cadeia produtiva e melhorar o ambiente de comercialização, procurando parceiros, abrindo mercados, incentivando, sobretudo o cooperativismo privado, em que os produtores se unam na mesma causa, para robustecer sua capacidade de compra de insumos, máquinas, implementos e aquisição de créditos, para que na hora de comercializar, tenham volume e pessoas especializadas para o alcance de mercados competentes”, destaca o governador.

O governo está revitalizando as estruturas construídas do estado que estavam completamente abandonadas, como os armazéns da Cageacre. Já vem estruturando os silos que já existem, aumentando capacidade de secagem e estocagem de grãos. O estado também irá construir um complexo de silos na região de Senador Guiomard, que abrigará 300 mil sacas de milho. Um projeto que será iniciado neste ano e concluído em 2021, objetivando que o produtor sinta a segurança de ter onde secar esses grãos em uma velocidade de 120 toneladas por hora com grande capacidade de estocagem de milho, garantindo assim a oferta permanente de milho para atender as várias cadeias produtivas. Por falar em milho, é matéria-prima para ração de diversos animais como suínos, aves e também a pecuária, esta última que alimenta a boiada no cocho, acelerando o processo de engorda.

Zona livre de aftosa sem vacinação

Atualmente, o Acre possui cerca de 3,5 milhões de cabeças de gado, o que representa um patrimônio de R$ 6 bilhões e geram uma receita anual de R$ 1,2 bilhão. O Acre vacina seu gado há 21 anos ininterruptos com duas campanhas por ano. O estado é reconhecido internacionalmente pela Organização Mundial da Saúde Animal como zona livre de aftosa com vacinação há 14 anos, em virtude dos resultados exitosos de suas políticas de defesa e inspeção animal.

“Temos mais gado que habitantes em todo o estado, isso quer dizer que nosso mercado é 90% externo. Diariamente o estado chega a exportar mil bois. Não há barreiras sanitárias para a exportação do boi acreano. Umas das prioridades da Sepa, por meio do Instituto de Defesa Agrária e Florestal do Acre (Idaf) foi criar todas as condições favoráveis para que o Acre esteja livre da aftosa sem vacina, definitivamente. E foi o que ocorreu no último dia 18 de agosto de 2020. Em coletiva à imprensa, o governo anunciou fazer parte do Bloco I, ou seja, dos estados que fazem parte da zona Livre de febre aftosa sem vacinação.

O governo firmou um termo de cooperação com a iniciativa privada por meio do Fundo de Desenvolvimento de Pecuária do Acre (Fundepec), para a construção e reforma dos prédios do Idaf nos 22 municípios para que tudo estivesse adequado na vistoria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Foi exatamente no emprenho de cumprir rigorosamente com todos os requisitos para que o estado se tornasse zona livre da doença sem vacinação, que se deu a mudança histórica de status para a pecuária acreana.

Uma das ações foi a realização do anúncio de concurso público para cadastro de reserva visando a contratação de engenheiro agrônomo, engenheiro florestal, médico veterinário e técnico em defesa agropecuária e florestal, promovido pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf). Desde o início da gestão do governador Gladson Cameli foram contratados 19 veterinários e 16 técnicos agrícolas.

“Adquirimos equipamentos, computadores, nobreaks, impressoras, 10 caminhonetes para fortalecer a frota do Idaf e lançamos o concurso público para preencher cargos de veterinários e técnicos agropecuários para fortalecer a vigilância sanitária animal do estado”, declarou o governador.

O Estado fez seu programa de gestão e operação da defesa sanitária para que os representantes do Ministério da Agricultura certificassem o Acre como zona livre de febre aftosa sem vacina ainda em 2020. Vale ressaltar que todos esses requisitos deveriam ter sido seguidos desde 2017, porém as gestões que antecederam Gladson Cameli não deram a devida importância para o status de zona livre sem vacina.

Açaí do Acre

Em 2019, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Produção e Agronegócio (Sepa), realizou o primeiro seminário sobre a cultura do açaí – um evento aberto realizado um dia inteiro, tendo como público-alvo os gestores públicos da área produtiva, produtores rurais e estudantes – , que reuniu técnicos, produtores e empresários para discutir as potencialidades e sobre como expandir o mercado desta fruta no Acre.

Morador do Projeto de Assentamento Orion, no município de Acrelândia, o produtor Sebastião da Silva, conhecido como Bacu, se orgulha de possuir uma terra de 60 hectares voltada apenas para conservação e extrativismo, tendo apenas 6 hectares de área aberta. Cultivando principalmente mandioca na área aberta, ele já tentou plantar o açaí uma vez, mas não obteve sucesso. Após o seminário, sonha em conseguir finalmente dominar o plantio da fruta.

Natural do Norte do Brasil e uma fonte rica em minerais como ferro, cálcio, fósforo e vitaminas C, B1 e B2, o açaí tem se popularizado cada vez mais em todo o mundo, o que aumenta a cada ano sua demanda. No Acre, não existem números consolidados sobre a produção do açaí. Porém, de acordo com o Censo Agropecuário, a produção de polpa de frutas passou de 11 para 496 toneladas, entre 2006 e 2017.

O que o Acre produz atualmente de açaí nativo e plantado é muito pouco em relação ao potencial que o estado pode oferecer nessa cadeia. A preocupação do governo é levar, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural – Emater, o conhecimento técnico para os produtores não somente para gerar renda, mas fomentar essa vocação histórica do Estado acreano. O seminário contou ainda com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac) e da Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac).

Em 2019 o Banco da Amazônia anunciou um investimento superior a R$ 696 milhões destinados ao incremento das áreas produtivas no Acre, garantindo a possibilidade de parcerias para linhas de crédito. A proposta não implica em desmatamento da floresta, mas sim em fazer com que as áreas já abertas possam produzir mais. O intuito foi mostrar tanto o açaí como gerador de renda, como também gerador de empregos, com a cadeia de distribuição, coleta, industrialização, beneficiamento e até consumo. Tudo isso é agronegócio e está ligado desde o pequeno ao grande produtor. Dessa forma, uma das direções a serem seguidas é, indubitavelmente, a do agronegócio, um pilar econômico capaz de fortalecer qualquer cidade, estado ou país.

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