Rio Branco, Acre, 22 de abril de 2021

Polícia Civil alerta sobre golpes em aplicativos de compra e venda

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Com informações da Agência de Notícias do Acre.
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

Em mais um alerta da Polícia Civil do Estado do Acre sobre crimes cibernéticos, uma prática criminosa que vem avolumando procedimentos nas delegacias e fazendo novas vítimas todos os dias é o golpe aplicado na OLX.

A plataforma OLX movimenta em média 500 mil anúncios por dia em todo o Brasil. São cidadãos querendo vender ou comprar alguma coisa. Dentre essa imensidão de pessoas, frequentemente aparece a figura do estelionatário.

Eis o funcionamento do golpe na OLX, passo a passo, adotando como exemplo a venda de um veículo:

1) A pessoa interessada em vender um veículo posta seu anúncio online em sites especializados de revenda, que pode ser Facebook, OLX ou outros;

2) O criminoso encontra o anúncio, apodera-se das fotos e posta um novo anúncio (só que no site da OLX). Nesse novo anúncio, agora no site da OLX, o veículo passa a ser ofertado pelo criminoso por um valor atrativo, um pouco abaixo do valor de mercado, e contendo o número de Whatsapp do criminoso, como se ele fosse dono do objeto do anúncio;

3) Uma pessoa interessada é atraída por esse anúncio no site da OLX e entra em contato pelo Whatsapp com o criminoso, requerendo mais informações sobre veículo. O criminoso presta todas as informações solicitadas pelo potencial comprador. Por fim, diz que está vendendo o objeto para um familiar ou amigo;

4) Até aqui, temos, portanto, três pessoas que estão envolvidas nesses fatos: o vendedor, o comprador e o golpista. Vale relembrar que vendedor e comprador são duas pessoas de boa-fé e ambos serão vítimas do golpe;

5) À medida em que a negociação com o golpista evolui, o comprador demonstra interesse em conhecer o veículo, solicitando ao golpista uma vistoria presencial, para que possa ser concretizada a compra caso o comprador goste do veículo. O golpista diz que irá agendar a visita do comprador com o seu cunhado (o vendedor). Informa também que, no momento da vistoria, caso decida ficar com o veículo, o comprador deverá fazer o depósito bancário nas contas bancárias fornecidas pelo golpista (atenção: são contas bancárias de terceiros, os “laranjas”), que não estão em nome do vendedor;

6) Para agendar a visita, o golpista estabelece um primeiro contato com o vendedor pelo Whatsapp (nunca presencialmente) e, munido de documentos furtados ou documentos falsos, apresenta-se como empresário ou como advogado, ou com outra profissão que passe credibilidade. Na versão mais frequente, o golpista se apresenta ao vendedor como empresário e diz ter interesse no carro; diz que precisa fazer um acerto trabalhista com um ex-funcionário seu e que esse ex-funcionário tem interesse em conhecer o carro pessoalmente e, caso goste, ele (golpista) comprará o carro do ex-funcionário como forma de pagamento do acerto trabalhista. O ex-funcionário é, na verdade, o comprador, que quer vistoriar o veículo;

7) Para não ocorrer nenhuma suspeita por parte do comprador de que se trata de um crime, o golpista solicita ao comprador que, no momento da vistoria, não comente nada com o vendedor sobre o valor que ele irá pagar pelo veículo e que também não diga nada sobre o fato de o golpista ser cunhado do vendedor. O comprador, muito interessado na compra (pois o veículo está muito barato), acaba acreditando no golpista.

8) De igual maneira, para não ocorrer nenhuma suspeita por parte do vendedor de que se trata de um crime, o golpista solicita ao vendedor que não trate de valores do veículo com o ex-funcionário dele que irá vistoriar o veículo; diz que o acordo trabalhista é um assunto dele (golpista) com seu ex-funcionário (comprador). Caso contrário, ele (golpista) não teria interesse na compra do veículo; diz ainda que, caso seu ex-funcionário goste do veículo no momento da vistoria, o vendedor poderia entregar as chaves ao seu ex-funcionário (comprador), pois ele (golpista) faria imediatamente um depósito do valor anunciado para a conta do vendedor;

9) Atenção, nesse momento do golpe, o comprador está indo vistoriar o veículo achando que a pessoa que está com o carro (vendedor) é cunhada da pessoa que está lhe vendendo (golpista). Por outro lado, o vendedor está achando que quem está indo vistoriar o seu carro é um ex-funcionário da pessoa que irá comprar o seu carro. Logo, nenhum dos dois – vendedor e comprador – sabem das versões que o golpista estabeleceu separadamente com cada um deles;

10) No momento do encontro e da vistoria do veículo, apenas comprador e vendedor estarão presentes (o golpista se comunica com ambos apenas pelo telefone e pelo Whatsapp e nunca é visto pessoalmente. E, nesse instante, nem o comprador e nem o vendedor entram em detalhes sobre a terceira pessoa (golpista), pois ele assim solicitou separadamente a cada um deles.

