Rio Branco, Acre, 18 de abril de 2021

Desempregada, mulher com dez filhos mostra geladeira vazia e relata drama vivido durante a pandemia no Acre

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Redação Juruá em Tempo.
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Geladeira vazia e apenas um pouco de arroz feito no fogareiro à lenha. Foi assim que uma equipe de reportagem da Rede Amazônica encontrou a família da senhora Maria Gracinete da Silva, que tem dez filhos. Ela e o marido estão desempregados e, durante a pandemia, relatam dificuldades para conseguir comprar comida para os filhos.

“Fazia umas faxinas antes de começar a pandemia. A mulher me pagava R$ 50, o que vou fazer com R$ 50? Aí ela disse: ‘Maria, vou te dispensar, porque estou com medo de tu pegar Covid e nós também estamos sem dinheiro’. Aí peguei meus R$ 50, comprei um quilo de carne e acabou o dinheiro”, contou.

Na geladeira, segundo ela, só tinha água. Gracinete contou que o único alimento que tinha na casa era um pouco de arroz feito no fogareiro à lenha, já que o gás também acabou. Esse era o único alimento do dia para todos da família.

Carlos Alberto Silva é um dos filhos mais novos, tem só três anos. Sem tomar café da manhã, ele contou o que gostaria de comer no almoço. “Comer carne e feijão.”

“Vou falar uma coisa para vocês, é muito triste a minha vida com meus filhos. Tem dia que choro, porque olho para um lado e para o outro e não vejo comida para dar aos meus filhos. E nesse momento da pandemia está difícil. Espero que quando passar essa pandemia meu esposo arrume um serviço para melhorar mais. Quando ele está trabalhando a gente não passa tanta necessidade, porque ele compra as coisas.”

Logo após a reportagem ir ao ar, na noite de sábado (27) no Jornal do Acre 2ª Edição, uma verdadeira rede foi formada para tentar ajudar a família. Sensibilizadas, várias pessoas se mobilizaram e conseguiram doações que foram entregues ainda no sábado.

Família só tinha um pouco de arroz para se alimentar  — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Crise na pandemia

Estudos apontam prejuízos econômicos no país em função da pandemia. No Acre, assim como em todo o país, a população sofre com esses efeitos. No Brasil, o ano de 2021 já começou com 27 milhões de pessoas (12,8% da população) na miséria. Foi o que apontou um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para 2020, a projeção apontada para queda no Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil por conta da pandemia era de 10%. Pelos cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB do Brasil caiu 4,1% no ano passado.

Mesmo assim, o impacto é o maior dos últimos 30 anos e tirou o Brasil do grupo das 10 maiores economias do planeta. A recessão registrada no Brasil é menor que em países como México (-8,7%), Reino Unido (-9,9%) e Alemanha (-5,3%).

Especialistas explicam que, ao injetar R$ 293 bilhões na economia e impulsionar o consumo das famílias, o auxílio emergencial conseguiu amortecer o tamanho do tombo econômico no ano passado. Porém, não há o que comemorar uma vez que a pandemia continua afetando os brasileiros em 2021, como é o caso da dona Maria Gracinete.

Para especialistas na área da economia, para garantir a retomada do crescimento econômico e conter o avanço da pobreza, o Brasil precisa avançar na vacinação contra a Covid-19, o que vai permitir o funcionamento seguro das atividades econômicas.

“A crise não é igual para todo mundo, ela atinge de uma forma mais severa as classes mais baixas, porque são as pessoas que perdem o emprego, pessoas que estão sendo atingidas diretamente pela inflação. Principalmente porque o principal item de aumento da inflação é a cesta básica, que tem um peso maior no orçamento dessas famílias. A retomada do crescimento da economia depende do processo de vacinação. À medida em que for crescendo a quantidade de pessoas vacinadas, não só o mercado financeiro, mas os empresários e a população de uma forma geral, vai criar uma expectativa em relação ao futuro”, afirmou o economista Carlos Franco.

Recorde de desemprego

O Acre teve taxa recorde de desemprego em 2020, alcançando 15,1%. A informação é da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada no último dia 10 de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O índice no estado é o 10º maior do Brasil. Ao todo, 20 estados tiveram média recorde de desemprego no último ano, marcado pela pandemia do novo coronavírus e pelas medidas de restrição para tentar frear o contágio.

A taxa média de desemprego no estado ficou bem acima da média nacional, que foi de 13,5% em 2020, também a maior de toda a série histórica da Pnad iniciada em 2012.

De acordo com os dados, o nível de ocupação médio no ano passado foi de 43% no Acre. Isso significa que menos da metade da população em idade de trabalhar estava ocupada no ano de 2020. A média nacional ficou em 49,4%.

Por Lidson Almeida, Jornal do Acre 2ª Edição.

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