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Após passar por duas cirurgias no AC, jovem que foi estuprada e viu família ser morta reage bem

Por Redação Juruá em Tempo.16 de outubro de 20204 Minutos de Leitura
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Após passar por duas cirurgias nessa quinta-feira (16) no pronto-socorro de Rio Branco, a adolescente boliviana que viu a mãe e os dois irmãos serem mortos e também levou quatro tiros após ser estuprada por um acreano, está evoluindo bem no pós operatório.

A informação foi repassada pela gerência de assistência do hospital. A adolescente está evoluindo bem e sem alteração no quadro. Ela não precisou ser levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e está internada na clínica cirúrgica do PS tomando medicação, onde deve ser mantida por mais alguns dias até que os médicos programem a alta dela.

A adolescente passou por dois procedimentos. Um foi feito por uma equipe de ortopedista, em um dos braços; e o outro por um cirurgião buco-maxilo-facial. A menina já havia passado por uma cirurgia no braço no mesmo hospital assim que foi internada.

Dias depois, em 18 de setembro, ela apresentou alterações nos exames e, por segurança, foi levada para uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital da Criança para manter a estabilidade do quadro clínico. No dia 1º de outubro, ela voltou ao pronto-socorro da capital para aguardar pelas novas cirurgias.

Relembre o caso

O crime ocorreu no último dia 13 de setembro, na área de fronteira entre o Acre e a Bolívia, depois que o pai da menina flagrou um acreano estuprando a filha e decidiu amarrá-lo para chamar a polícia.

Parentes do suspeito de estupro então apareceram e atacaram a família boliviana em sua propriedade, que fica perto das cidades de Acrelândia e Plácido de Castro, no Acre. Após atirar contra a família (mãe e dois filhos morreram), os suspeitos ainda queimaram a casa.

Prisões e apreensões

A Polícia Civil do Acre ainda investiga o caso. Segundo o delegado Samuel Mendes, de Acrelândia, inicialmente dois homens foram presos em flagrante. Um deles acabou sendo solto e o outro foi levado ao presídio de Rio Branco.

O G1 tentou contato com o delegado nesta sexta-feira (16) para saber se tem alguma novidade sobre as investigações, mas o delegado informou que só vai se posicionar posteriormente.

No dia 17 de setembro, a Polícia Militar apreendeu um menor de 17 anos e conduziu duas pessoas investigadas pela morte da família para a delegacia de Acrelândia. No final do mês de setembro, a Justiça acreana negou o pedido de liberdade feito pela defesa do adolescente.

A PM foi até a propriedade da família dos suspeitos, que fica no interior do Acre, cumprir o mandado de internação do menor e um de prisão contra o suspeito do estupro, mas ele se escondeu na mata. Duas armas de fogo que teriam sido usadas no crime foram apreendidas.

“Me levaram tudo e mais a vida dos meus dois filhos e da minha mulher”, contou o agricultor boliviano Carlos Ribas, de 49 anos, que perdeu parte da família assassinada.

O pai disse que confiava nos acreanos que tinha contratado para trabalhar na sua casa e que os conhecia há cerca de cinco anos.

Depois do ocorrido com sua família, ele soube que os homens já tinham se envolvido em outras situações de violência.

“Estamos muito abalados realmente. Eu tinha confiança neles, contratei para trabalhar lá na minha propriedade, conhecia há cerca de cinco anos e eles estudaram tudo, até como minha mulher guardava o dinheiro”, disse.

Depoimento da adolescente

O G1 teve acesso a um áudio da adolescente contando como ocorreu a chacina. O trecho da conversa é parte do depoimento dela dado à polícia. Muito abalada e chorando, ela detalha como os criminosos agiram.

“Primeiro dispararam na minha mãe e depois disparam em mim, depois dispararam no [nome de um dos irmãos] e depois no meu irmão [nome do outro irmão], que estava atrás de uma árvore.”

A gravação é interrompida quando a adolescente começa a chorar.

Autoridades bolivianas

O consulado da Bolívia no Brasil informou ao G1 que está acompanhando o caso, mas que, por recomendação da polícia, não poderia comentar sobre os procedimentos. No dia 16 de setembro, o consulado chegou a dizer que não sabia do crime.

O boliviano que teve a família assassinada fez um apelo às autoridades para que os envolvidos no crime sejam extraditados para a Bolívia.

“Peço por favor, e também falo ao meu país, que eles sejam pegos e extraditados para o consulado. Somos trabalhadores, nunca tivemos nenhum problema em Plácido de Castro, nem em Acrelândia ou Califórnia [vila], mas tive a família baleada, querem tampar minha boca, mas não, a mim não vão calar. Quero que se cumpra a lei e que paguem seus delitos na Bolívia, porque mataram na Bolívia. Vou falar com governador da Bolívia, vou ao Ministério Público, quero Justiça”, desabafou.

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