Rio Branco, Acre, 3 de março de 2021

Acre e outros 11 estados mais o DF estão com taxa de ocupação de UTIs acima de 80%

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Por Redação Juruá Em Tempo.
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Ao menos 12 estados brasileiros e o Distrito Federal estão com taxas de internação por Covid-19 acima de 80%, nível considerado crítico. São eles: Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Paraná, Pernambuco, Piauí , Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia e Santa Catarina. E as internações por Covid-19 na rede pública do Brasil cresceram 8,7% em dez dias, segundo levantamento realizado pelo GLOBO, a partir de informações das secretarias estaduais de saúde. São cerca de 28,8 mil pessoas internadas pela doença em leitos de enfermaria e UTI do Sistema Único de Saúde. No dia 12 de fevereiro, eram aproximadamente 26,5 mil internados.

Lígia Bahia, especialista em Saúde Pública da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e colunista do GLOBO, explica que a elevada ocupação dos leitos de UTI é como a ponta de um grande iceberg, que nesse caso, representa uma taxa de transmissão do vírus muito alta e seu espalhamento geográfico pelo Brasil.

— É o que estamos falando desde o início, há uma ausência de bloqueio da transmissão. As novas variantes podem ser mais transmissíveis e potencializar o aumento de casos, mas não explicam esse cenário, que é caracterizado pela abertura de atividades não essenciais de maneira caótica. O repique decorre do aumento da circulação e aglomeração, em transportes coletivos lotados, bares, restaurantes, festas, além do uso eventual e incorreto de máscaras — avalia.

Guilherme Werneck, epidemiologista da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), também destaca a transmissão do coronavírus, que “claramente não está controlada”, e tem sido estimulada pelo contato entre as pessoas.

— Nesse período, que vem desde as eleições municipais do ano passado, depois o final do ano com Natal, ano novo e agora esse período de janeiro em que as pessoas ainda estão tendo muito contato, certamente é um grande fator de estímulo à transmissão. Associado ao relaxamento das políticas locais, com governos e municípios buscando liberar atividades sociais e econômicas no início do ano, isso estimula o contato, e, quando ele se dá com maior frequência, principalmente em ambientes fechados, aumenta a transmissão. Do meu ponto de vista, nesse período estamos colhendo os frutos dessas ações de relaxamento — afirma o epidemiologista.

Para Ligia Bahia, as medidas de toque de recolher são válidas, mas também é importante ter medidas de controle durante o dia.

— Seria o caso de restringir de fato e exigir o uso de máscaras. Ambas não são medidas fáceis, requerem muito diálogo, muita divulgação de informação científica e total apoio da área econômica para que as empresas e os trabalhadores possam se adequar às restrições durante a pandemia — afirma.

A especialista em saúde pública explica que a vacinação sozinha não será capaz de conter a transmissão, mesmo que o Brasil conseguisse vacinar rápido os grupos prioritários, o que não é provável em função da escassez de vacinas. Por isso, ressalta ser imprescindível manter medidas de isolamento social.

Werneck também afirma que, não havendo vacinação suficiente para causar algum impacto, é necessário investir nas medidas não farmacológicas, como uso de máscaras, priorizar máscaras de boa qualidade, evitar aglomerações e, principalmente, não frequentar lugares fechados, como restaurantes e boates.

— Na política pública eu vejo como inevitável a estratégia de reduzir a abertura ou o tempo de abertura dos locais que agregam muitas pessoas. Eu vejo que está na hora, ou já passou, de medidas mais firmes. E precisa de uma estratégia de comunicação forte para a população, para que as pessoas que entendessem a gravidade e aderissem mais fortemente às medidas de prevenção, enquanto a vacinação não consegue atingir parcelas maiores da população — avalia.

No Pará, a ocupação é de 78,8%, e em outros três estados o índice está acima de 70%. São Paulo, Amapá e Minas Gerais não informaram a taxa específica dos leitos de Covid-19 da rede pública.

Ele explica que o impacto desses fatores pode não ser sentido imediatamente, porque quem costuma sair mais são os adultos jovens, que na maioria das vezes não precisam ser internados, mas podem transmitir a doença para pessoas mais velhas ou com comorbidades, que mais tarde podem precisar ser hospitalizadas.

Werneck afirma que um segundo fator que contribuiu para o cenário atual foi a desativação de leitos:

— Acaba tendo uma ocupação alta porque não tem tantos leitos disponíveis. Houve um esforço em alguns locais para aumentar, mas a velocidade não corresponde à necessidade, porque precisa não só de equipamentos, mas também de pessoas: médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, profissionais especializados, e que também foram afetados pela pandemia — explica o epidemiologista, que também menciona as novas variantes do coronavírus, mas afirma que ainda não se sabe qual seria o papel delas nesse processo.

Medidas para conter avanço

Com a alta nos casos de Covid-19, alguns estados adotam medidas para tentar conter o avanço da doença. A Bahia decretou nesta segunda-feira novas determinações para o toque de recolher, medida que também foi implementada no Ceará.

Araraquara, em São Paulo, que ficou com UTIs lotadas devido a uma escalada de casos da doença, implementou uma quarentena de 60 horas no domingo. O estado de São Paulo, que bateu nesta segunda-feira o recorde de internações por Covid-19 desde o início da pandemia, deve adotar novas medidas de endurecimento da quarentena.

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