Rio Branco, Acre, 7 de março de 2021

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Coluna SER; por: Simone Cordeiro.
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(Tradução: Feito para todos)

Não é exagero afirmar que, no estado do Acre, “Mim dê que eu tomo” é, provavelmente, a frase mais comentada e a hashtag mais compartilhada nas redes sociais nos últimos dias. A frase, que estampa camisas, publicações e se tornou o slogan do governo estadual na Campanha de Vacinação Contra Covid-19, foi dita pelo governador Gladson Cameli durante uma entrevista, em resposta aos comentários de pessoas que afirmam não ter o interesse em tomar a vacina, haja vista a relação de origem: companhia biofarmacêutica chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan. Neste texto, proponho uma reflexão quanto ao uso do pronome “mim” no início da frase usada como slogan da Campanha de Vacinação.

Gramaticalmente, o pronome oblíquo tônico “mim” indica a função de objeto indireto, e deve ser acompanhado por uma preposição; sendo seu uso exemplificado nas seguintes frases: “Traga o livro para mim”; “Ele gosta de mim”; “Aplique a vacina em mim” etc. Por outro lado, o pronome oblíquo átono “me” exerce a função de objeto direto; sendo assim, não é precedido por preposição. Exemplificamos o uso de “me” nas frases a seguir: “Diga-me o que desejas”; “Explique-me novamente”; “Dê-me a vacina”.

Contudo, cumpre destacar que as formas de usos dos dois pronomes descritos anteriormente estão previstos na gramática normativa, cujas construções ocorrem com pouca ou quase nenhuma frequência na linguagem oral; especialmente, quando consideramos as construções dialetais, que levam em conta tanto as intenções do discurso, seus interlocutores, espaço geográfico e temporal, sexo, idade, profissão, quanto o contexto. Logo, frases como: “Me dá uma carona”; “Me liga depois”; “Me vende seu carro”, são construções comuns nos discursos orais; podendo haver variações no uso de “me” por “mim”.

Sendo assim, em “Mim dê que eu tomo” temos uma variação dialetal. Esse tipo de variação, geralmente, faz parte do discurso de indivíduos que residem na zona rural, com pouca ou nenhuma escolaridade. Muito embora também possa ser utilizada em momentos de descontração, quando não ficamos atentos às normas gramaticais; uma vez que o contexto e os interlocutores permitem a pouca vigilância com a sintaxe da língua.

De qualquer forma, longe de gerar qualquer polêmica gramatical, a frase dita por Gladson Cameli é carregada de significados; pois, além de mostrar o posicionamento de um governo que sempre acreditou na contribuição da CoronaVac para o combate ao coronavírus, revela o desejo de motivar a vacinação e chama a população acreana, por meio de um discurso mais íntimo, a compreender de que a vacina é importante para a manutenção da saúde, e é destinada a todos.

Em um momento em que vemos o grande negacionismo da Ciência, motivado, muitas vezes, por àqueles que deveriam zelar pelo bem-estar coletivo, é digno de elogios a postura de Gladson Cameli ao motivar a vacinação; ao demonstrar confiança na ciência; ao credibilizar os servidores públicos de instituições brasileira; e, principalmente, ao não endossar discursos preconceituosos contra a China e seu povo.

Afinal, “Made in China” faz parte do nosso cotidiano.

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