Rio Branco, Acre, 23 de abril de 2021

365 DIAS

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Coluna SER; por: Simone Cordeiro.
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Há exatos 365 dias (um ano) o governo do estado do Acre decretava as primeiras medidas para o enfrentamento da Covid-19. Os decretos estadual e municipal seguiam recomendações da Organização Mundial de Saúde; a crise sanitária na Europa, por alguns instantes, nos pareceu tão distante; a palavra quarentena parecia definir o período de mudanças; novo coronavírus passou a ser uma palavra sempre presente nos telejornais, webjornais ou em rodas de conversa; falávamos sobre o “novo normal”; a Covid-19 ou o Covid-19, qual seria mesmo gênero dessa palavra tão usada, ainda não classificada pelos dicionários?

Já são 365 dias! Quantas descobertas! Descobrimos que o vírus poderá levar à morte, não só os idosos e/ou as pessoas que pertencem a algum grupo de risco; descobrimos que mesmo tendo um histórico de atleta é possível ser uma vítima fatal; descobrimos que a palavra quarentena não define um tempo cronológico; descobrimos o valor das diferentes profissões: professores, médicos, garis, entregadores, coveiros etc.; descobrimos que o sintagma nominal “novo normal” foi uma idealização na tentativa de amenizar a realidade.

É preciso em primeiro lugar pensarmos no significado das unidades léxicas “novo” e “normal”. Se consideramos que há um “novo normal”, precisaremos aceitar que anteriormente vivíamos uma normalidade; apesar das desigualdades sociais, raciais, de gênero; da violência; das explorações; das intimidações etc. que constantemente presenciávamos por meio dos inúmeros veículos de comunicação. A menos que tenhamos perdido todo senso de moralidade, respeito e amor pela humanidade, poderemos confirmar que vivíamos em uma normalidade.

Já são 365 dias! O Brasil já registrou mais de 11 milhões de casos da doença, mais de 10 milhões de pessoas foram recuperadas, e quase 300 mil pessoas foram mortas. No Acre, contamos mais de 60 mil casos da doença, e mais de mil mortos. Os hospitais estão lotados, não há UTI suficiente para os doentes; a jornada de trabalho dos profissionais da Saúde aumentou, e os esgotamentos físico e mental são consequências. Os médicos que há 365 dias eram aplaudidos e homenageado; agora, são agredidos. O desemprego cresceu consideravelmente; os preços da cesta básica, combustíveis e gás de cozinha atingiram altos preços.

Já são 365 dias! As medidas indicadas pela OMS e descritas no 1º decreto estadual ainda estão em vigor: uso de máscaras, distanciamento social, álcool gel. Abaixo a ciência! Eis os facebookianos, com teoria sobre: a esquerda e a direita, o certo e o errado, o bem e o mal, o Cristo e o anticristo; o radicalismo partidário – se não for a favor do presidente é PT; o verde-amarelismo com o conservadorismo mais radial e velado por valores morais: em nome de Deus, da família, da pátria. Nunca se leu tão pouco; nunca se interpretou tão mal. “Precisamos manter o distanciamento social”; “usem máscaras”; “máscaras não têm eficácia comprovada”; “sai ministro, vem ministro”; “tem auxílio emergencial”; “cloroquina, sim; cloroquina, não!”; “sai ministro, vem ministro”; “ordem e progresso”; “vão pra puta que pariu”; “não tem mais como pagar auxílio emergencial”; “Lula livre!”; “vamos pagar o auxílio emprego”; “vem ministro…”

Já são 365 dias e o “novo normal” não está normal.

Se te tiram a razão, não me tirem a palavra!

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