Após um ano de acidente que matou Johnliane de Souza, no dia 6 de agosto do ano, a família ainda lida com a dor da perda e com os sonhos da jovem que foram interrompidos de forma brutal, ao ser atingida pelo carro de Ícaro Pinto que estava em alta velocidade, um ano atrás.
Jonhlinane teria completado 31 anos, no dia 23 de julho. E a família afirma que tem tentado seguir em frente, mas há momentos em que a saudade é grande.
“Tanto eu como minha mãe e irmã seguimos a vida, mas há momentos que somos tomados por aquele sentimento da falta, ou que parece que não aconteceu e que ela ainda está viva, mas percebemos que ela não estava aqui para comemorar o aniversário”, desabafa o irmão Johnatan Paiva.
Paiva ainda lamenta pelos sonhos da irmã que foram interrompidos e afirma que até hoje, eles pensam onde ela poderia estar trabalhando, por exemplo.
“Então, sentimos muito a falta dela. Sempre fazíamos uma comemoração e minha mãe sempre lembra dela pensando que se ela tivesse aqui estaria formada, porque ela teria terminado contabilidade e poderia estar atuando na área dela no mercado, onde ela começou como caixa, depois foi escriturária e quem sabe hoje não fosse contadora”, lamentou.

Um ano da tragédia
Após um ano do acidente que vitimou Jonhliane, o caso ainda aguarda uma data para o julgamento. Os dois motoristas que estariam praticando um racha, após saírem de uma festa, Ícaro Pinto e Alan de Lima, estão presos no Batalhão de Operações Especiais (Bope), em Rio Branco, desde agosto do ano passado.
Durante esse período, a defesa dos dois envolvidos entraram com vários pedidos de liberdade, mas todos foram negados pela justiça.
“Completa um ano e até o momento a gente nunca recebeu por parte da família dos réus nenhuma assistência, ninguém procurou a família para ajudar de alguma forma, para ver como estava ou não. Então, um ano e nem se quer uma postagem em respeito, ou manifestação. Pelo contrário, a todo momento eles buscam por liberdade”, disse Paiva.
A defesa de Ícaro Pinto disse que sobre esse caso só se manifesta na Justiça. Nesta sexta, a defesa de Alan Lima disse que também prefere não se manifestar sobre o caso.
O inquérito que investigou o caso, foi concluído ainda em setembro de 2020 e os dois condutores foram indiciados pela Polícia Civil. Segundo a perícia, Ícaro, que conduzia a BMW que matou a vítima, estava a uma velocidade estimada de 151 km/h. O motorista do outro carro, Alan, estava a 86 KM/h.
Uma semana depois, o MP-AC ofereceu denúncia à Justiça contra Ícaro e Alan. A denúncia contra os dois motoristas foi por homicídio, racha e pelo menos mais dois crimes acessórios, como fuga do local e omissão de socorro.
No mês de maio, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) derrubou a qualificadora e decidiu que Ícaro iria responder por homicídio doloso e não mais por homicídio duplamente qualificado, como havia determinado a primeira instância. Mas, após o pedido do MP, as qualificadoras foram incluídas novamente.
Em maio, a dupla envolvida no suposto racha foi pronunciada a Júri popular. Uma das últimas movimentações do processo ocorreu no final do mês de julho quando a câmara criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) acatou um recurso do Ministério Público do Estado com relação à pronúncia dos réus, para que eles respondam além do homicídio, pelos crimes de racha, por não prestar socorro à vítima, e por fuga do local do acidente. Alan também foi pronunciado pelo crime de dirigir sob efeito de álcool.
Pedidos de revogação da prisão
Já foram vários os pedidos feitos tanto pela defesa de Ícaro como de Alan para que os dois fossem soltos. A decisão mais recente foi do último dia 8 de julho, quando a Câmara Criminal do TJ-AC negou habeas corpus para Ícaro José.
Na decisão, os desembargadores Pedro Ranzi, Samoel Evangelista, que foi o relator, e Denise Bonfim votaram, por unanimidade, pelo indeferimento do pedido de soltura do réu.
No dia 31 de maio, a Justiça do Acre tinha negado mais um pedido de revogação da prisão dos motoristas. A decisão foi do juiz Alesson Braz da 2ª Vara do Tribunal do Júri.
No início do mês de abril, mais uma vez, a defesa de Ícaro havia tentado a soltura dele. Desta vez, um pedido de revogação da prisão preventiva sob o argumento de excesso de prazo da prisão preventiva. Além disso, requereu a substituição da prisão por aplicação de medidas cautelares. O Ministério Público se manifestou contra o pedido e pediu a manutenção da prisão preventiva.
O juiz indeferiu o pedido de revogação e de aplicação de medidas cautelares e manteve a prisão do motorista. Conforme o magistrado, ainda permanecem os requisitos que autorizaram a prisão preventiva e não há fatos novos que possibilitassem a revogação da prisão.
Em janeiro deste ano, a defesa de Ícaro fez um pedido de habeas corpus à Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre.
Em 16 de dezembro do ano passado, após a audiência de instrução, os dois tiveram os pedidos de revogação da prisão preventiva negados pelo juiz Alesson Braz.

Espera
O irmão disse que a família ficou triste quando viu que as qualificadoras foram retiradas, mas criaram expectativas quando foi atendido o pedido do MP.
“”Ficamos tristes quando foi tirado o racha do processo, mas graças a Deus, o Ministério Público pediu e a justiça acatou e foi colocado novamente o crime de racha, omissão de socorro e ocultação de provas”, disse.
Paiva acrescentou que até o momento acredita que a justiça está cumprindo com seu papel.
“Mas, a gente ainda se pergunta por que que esses réus estão presos no Bope. Se fosse outro, estaria na FOC. Foi uma perda muita grande e vamos lutar por nossos direitos. E aguardamos que o júri seja marcado e início do julgamento. Ansiosos para ver como vai se dar esse desfecho e se a justiça vai ser feita”, concluiu.
por G1 Acre