11) Caso o comprador decida ficar com o veículo, ele imediatamente avisa ao golpista pelo Whatsapp que fará a compra, fazendo a transferência ali mesmo (pelo telefone celular) para a conta bancária que o golpista tinha lhe fornecido;

12) O golpista imediatamente entra em contato com o vendedor e diz que seu ex-funcionário gostou do carro e pede para aguardar 30 minutos que ele (golpista) fará o pagamento/depósito para a conta vendedor;

13) Comprador e vendedor ficam aguardando os 30 minutos;

14) O golpista deposita um envelope vazio na conta do vendedor, e lhe envia o comprovante de depósito. Essas transações costumam ocorrer estrategicamente nas sextas-feiras e no fim de expediente do banco.

15) Nesse momento duas coisas podem ocorrer: ou o vendedor com muita boa-fé já entrega o veículo ao comprador e esse vai embora para casa (ficando o vendedor sem veículo e sem o pagamento); ou o vendedor aguarda para ver se o depósito foi compensado e, ao notar que o envelope foi vazio e que o dinheiro não “caiu” em sua conta, não entrega o veículo ao comprador (e este fica sem o seu dinheiro transferido e sem o veículo);

16) Nesse momento, o golpe “perfeito” foi aplicado. O golpista então bloqueia comprador e vendedor de seu Whatsapp e desaparece impune e sem nunca ter sido visto presencialmente.

O que as autoridades de segurança pública recomendam para quem compra pela internet?

1) Anote a URL (endereço da internet – OLX, Facebook, etc.) de onde foi postado o anúncio;
2) Nunca minta;
3) Desconfie de valores comercializados abaixo do mercado;
4) Desconfie de solicitações de urgência ou pressa;
5) Quando for mostrar ou ver o produto, converse com a pessoa sobre as tratativas, principalmente acerca dos valores;
6) Analise o produto pessoalmente e converse sobre a situação do produto (nota fiscal ou outro documento de propriedade, eventuais multas, etc.);
7) Se você é o comprador, certifique-se sobre os dados bancários repassados pelo suposto vendedor, pesquisando a agência informada (basta digitar no Google, por exemplo: “ag. 2271 Banco Bradesco”) e se o nome do titular da conta corresponde ao proprietário do produto (veja nota fiscal ou outro documento que comprove a propriedade);
8) Se a agência for de outro estado e/ou o nome do titular da conta não corresponder com o nome do legítimo proprietário, desconfie e não efetue a transação;
9) Se você é o vendedor, não transfira (não assine DUT ou qualquer outro documento) e não entregue o produto, antes de ver se o valor foi creditado na conta bancária (basta puxar o extrato);
10) Não acredite apenas em comprovantes enviados por WhatsApp, consulte seu extrato bancário (no aplicativo ou no caixa eletrônico);
11) Se o contato for por ligação, grave-as por meio de aplicativo.

O que fazer se for vítima?

1) Se você é o comprador, faça contato imediato com o seu banco para tentar bloquear o valor enviado (transferência, depósito, etc.) – alguns exigem o boletim de ocorrência;
2) Para ambos (vendedor e comprador), separe os áudios gravados (se contato foi por meio de ligação) e/ou tire print do diálogo mantido com o estelionatário;
3) Anote o dia, hora e local em que estava quanto conversou com o estelionatário;
4) Procure uma Delegacia de Polícia Civil e registre um Boletim de Ocorrência, apresentando os áudios, prints do diálogo, comprovante de pagamento (transferência, depósito, etc.), a URL (link), o nome do perfil, o número do telefone e demais dados que apareciam no anúncio.

Leia também

Receba nossas novidades

Av. Getúlio Vargas n. 22 – Salas 7 e 8 – Centro – Cruzeiro do Sul AC.