Rio Branco, Acre, 19 de junho de 2021

‘Essa mentira mata’, diz microbiologista à CPI sobre cloroquina

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Redação
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

A microbiologista Natalia Pasternak afirmou nesta sexta-feira (11) à CPI da Covid que o uso de cloroquina para combater a doença é uma mentira “orquestrada pelo governo federal” e é uma mentira que “mata”.

A cloroquina não tem eficácia contra a Covid, de acordo com diversos estudos científicos. Mesmo assim, desde o início da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro e aliados defendem o uso do remédio para tratar a doença.

“No caso triste do Brasil, é uma mentira orquestrada pelo governo federal e pelo Ministério da Saúde. E essa mentira mata, porque ela leva pessoas a comportamentos irracionais que não baseados em ciência”, disse Pasternak.

A microbiologista disse ainda que, ao insistir na discussão sobre a cloroquina, o Brasil está atrasado pelo menos seis meses em relação ao mundo, que descartou o uso do remédio para Covid quando ficou comprovada a ineficácia.

“Estamos pelo menos seis meses atrasados do resto do mundo, que já descartou a cloroquina, e aqui a gente continua insistindo. Isso é negacionismo”, afirmou.

“Ela já funcionou para outras doenças? Não. A cloroquina já foi testada e falhou para várias doenças provocadas por vírus, como zika, dengue, o próprio sars, aids, ebola. Nunca funcionou. Então não tem probabilidade de funcionar. Nunca teve”, concluiu a especialista.

Pasternak explicou que diversos testes foram feitos para tentar encontrar alguma eficácia da cloroquina contra a Covid, mas todos demonstraram que o remédio não serve para tratar a doença.

“O primeiro [teste] foi esse em março do ano passado, feito em células em rins de macacos, que são células genéricas, fáceis de trabalhar no laboratório. Esse estudo mostrou que a cloroquina conseguia bloquear a entrada do vírus nessa células genéricas, que são células onde existe um caminho biológico para a cloroquina atuar. Esse caminho, ele não se concretiza em células do sistema respiratório. A cloroquina só funciona em tubo de ensaio em células genéricas, por isso que ela nunca funcionou em modelo animal e nem em humanos”, disse a especialista.

Ela lembrou a cena de quando o presidente Jair Bolsonaro apontou uma caixa de cloroquina em direção a emas que ficam no jardim do Palácio da Alvorada, e os animais saíram correndo.

“Senhores, a cloroquina já foi testada em tudo. A gente testou em animais, a gente testou em humanos, a gente só não testou em emas porque as emas fugiram, mas no resto a gente testou em tudo”.

G1

Leia também

Receba nossas novidades

Av. Getúlio Vargas n. 22 – Salas 7 e 8 – Centro – Cruzeiro do Sul AC.