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Vacina recusada por indígenas pode ser redestinada, mas ainda há tempo, afirma coordenação do PNI Acre

Por Redação Juruá em Tempo.14 de fevereiro de 2021Updated:14 de fevereiro de 20215 Minutos de Leitura
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Até a divulgação do último boletim, o estado do Acre ocupava o último lugar entre os estados brasileiros no ranking nacional de vacinação, com apenas 0,65%. A alegação oficial da Coordenação Estadual do Programa Nacional de Imunização para o baixo índice, é que estaria havendo atraso na inserção de dados, devido à dificuldade de transmitir essas informações diretamente das aldeias, já que a maioria delas não possui conexão com a internet.

Contudo, são seguras as informações de que estaria havendo também, muita recusa por parte dos indígenas em receber a vacina. Segundo a coordenadora estadual do PNI-Acre, Renata Quilles, existe sim, a possibilidade de redestinação das doses, caso haja necessidade.

“Se houver a necessidade faremos uma troca com outros grupos prioritários, e devolvemos quando chegarem mais doses”, explicou.
Aos indígenas aldeados foram destinadas 24.834 unidades para primeira e segunda dose de um total de 40.760 vacinas recebidas pelo no primeiro lote. As primeiras doses do Coronavac, produzido pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantã de São Paulo.

Devido à liberação em caráter emergencial, a validade das doses é de apenas três meses, mas segundo a coordenadora, o tempo será suficiente para avançar na imunização indígena.

“Estas discussões (sobre redestinação das doses) ainda não são necessárias, já que mesmo diante da recusa, temos um tempo para insistir na Vacinação dos indígenas”, explicou.

Segundo Iglê Monte, coordenadora do Distrito Sanitário Especial do Alto Juruá (DSEI) do Alto Juruá, a vacinação, apesar de lenta, tem avançado. O DSEI Alto Juruá é responsável por uma população geral de 17.672 de indígenas (aldeados e não-aldeados), 17 diferentes povos, 148 aldeias espalhadas em oito municípios (dados da SESAI de 2017). “As vacinações entre os indígenas têm avançado, mas no ritmo deles. É para isso que existe o subsistema”, disse.

A própria existência do subsistema de saúde indígena (SESAI), é justamente prevendo as diferenças culturais, sociais e de logística para levar saúde até os indígenas.

Contudo, examinada de perto, a recusa de uma parte dos indígenas em tomar as vacinas parece guardar mais relação com os mesmos movimentos antivacina que ganharam força em pleno século XXI na sociedade ocidental, do que propriamente com algum fator cultural.
A fonte da recusa à vacina não são tem sido os velhos e pajés, mas os jovens com seus celulares.

Um jovem Noke Koi (katukina) apresentou um vídeo que circulou entre os celulares da aldeia por meio de whats app, em que um médico acusa a ‘vacina chinesa’ de implantar o comunismo, mudar o DNA e alterar a sexualidade, entre outros absurdos. O vídeo tem circulado entre os indígenas de todo país, o que não surpreende, já que o próprio presidente Bolsonaro tem ajudado a espalhar medo e desinformação a respeito da vacina.
O autor do vídeo é o médico Marcelo Frazão, do município de São Simão-GO.

A peça mentirosa do médico que associa vacina a mudanças no DNA data de outubro de 2020, mesma época de sua campanha política para prefeito de São Simão. Já em novembro, o Ministério Público apresentou denúncia contra Frazão, pelo crime de racismo cometido através das mentiras divulgadas em seu canal no You Tube. Apesar disso, o vídeo continua circulando, e causando estragos entre os indígenas.

Apesar do aparente ‘sucesso’ de seu vídeo, na sua cidade, o bolsonarista Frazão obteve apenas 109 votos. Menos do que o candidato a vereador do povo Noke Koi, Fernando Katukina, que obteve 355 nas eleições de 2016. Fernando foi a primeira pessoa de Cruzeiro do Sul a receber a vacina. Com um estado de saúde debilitado por uma diabete avançada, Fernando teve de ser ajudado por sua esposa para caminhar durante o ato de recebimento da vacina.

Fernando havia sido acometido de COVID meses antes, o que agravou sua condição de saúde. O recebimento prioritário da vacina, era também uma forma de tentar proteger os mais vulneráveis.

Cerca de 15 dias depois Fernando acabou falecendo. Mesmo com a infectologista que o atendeu descartando a vacina como causa, sua imagem circulou o país em fake news que associavam a sua morte à vacina.
“Foi um ato de coragem do Fernando”, diz a antropóloga Edilene Coffaci de Lima. Edilene teve larga convivência com os Noke Koi entre os anos 90-2000, com quem mantém contato até hoje.

Edilene acompanha as transformações impulsionadas sobretudo pela construção da BR 364 que cruza a Terra Indígena katukina. Com as informações que dispõe, Edilene acredita que as pessoas mais velhas estariam se tomando à frente nas vacinações, ao passo que a maior recusa estaria entre os jovens.

“Essas foram as pessoas que viram as epidemias nos anos 50, 60 e 70. E viram também a chegada das vacinas. São justamente as vacinas que garantem que eles existam num tamanho tão grande. Segundo o relatório da FUNAI os katukina eram cerca de 170 nos anos 70, e agora eles são quase mil. Os velhos viram essas mortes causadas pelas epidemias. Lembro deles contando do desespero de quando tinha epidemia de sarampo”.

Somente com dados consolidados é que a tese pode ser confirmada. Mas essas primeiras informações apontam para essa surpresa: são os jovens, e não os velhos que estariam se recusando a receber a vacina.
No meio indígena é comum que as pessoas se exemplem umas nas outras e a adesão imediata à vacina já não era mesmo esperada.

O mecanismo que move os indígenas, diz respeito muito às as relações de parentesco de cada pessoa indígena.
“Tenho esperança de que os velhos, que são sábios e vão orientar essa juventude. Principalmente porque os velhos eles estão vivos. E estar vivo é o maior exemplo”, conclui a antropóloga Edilene.

Nesta segunda, 15, deve ser divulgado novo boletim pelo PNI Acre, em que poderemos saber o quanto avançou a vacinação no estado.
O que tudo indica, é que apesar das fake news bolsonaristas, do fanatismo religioso e até dos antivax ‘nova era’, a vacinação deve avançar entre os indígenas, não no ritmo de quem atravessa uma avenida tumultuada, mas de quem caminha na mata atento aos perigos.

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