Rio Branco, Acre, 13 de maio de 2021

Com falta de oxigênio industrial, piscicultores no Acre temem parar produção de alevinos

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Redação Juruá em Tempo.
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Piscicultores do Acre devem parar a comercialização de alevinos por causa da falta de oxigênio industrial para transportar os animais aos compradores. O problema ocorre devido às empresas terem mudado a linha de produção para o oxigênio medicinal, que é essencial para as vítimas de Covid-19.

Com o aumento dos casos de Covid-19, o Acre enfrenta um risco de desabastecimento do oxigênio medicinal em hospitais que não possuem usinas próprias desde o início da primeira quinzena de março, quando pediu ajuda ao Ministério da Saúde que já enviou 200 cilindros ao estado até o final da última semana.

Em nota, a Secretaria de Estado de Produção e Agronegócios (Sepa) apenas reafirmou o que os produtores relataram e não pontuou se acompanha a situação, e se há alguma medida que deve ser adotada.

“Ocorre que, ao transportar o alevino, o produtor necessita de uma quantidade de “02” para que o peixe não sofra com estresses na viagem. Para um transporte seguro até o destino, em embalagem onde é acondicionado o peixe, uma quantidade de oxigênio é acrescentada para promover maior segurança e garantia de sobrevivência por um período de tempo de pelo menos 6 horas”, informou.

O piscicultor Wytman Oliveira conta que ainda tem reservas de oxigênio e continua fazendo entregas, mas não sabe como vai reabastecer os cilindros. Antes, ele pagava cerca de R$ 280 para encher um cilindro, mas agora o valor, segundo ele, pode chegar até R$ 5 mil.

“Deixa a gente inviável de trabalhar, têm amigos que estão parando, estamos lotados de alevinos, todo mundo preparado se abastecendo para a entressafra que vai entrar agora e não vai ter mais oxigênio e ninguém sabe como vai ser. Agora, por enquanto, a meta vai ser parar, não vai ter jeito”, disse.

Os piscicultores abasteceram a produção de várias espécies de alevinos para a chegada da Semana Santa. O Tambaqui é o mais procurado pelos clientes. Oliveira diz que vende em média 40 a 50 mil alevinos por mês.

“Vai chegar um ponto das garrafas todas vazias aí já e tem que abastecer, mas não vai ter como trabalhar com o preço do oxigênio esse absurdo”, acrescentou.

Desabastecimento

O alerta feito pelos piscicultores é que sem a entrega dos alevinos, os produtores não vão ter como reabastecer os tanques após a Semana Santa, o que pode causar escassez e aumento do preço do produto.

“Creio que no próximo ano esse impacto já vai cair em cima da mesa do próprio cliente, o consumidor que vai querer comer o peixe e não vai ter porque não teve o abastecimento de alevino. O preço já subiu da ração também. Então, são vários fatores que vão sofrer um problema muito grave para o próximo ano porque não tem como transportar alevino sem oxigênio”, explicou.

“Estamos com os tanques cheios de alevinos e não estamos conseguindo atender o pequeno, médio e grande produtor porque não temos condições de levar peixe nas caixas, não temos oxigênio suficiente para fazer esse trabalho. Não sei como vai ficar a piscicultura do nosso estado, dos nossos produtores que não tem como povoar os seus tanque, levar para seu açude”, reclamou.

Ivan acrescentou que o peixe está crescendo dentro das pisciculturas e está cada vez mais difícil atender a demanda pela falta do oxigênio. “O oxigênio não é suficiente para transportar em caixas e tem que ser em embalagens plásticas que só leva peixes de pequeno porte”, concluiu.

Veja nota na íntegra:

A Secretaria de Estado de Produção e Agronegócios (Sepa) esclarece:

No momento, por conta da pandemia do novo coronavírus, como existe a demanda do oxigênio industrial para demanda hospitalar, a comercialização deste insumo está escassa para o transporte de alevinos.

Ocorre que, ao transportar o alevino, o produtor necessita de uma quantidade de “02” para que o peixe não sofra com estresses na viagem. Para um transporte seguro até o destino, em embalagem onde é acondicionado o peixe, uma quantidade de oxigênio é acrescentada para promover maior segurança e garantia de sobrevivência por um período de tempo de pelo menos 6 horas.

Como a demanda pela necessidade de oxigênio cresceu muito, quando o produtor vai buscar o oxigênio no mercado, ou não encontra ou estão cobrando muito caro, já que o oxigênio hospitalar também serve para o peixe.

Ou seja, o que estamos vivendo é uma concorrência por escassez entre o oxigênio hospitalar e o industrial, este último que é utilizado para o transporte de alevinos.

José Aristides Junqueira Franco Junior -Secretario de Estado de Produção e Agronegócio (SEPA).

  • Por Quésia Melo, Acre Rural.

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