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Fisioterapeutas no Acre treinam técnica de ventilação não invasiva para tentar diminuir fila da UTI e leitos clínicos

Por Redação Juruá em Tempo.14 de março de 20214 Minutos de Leitura
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Com o sistema colapsado, sem leitos clínicos e de UTI, fisioterapeutas buscam qualificação com técnicas de ventilação não invasiva. Método ajudou a salvar vidas no pico da crise sanitária vivido no Amazonas. Pequenas enfermarias foram montadas nas casas.

Na próxima quarta-feira (17) completa um ano que os três primeiros casos de Covid-19 foram diagnosticados no Acre. De lá pra cá, até a última sexta-feira (12) 613.941 pessoas já foram infectadas, 1.094 perderam a vida para o novo coronavírus. 51.797 pessoas se salvaram.

Esse número poderia ser bem maior se as técnicas de ventilação não invasiva tivessem sido ampliadas na rede hospitalar estadual. A orientação é da Organização Mundial de Saúde, com base em estudos e levantamentos sobre a eficácia do tratamento em pacientes com a Covid-19 no Brasil e no mundo. A OMS elaborou norma para orientar o uso de VNI nas portas de entrada da Covid-19.

“É preciso avançar com essa metodologia no Acre que vive o momento mais agudo da pandemia” disse o fisioterapeuta Moacir Barcelos Carrion.

Barcelos conversou com a reportagem do ac24horas, falando de experiências que deram certas no estado do Amazonas, no pico da pandemia, quando imagens dramáticas ganharam o mundo com pacientes sendo enterrados em valas.

Com situação de superlotação em leitos clínicos e de UTIs no Acre, fisioterapeutas que estão na linha de frente no enfrentamento da pandemia recebem qualificação neste final de semana. A técnica evita que pacientes que chegam nas unidades hospitalares vão para uma UTI.

“Esse método faz com que o paciente com covid-19 com insuficiência respiratória possa ter um aporte ventilatório sem a necessidade da intubação, método não invasivo e menos agressivo”, explicou Barcelos.

Ainda de acordo o fisioterapeuta, o custo operacional da VNI é menor, enquanto um ventilador mecânico invasivo custa em torno de R$ 60 a R$ 110 mil, um aparelho de ventilação não invasivo custa em torno de R$ 8 a R$ 15 mil com facilidade de transporte e resultado imediato.

A técnica que evita a sedação ajudou a salvar vidas durante a maior crise vivida no estado do Amazonas, região que teve o maior número de pacientes tratados com VNI dentro do Hospital de Campanha Gilberto Novaes.

“Tivemos 60 aparelhos de VNI sendo usados trabalhando e salvando vidas somente em Manaus”, garantiu o especialista.

Tratamento com VNI pode ser feito na casa do paciente em pequenas enfermarias

Experiências de resgate de pacientes com 76% dos pulmões comprometidos vem tornando a VNI cada vez mais solicitada. Segundo outra especialista, fisioterapeuta acreana, Cristiane Santos Souza, em Manaus, no ápice da crise, sem leitos de UTIs disponíveis, vários infectados foram tratados em casa com apoio da família.

“Pequenas enfermarias foram instaladas em domicílio durante o caos no Amazonas. As famílias compravam as balas de oxigênio, chamavam o médico que acionava o fisioterapeuta”, explicou Cristiane.

Com a técnica aplicada com apoio de profissionais de enfermagem do município e do estado no Amazonas, ação que também contou com voluntários, Cristiane garante que pacientes receberam altas em uma semana. Diante dos questionamentos de evidências científicas para VNI, ela foi pontual.

“É sabido por todos que de 2020 pra cá, tudo que foi evidencia científica virou a gente de cabeça pra baixo. É preciso compreender que nós somos evidência científica. Todos os relatos, as anotações, serão publicadas para dizer que não é o ponto final da intubação que vai resolver o problema no mundo, é a intervenção no meio”, analisou Cristiane.

O treinamento que acontece no final de semana tem a previsão até de dar suporte básico com o olhar de atender um paciente que intercorre em domicílio e é levado para um ambiente hospitalar.

  • Fonte: AC24horas.
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