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Cinegrafista iraniana presa no Acre com passaporte falso após fugir em busca de refúgio é absolvida em processo

Por Redação Juruá em Tempo.4 de novembro de 20214 Minutos de Leitura
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A cinegrafista e ativista iraniana Mahnaz Alizadeh, presa no Acre no ano passado após fugir do Irã em busca de refúgio no Brasil, foi absolvida do processo pela Justiça Federal. Na mesma decisão, o juiz condenou o iraniano Reza Sahami, preso em setembro do ano passado. Foi ele quem transportou até o Acre, de forma ilegal, o grupo de seis pessoas do qual a iraniana fazia parte.

Na época da prisão, a Polícia Federal no Acre informou que os presos eram da mesma família e que após uma consulta à Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) foi confirmado que os passaportes apresentados estavam na lista de alerta de documentos roubados ou perdidos e foram adulterados para serem usados pelos estrangeiros.

Porém, na decisão, assinada no dia 1º deste mês, o juiz Jair Araújo Facundes decidiu condenar Reza Sahami a três anos e seis meses de prisão, punição que foi convertida em pena de prestação pecuniária no valor de 50 salários mínimos, além de multa substitutiva fixada em 10 dias-multa à razão de um salário mínimo vigente à época dos fatos o dia-multa.

Juntamente com Reza Sahami, havia sido denunciada também a iraniana Mahnaz Alizadeh, que inicialmente foi acusada de envolvimento com o caso. Porém, o Ministério Público Federal entendeu, após a instrução da ação penal, que Mahnaz era pessoa politicamente exposta em seu país de origem, e que sofria ameaça de prisão caso continuasse ou retornasse ao Irã, sendo basicamente esta a motivação de seus atos, não havendo provas de que ela agisse para obter qualquer vantagem financeira, tese que foi acolhida pela JF, que absolveu a acusada.

‘Profundo senso de Justiça’, diz defesa

O advogado Gomercindo Rodrigues, que atuou na defesa da iraniana, disse que ela não está mais no Brasil e, por questão de segurança, prefere não falar a atual localização dela. Ele conta que ainda está em andamento uma petição para que sejam devolvidos documentos da cineasta que foram apreendidos na operação. Para ele, a decisão da absolvição dela mostra um alto senso de Justiça do magistrado.

“Acho que o juiz conseguiu entender tudo que aconteceu ali. Foi um profundo senso de justiça e acho que isso, de certa forma, o fato de ter havia esse processo e ter uma pessoa condenada, chama atenção para uma situação em que as autoridades podem ficar mais atentas a essa situação. Foi uma decisão com profundo senso de justiça e acho que ela é importante para o ponto de vista de chamar atenção para pessoas que estão em risco de outros países”, destaca.

Para ele, é preciso que as autoridades estejam voltadas para essa questão humanitária, que acaba sendo uma fonte de renda para os chamados coiotes, bastante comuns nas fronteiras no Acre.

“Essas pessoas são vítimas de crimes cruéis e dependem disso [sair do país] para continuar vivas e tem pessoas que ganham dinheiro com isso e se vangloriam. São pessoas que estão pagando para continuar vivas, acho que isso é cruel, e deve chamar atenção das autoridades internacionais, de direitos humanos”, enfatiza.

ossivelmente morta) caso seja deportada ao país de origem.”

Jeff Kaufman defendeu a cinegrafista também em uma carta publicada no site iraniano Iran Wire, no último dia 8, onde fez um apelo às autoridades brasileiras para que não a deportem.

“A posição em que se encontra a cineasta e ativista Mahnaz Alizadeh – presa no Brasil e tentando encontrar um porto seguro sabendo que um retorno ao Irã pode levar à prisão ou pior – é dolorosa e assustadora. Como diretor/escritor e produtor do documentário NASRIN, sinto profunda gratidão e respeito pela contribuição única de Mahnaz e de outras pessoas que nos ajudaram a filmar no Irã”.

  • Fonte: g1.
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  • Editor Chefe: Uilian Richard Silva Oliveira

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