“Representa uma chance de mudar de vida”. A frase é do candidato do Cadastro de Reserva da Polícia Civil do Acre, Jorge Orleans, de 24 anos, que completou 14 dias acorrentado em frente ao Palácio Rio Branco nesta terça-feira (14). Morador de Cruzeiro do Sul, ele saiu do interior para cobrar do governador Gladson Cameli a promessa de chamar os candidatos que aguardam a convocação para reforçar o efetivo da Polícia Civil.
O concurso da Polícia Civil para preenchimento de 250 vagas foi feito em 2017 quando o governador do estado ainda era Tião Viana (PT). Porém, durante a campanha a convocação do cadastro de reserva era uma das promessas de Cameli, que nas eleições afirmou que iria convocar de imediato todos os candidatos que passaram nos últimos concursos da polícia e abrir um novo concurso.
Além do protesto acorrentado, os aprovados no concurso também fizeram um vídeo com a história de Jorge. Filho de criador de porcos e pedagoga na zona rural, ele conta que o concurso é sua chance de mudar de vida.
“Não gosto de falar muito de questão racial, mas a gente sabe se uma pessoa branca já tem privilégio, então esse concurso é minha oportunidade de ter uma vida melhor, tanto para mim, como para minha família”, diz.
Ele conta que decidiu ficar em Rio Branco no final de novembro. Segundo ele, a família não tem recursos para ficar bancando a viagem. As passagens foram dadas por uma prima.
“Cheguei no final de novembro e dia 1 de dezembro eu me acorrentei. No fim da tarde, vou em casa, tomo banho e volto, sempre vou na casa de alguém diferente. Com relação à alimentação, os outros candidatos que me ajudam e ficam se revezando para eu não ficar sozinho, sempre fica alguém aqui”, conta.
No vídeo veiculado pelo grupo do cadastro de reserva, Jorge se emociona ao falar da sua trajetória.
“Surgiu o concurso da Polícia Civil e minha família me incentivou, meus primos me incentivaram e eu peguei e fiz. Quando olhei a prova pensei: passei, mas aí começou uma luta. Começaram as etapas do concurso, boa parte dessas fases tinha que vir para Rio Branco e a gente é pobre, não tem muito recursos, e o tempo tava passando para entregar os documentos e minha família sempre esteve ao meu lado, me apoiando e meu sonho passou a ser o sonho da minha família”, relata.
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- Fonte: g1.

