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Após chuva intensa, Rio Iaco sobe mais de dois metros e retorno de famílias para casa é suspenso em Sena Madureira

Após uma forte chuva que atingiu a cidade de Sena Madureira, no interior do Acre, nessa terça-feira (9), o nível do Rio Iaco subiu mais de dois metros nas últimas 24 horas e o retorno das famílias que estão em abrigos para suas casas teve que ser suspenso nessa terça.

A coordenadora da Assistência Social do município, Elane Pessoa, informou que as famílias desabrigadas tiveram que esperar e, nesta quarta-feira (10), o retorno delas para suas casas voltou a ser feito com ajuda das equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Assistência Social. O trabalho de retirada das famílias dos abrigos começou na segunda(8).

Cerca de 300 pessoas ainda estão em um dos 13 abrigos que seguem ativos na cidade. Segundo a coordenadora, a prefeitura está entregando kits de limpeza para as pessoas e em seguida também devem ser entregues sacolões.

“Ainda temos 13 abrigos ativos, nós conseguimos retirar algumas famílias na segunda [8], mas ontem choveu o dia inteiro, o rio subiu mais de dois metros em 24h, e a gente precisou suspender esse trabalho, mas voltamos a retirar as famílias dos abrigos nesta quarta. Se a gente não conseguir remover todas hoje ainda, provavelmente concluímos o trabalho amanhã [quinta, 11], depende muito tempo, porque se chover tem que parar”, explicou Elane.

O manancial, que chegou a 18,35 metros no último dia 21 de fevereiro, marcou 12,22 metros na medição das 6h desta quarta (10) e está com menos de dois metros abaixo da cota de alerta, que é de 14 metros.

A cheia do Rio Iaco chegou a atingir mais de 27,6 mil pessoas do município. Essa foi a maior cheia desde 1997, quando rio marcou 19,40 metros. Segundo dados da Secretaria de Assistência Social, a cidade chegou a ter 49 abrigos entre escolas, quadras esportivas e prédios públicos.

Semsur já retirou mais de 1,5 mil toneladas de entulho das ruas após vazante do rio em Sena Madureira — Foto: Arquivo/Semsur

Limpeza após enchente

Desde que o rio começou a dar uma trégua e deixou de atingir as ruas e imóveis da cidade, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos da (Semsur) iniciou os trabalhos de limpeza dos entulhos, no último dia 23 de fevereiro.

Conforme o secretário Jeocundo César, até esta quarta (10), foram retiradas mais de 1,5 mil toneladas de entulho das ruas. Ele acredita que dentro de 13 a 15 dias esse trabalho deve ser concluído.

Além da retirada dos entulhos e muita lama, os trabalhadores estão fazendo a lavagem de ruas, por conta do mau cheiro após a vazante.

Ainda segundo o secretário, com o retorno das famílias para as casas, as ruas que já tinham passado pela limpeza voltaram a ficar cheias de entulho. Isso porque as famílias também estão limpando as casas e acabam colocando o lixo para fora dos terrenos.

“Como muita gente voltou para casa, eles jogaram mais entulho nas ruas, isso em locais que a gente já tinha feito a limpeza emergencial. Mas isso faz parte mesmo do processo, porque eles estão voltando de forma gradativa e estão fazendo suas limpezas também. O maior problema da gestão hoje está no Segundo Distrito da cidade, que foi onde as ruas foram tomadas por bancos de areia, então juntou lama, com entulho, está uma situação complicada”, disse o secretário.

Situação de emergência

Diante da situação da enchente, o prefeito da cidade, Mazinho Serafim, declarou, no último dia 17 de fevereiro, situação de emergência por 180 dias.

Nesse período, de acordo com o documento, fica autorizada a mobilização de todos os órgãos municipais para atuarem nas ações de resposta ao desastre. Essas ações vão ser coordenadas pela Defesa Civil e Gabinete de Crise.

Também fica autorizada a convocação de voluntários para reforçar as ações e para a realização de campanhas de arrecadação de recursos e doações, com o objetivo de facilitar a assistência à população afetada. O decreto libera ainda o início de processos de desapropriação, por utilidade pública, de propriedades particulares comprovadamente localizadas em áreas de risco.

Por fim, estão dispensadas as licitações de contratos de aquisição de bens e de prestação de serviços e de obras relacionadas com a reabilitação dos cenários dos desastres, desde que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 dias.

Calamidade pública

O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) reconheceu no último dia 22, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), estado de calamidade pública em 10 cidades do Acre atingidas por inundações causadas pela cheia dos rios no estado.

Os municípios de Rio Branco, Sena Madureira, Santa Rosa do Purus, Feijó, Tarauacá, Jordão, Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Mâncio Lima e Rodrigues Alves enfrentaram dificuldades com parte da população desabrigada (encaminhada para abrigos) e desalojada (levada para casa de parentes).

O governador do Acre, Gladson Cameli, havia decretado calamidade em uma edição extra do Diário Oficial do estado (DOE) também no dia 22. A cheia dos rios chegou a atingir mais de 130 mil pessoas no Acre.

Com informações G1 Acre

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