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“Trabalho o dia inteiro e não consigo comprar um quilo de carne”: motoristas de app no Acre sofrem com gasolina a R$ 7,00

Por Redação Juruá em Tempo.1 de novembro de 20214 Minutos de Leitura
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Os sucessivos reajustes nos preços dos combustíveis têm tirado o sono dos acreanos. Enquanto na capital Rio Branco se paga em média R$ 7,00, em alguns municípios mais isolados o litro da gasolina já se aproxima dos R$ 10,00. Tirar o carro da garagem pode até ser uma escolha para alguns que podem optar por usar ônibus, mas há uma classe que não tem opção: a dos motoristas de aplicativos.

O porta-voz da categoria no Acre, Francisco Silva, de 35 anos, é motorista nas plataforma Uber desde 2017, quando ela chegou ao estado e também presta serviço para a 99, mas sua vida como motorista é mais longa ainda, antes disso, Francisco era taxista há 12 anos. Nestes 17 anos em que dirigir nas ruas de Rio Branco virou seu ganha pão, ele afirma que é a primeira vez que vê o combustível aumentar tanto.

“Neste tempo todo é a primeira vez que passo por essa situação. A gasolina é o nosso calcanhar de Aquiles, com ela chegando a R$ 7,00 está ficando muito inviável”, diz.

Segundo Francisco, o valor que um motorista ganha com as corridas é dividido entre ele e a gasolina: “50% vai para a gasolina, se um motorista faz R$100,00, fica R$ 50 para ele e R$50 para a gasolina”, afirmou. Ainda de acordo com o profissional, essa divisão pode ser mais injusta: “Quem tem um carro mais antigo, essa margem de 50% nem existe mais, pode cair para até 40% e a gasolina levar embora 60%”, exemplificou.

Com a esposa fora do mercado de trabalho, Francisco é o responsável pelo sustento de sua família, que tem dois filhos pequenos. Ele diz que viu cerca de 30% de sua renda virar gasolina e pensa em largar o serviço, que atua a metade de sua vida. “Já estou buscando outra saída”.

No Acre, atualmente existem cerca de 4 mil motoristas de aplicativos ativos, e Francisco não é o único que pensa em desistir. Em uma comunidade no Facebook com outros motoristas de aplicativos, muitos revelam a dificuldade de se manter no emprego. “Todo santo dia eu vejo colegas entregando o carro para aluguel, entregando para o banco porque não pode mais pagar o financiamento, ou o banco atrás de alguém porque a pessoa está com parcela atrasada”, diz.

Alguns motoristas sem veículo próprio, buscavam como alternativa o aluguel de carro para trabalhar, mas de acordo com a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis, entre junho e meados de outro,  30 mil veículos foram devolvidos por motoristas de aplicativos às locadoras.

A associação diz que no início do ano passado, mensalmente, em todo o país, cerca de 200 mil veículos eram alugados por motoristas de aplicativo. Esse número chegou a cair cerca de 80% em meio a pandemia, entre abril e maio, mas se recuperou no fim do ano.

Agora, com os sucessivos aumentos no preço da gasolina desde de junho, novas perdas já são contabilizadas e o segmento aluga cerca de 170 mil veículos das locadoras.

“Trabalho o dia inteiro e não consigo comprar um quilo de carne”

Um motorista de aplicativo que não quer se identificar, é um desses que sem veículo próprio recorre a uma locadora para conseguir trabalhar. Com um filho pequeno e a esposa desempregada ele diz que já não sabe mais o que fazer.

“Trabalho o dia inteiro e quando chego para fazer as contas do lucro, não consigo comprar um quilo de carne para minha família jantar porque a gasolina leva metade e o aluguel do carro também me suga boa parte. É desesperadora a sensação de impotência”, lamentou.

  • Por Nany Damasceno, do Contilnet.
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