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Sacolão não é solução: Cacique Huni Kuin propõe agricultura sustentável como alternativa ao assistencialismo

Por Redação Juruá em Tempo.27 de maio de 20223 Minutos de Leitura
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A doação dos famosos ‘sacolões’ tem sido uma prática comum no Acre, e no país, como forma de prestar uma assistência mais imediata aos necessitados.

Não apenas indígenas, mas agricultores em situação de crise, trabalhadores urbanos desempregados, pessoas em situação de vulnerabilidade social, costumam ser alvo de campanhas assistenciais.

O problema já apontado por muitos, é que o que era para ser emergencial, muitas vezes se torna estrutural, ou seja, faz com que os assistidos passem a depender de doações para a sua sobrevivência.

Há cerca de cinco quilômetros de Tarauacá, a aldeia Pinuya, na Terra Indígena Colônia 27, luta para mudar essa história. Os 305 hectares tornam a terra indígena a menor do Acre e uma das menores da região norte. Para complicar ainda mais, a agricultura praticada pelos moradores não-indígenas, antes da demarcação, mostrou-se inadequada para a área. O que ficou para trás foi uma área seca, sem vida, sem água, danificada por fortes erosões que dificultam, ou mesmo impedem, o plantio.

A transformação se deu a partir da aplicação do conceito agroflorestal, ou seja, produzir ao mesmo tempo em que se recupera a floresta. A tecnologia vem sendo aplicada com sucesso em diferentes biomas: cerrado, mata atlântica, e floresta amazônica. A prática depende muito dos saberes locais, ou seja, são os conhecimentos práticos de quem lida com a terra que garantem o sucesso da prática.

“Receber sacolão não pode ser uma solução permanente para o problema da fome. Por isso buscamos condições de sustentabilidade para a comunidade”, conta o Huni Kuin Assis Kaxinauá, ou Tanã Machã, da Colônia 27, aldeia Pinuya.

Cacique geral de uma das menores terras indígenas da região norte, Assis prepara o povo para as festividades de comemoração dos 50 anos da terra. Criada em 1972, os 305 hectares sustentam uma população de 54 famílias, um total de 240 Huni Kuin, principalmente a partir do que é produzido por meio dos sistemas agroflorestais.

Pinuya, palavra Huni Kuin que significa aproximadamente: “onde tem beija flor”, parece ter sido mesmo abençoada pela fartura desde que a agroflorestal passou a ser cultivada.

Nas suas redes sociais, Assis exibe com orgulho a produção da aldeia: mandioca, banana, mamão e frutas variadas. O artesanato têxtil feito com algodão e tinturas naturais também é uma riqueza a parte. Além disso, a aldeia vem trabalhando a revitalização e manutenção cultural por meio dos cantos e cerimônias. Mais recentemente o etnoturismo também passou a fazer parte da lista de atividades produtivas da Aldeia Pinuya.

“Viver de receber doações não é bom. Queremos cultivar, por isso buscamos ter estruturas como galpão, galinheiro, paiol para guardar produção. Queremos criar peixe, galinha, frutas. Lutamos por nossa própria assistência. Cultivar primeiro para comer, e depois para vender no comércio e gerar renda para comprar o que for necessário”, conclui.

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