Rio Branco, Acre, 23 de julho de 2021

Povo Ashaninka, da Apiwtxa, atua no fortalecimento da cadeia produtiva das sementes

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Assessoria.
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Das sementes nascem as árvores, plantas e sonhos do povo Ashaninka do Acre, que trabalha com o plantio e manejo de sementes há séculos. Desde 2017, o povo Ashaninka do Rio Amônia, da aldeia Apiwtxa, tem desenvolvido o Projeto Sementes, por meio de sua Cooperativa Ayõpare.

O projeto faz parte do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Acre (PDSA), realizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). A iniciativa dispõe de um plano de manejo para a coleta e comercialização de sementes florestais nativas, que foi produzido a partir do inventário de prospecção e mapeamento de árvores matrizes em três áreas de coleta na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo.

“Temos fortalecido essa ação, especialmente, porque temos que repor espécies que foram retiradas da natureza pela ação do homem. De modo que, onde tem uma área alterada, estamos inserindo espécies raras, ameaçadas de extinção e que possuem valor comercial, e que fazem falta ao meio ambiente”, explica Wewito Piyãko, presidente da Associação Apiwtxa.

A seleção das sementes foi feita a partir da escolha de árvores saudáveis e com boa forma. Em seguida, foi realizada a identificação individual de cada matriz. Ao todo, foram selecionadas 855 matrizes de 29 espécies, com no mínimo 12 indivíduos.

No mercado, os comerciantes encontram certa dificuldade em identificar a qualidade genética das sementes, especialmente, quando são utilizadas em áreas de reflorestamento. Entretanto, devido os cuidados na seleção e coleta, as sementes da Apiwtxa possuem qualidade garantida, pois são produzidas a partir de um plano de manejo que seleciona pelo menos 12 matrizes de cada espécie e a área é nativa, em uma floresta bem conservada, com alta diversidade genética.

Coleta

A coleta das sementes varia de acordo com a espécie de cada árvore. Para o mogno, por exemplo, é necessário um trabalho de alpinismo para buscar na copa a fonte de vida que vai gerar novas árvores. “Nós fizemos dois cursos de alpinismo para fazer esse tipo de escalada. Aqui na aldeia, várias pessoas já estão preparadas para realizar esse trabalho”, explica José Valdeci Piyãko, agente agroflorestal.

Além disso, também são realizadas expedições para a coleta de sementes de grande diversidade genética, bem como de espécies ameaçadas de extinção. “Estamos organizando uma expedição para coletar sementes de mogno, cedro, e copaíba, que estão na época certa de coletar. Essa expedição dura pelos menos quatro dias”, frisou Valdeci.

Recentemente, a Apiwtxa realizou ainda a coleta de mais de 400 kg de sementes de diversas espécies de palheiras. “Esta coleta foi feita para a gente fazer um grande plantio de palheiras, para a gente ter essas espécies perto da aldeia, pois utilizamos as folhas para cobrir as casas em nossa tradição e as palheiras estão ficando muito distante”, afirma Valdeci.
Desafios

Apesar de ser uma iniciativa que promove o reflorestamento, a preservação da floresta, a partir do cultivo sustentável de sementes, o projeto enfrenta os desafios do mercado, de logística e a falta de políticas públicas que incentivem a restauração florestal.

Segundo Francisco Piyãko, uma das lideranças da comunidade, o projeto lida com vidas. “Estamos trabalhando internamente com os sistemas agroflorestais, mas também no entorno da nossa terra para que as pessoas se juntem a essa luta e nos ajudem a recuperar essas áreas. E esse é um trabalho sagrado Ashaninka, porque mexer com sementes é mexer com vida, com pessoas e a garantia de futuro”, frisou.

ALEAC

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