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Mãe de jovem que morreu após ser filmado em chão de hospital no Acre com falta de ar pede R$ 605 mil de indenização

Maria da Conceição da Silva Oliveira, de 38 anos, perdeu o filho, Bruno Oliveira Lima, de 17 anos, no dia morreu no dia 28 de dezembro de 2021 no Hospital Sansão Gomes, em Tarauacá, interior do Acre. Por conta disso, a dona de casa entrou na Justiça pedindo uma indenização no valor de R$ 605 mil.

Imagens feitas por um parente de Bruno mostram o rapaz antes de morrer deitado no chão do hospital agonizando com falta de ar enquanto esperava atendimento. O vídeo viralizou e causou indignação nas redes sociais.

A Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) e o órgão disse que “de acordo com a Divisão de Processos Judiciais, o Estado está tomando conhecimento do processo e seguirá com os trâmites de análise dos autos do processo.” A certidão de óbito do jovem deixa claro que ele veio a óbito por uma insuficiência respiratória e pneumonia. Na época, a Secretaria de Saúde Municipal afirmou que o caso era investigado.

A mãe da vítima acredita que houve negligência médica durante o atendimento. Segundo ela, Bruno chegou na unidade hospitalar por volta das 6h e ouviu de um enfermeiro que não poderia atender o rapaz porque ele estava sem máscara.

A máscara foi providenciada pela família e a triagem do paciente foi feita por volta das 9h. “Disseram que ele não era prioridade, que poderia aguardar. Nisso, foram atender ele quase 11 horas depois que ele estava naquela situação”, relata a mãe.

Maria tem sete filhos, Bruno era quem ajudava no sustento da família. “Eu que levei ele, estava lá com ele. Pedi para atenderem, mas falaram que não era prioridade, estava no chão muito ruim e falaram que não era prioridade, que primeiro eram os idosos, crianças e depois ele”, relembrou.

Dedos roxos

A mãe relembra que o jovem reclamava sentir dor no peito quando tossia e que tinha falta de ar. Maria da Conceição diz que chegou avisou três vezes às equipes da enfermaria que o rapaz não estava bem.

“Ele foi para a sala de observação e ficou lá. A médica pediu um raio-X, ele foi fazer e voltou para a cama, vi que ele estava com as unhas e os dedos ficando roxos e dizia que não sentia as pernas. Falei para o enfermeiro e ele disse que era só uma agitação do sangue. Logo depois a médica veio e disse que ele estava em óbito”, afirmou.

A advogada da família, Laiza dos Anjos, entrou na Justiça com uma ação contra o Estado, já que o hospital é de competência da Sesacre. “Ninguém conversou comigo. Na hora não falei nada, mas pensei comigo mesmo depois [e decidiu entrar na Justiça]. Quero justiça para que outra pessoa não passe por isso”, afirmou.

Processo

Laiza entrou com a ação na Vara Cível da Comarca de Tarauacá. Segundo ela, esse tipo de ação é para evitar que outras pessoas passem pela mesma situação.

“A indenização também é uma forma de educar para que não aconteça com outras pessoas. Em menos de dois meses, o meu escritório tem duas ações envolvendo a saúde de Tarauacá. Tem um bebê que morreu na maternidade após a mãe procurar atendimento quatro vezes, então, são coisas que vêm acontecendo que não são de agora. Esse tipo de indenização é mais para educar mesmo, porque não vai sanar a dor da família”, argumentou.

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