Rio Branco, Acre, 23 de abril de 2021

‘Coração destruído’, diz professora que perdeu a mãe e o pai para Covid-19 em menos de uma semana no Acre; irmão segue internado

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Por Redação Juruá Em Tempo.
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A professora Elisangela Anastácio, de 47 anos, tenta juntar forças para superar as mortes da mãe Maria das Graças Prado de Souza, de 71 anos, no último dia 6, e do pai Edmilton Daniel de Souza, de 81 anos, na madrugada desta quinta-feira (11) para a Covid-19. O irmão dela também está internado com a doença no hospital de campanha de Rio Branco.

Além deles, a filha de Elisangela, Raniella de Souza Anastácio, de 28 anos, também se infectou com o novo coronavírus, ficou internada, mas já recebeu alta médica.

O pai da professora, Edmilton Daniel de Souza, de 81 anos, estava em estado gravíssimo na UTI do Into-AC. Ele não chegou a saber da morte da esposa. Em um dos leitos da enfermaria na mesma unidade de saúde, Elyton Prado de Souza, de 41 anos, luta contra a Covid-19 também sem saber da morte dos pais.

Diante do sofrimento e espera, Elisangela passou a tomar remédios para dormir, tem crises de ansiedade e não sabe como será a vida sem a mãe. Ela, o filho e o marido não se infectaram com a doença.

“Nossa mãe era o alicerce da família, era aquela que sempre foi protetora, que nunca passava dois dias sem ligar para o filho. Os filhos almoçavam na casa dela, tomavam café com ela. No bairro Aeroporto Velho, onde morava, era muito querida, houve muitas homenagens para ela. Era uma pessoa muito boa. Se você perguntar quem era dona Maria e seu Edmilton no bairro, todo mundo diz quem eram, moravam há 50 anos lá. Os vizinhos comerciantes estenderam um pano preto em luto”, lamentou.

Além de conviver com o luto, Elisangela sofre a cada boletim médico divulgado. Com o coração acelerado e dolorido, a professora conta que ouvia as informações e se agarrava à esperança de que logo todos pudessem sair do hospital.

“É duro você ver sua família nessa situação. É muito difícil, fica um trauma em nossa cabeça, hoje tenho muito medo da Covid. Fui no médico agora para passar remédio, tomo remédio para dormir, tenho crise de ansiedade. Quando vai chegando às 18 horas, que é quando sai o boletim, o coração fica acelerado”, destacou.

Elyton Prado também está internado no Into-AC sem saber da morte da mãe e da internação na UTI do pai — Foto: Arquivo da família

Idosa morreu à espera de UTI

A mãe de Elisangela foi a primeira a testar positivo para a doença. Mesmo antes de saber do resultado, a filha da professora foi até a casa da avó fazer comida e ajudar. Ela acredita que foi nesse dia que a jovem se infectou.

Maria das Graças morava na mesma casa com o marido Edmilton Prado e com o filho Elyton Prado. Vinte e quatro dias após receber o resultado positivo, Maria das Graças passou a ter febre novamente e a família descobriu, em exames feitos no pronto-socorro, que ela estava com metade do pulmão comprometido.

“Minha mãe não tinha nenhuma comorbidade e o caso dela foi bem atípico porque quando ela morreu estava com 24 dias de Covid. Ela pegou Covid e desenvolveu uma pneumonia que afetou 15% do pulmão. Levei ela em um médico particular, tomou a medicação, tratou e com sete dias fizemos uma nova tomografia para saber se tinha acabado a pneumonia, que tinha zerado e ficamos tranquilos”, relembrou.

Enquanto a mãe era internada, Elisangela cuidava também da filha de 28 anos que também dava entrada no hospital para tratar a Covid. Dias depois, o pai e a o irmão dela também se internaram. No dia último dia 6, Maria das Graças não resistiu e morreu após sete dias de internação à espera de um leito de UTI.

“Começou o tratamento, mas só que a cada dia, no lugar dela melhorar só piorava. Quando foi na terça-feira [2] ela piorou e precisava de uma UTI, mas não tinha. Comprei um remédio que a médica pediu, que era uma esperança, e custava mais de R$ 4 mil. É uma medicação que está em teste e disse que fazia qualquer coisa pela minha mãe. Com três dias, que era para fazer efeitos, ela morreu”, contou entre lágrimas.

Elisangela Anastácio (à esquerda), teve a mãe (no centro), a filha (à direita), o pai e o irmão infectados pela Covid-19 — Foto: Arquivo da família

Espera

Dois dias após a morte da avó, na segunda-feira (8), a filha da professora recebeu alta e está em casa com a família. Também sem comorbidade, a jovem teve 80% do pulmão comprometido e precisa fazer fisioterapia.

“Minha filha pegou alta depois de 12 dias internada. Não foi para UTI, mas teve comprometimento de 80 a 90% do pulmão, ficou muito mal. Está se recuperando em casa, está bem e vai para a fisioterapia”, falou.

Agora, segundo Elisangela, os dias são de espera e incertezas sem saber quando os demais familiares vão se recuperar.

“Meu pai adquiriu uma bactéria lá. O índice de infecção dele estava alta. Meu irmão não foi para a UTI, mas ficou mal e foi para o oxigênio. Já está melhor, tem uma perspectiva de alta, graças a Deus. O coração fica destruído. Estou preocupada com meu irmão porque ele não sabe, nem meu pai”a, finalizou.

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