Sem IML na regional, Alto Acre sofre com falta de profissionais e corpos são transportados em carro comum
A regional do Alto Acre – composta pelos municípios de Assis Brasil, Brasileia, Epitaciolândia e Xapuri, no interior , enfrenta falta de estrutura como o um posto do Instituto Médico Legal (IML) e médicos para fazer exames mais complexos, como em casos de estupros. Além disso, está há mais de 8 meses sem rabecão.
Sem sede do IML na região, as vítimas de mortes violentas, ou acidentes de trânsito precisam ser transportadas para a capital acreana e, com isso, encara outro problema que é a falta de veículo adequado para o transporte.
No início deste mês, a boliviana Maria Eugênia Alavi Burgoa, de 40 anos, foi morta no Mercado Municipal de Epitaciolândia, e o corpo foi transportado em uma caminhonete da polícia. A falta de estrutura, já foi motivo de reunião entre as autoridades destes municípios, com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sejusp), por meio do programa Sejusp Itinerante.
“Desde quando cheguei aqui falo da necessidade de termos um IML construído aqui na regional para atender nossa população. Sempre que participamos de reuniões cobro isso. Recentemente, quando teve uma edição da Sejusp itinerante, cobrei do próprio secretário e diretor da Polícia Civil e do governo”, disse o prefeito de Epitaciolândia, Sérgio Lopes.
Cidades do Alto Acre estão há 8 meses sem rabecão — Foto: Alexandre Lima/arquivo pessoal
Pedido
Lopes disse que durante a reunião, quando foram feitos os pedidos, a secretaria ficou de analisar a situação. Ele acrescenta que não ter meios para fazer os exames acaba se tornando um transtorno.
“Via de regra, a gente utiliza para exames mais simples, médicos da rede pública do hospital regional, mas é sempre um incômodo porque muitas vezes não querem fazer. Mas, exames mais complexos relacionados a crimes sexuais têm que ser encaminhados para Rio Branco, assim como os exames cadavéricos”, acrescentou.
A coordenadora da regional, delegada Carla Ívane confirmou a situação e disse que desde o final do ano passado, estão sem o rabecão e já foi enviado documento registrando o caso à direção. Além disso, disse que é uma preocupação porque o transporte feito sem a devida adequação coloca, inclusive, os servidores em risco.
“Estava apresentando problemas mecânicos e foi preciso parar por questão de segurança das pessoas e quando se viu que estes reparos não estavam satisfazendo, uma vez que o rabecão funcionava por um determinado tempo e depois voltava a dar problemas então enviamos para o setor de transportes da Polícia Civil”, contou.
O titular da Secretaria da Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp), coronel Paulo Cézar Santos, disse que as demandas estão sendo levantadas e devem ser encaminhados dois rabecões para a regional, mas não deu data.