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sábado, junho 25, 2022

Após morte de crianças por síndrome respiratória no AC, governador recebe mães em reunião fechada

Por Redação O Juruá em Tempo

As mães das crianças que morreram nos últimos dias de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Acre foram recebidas pelo governador Gladson Cameli, na tarde desta sexta-feira (17), no Palácio Rio Branco.

A reunião não foi a portas fechadas apenas com as mães e alguns familiares das crianças. O encontro teria ocorrido, pois o governador pediu para falar com as mães e mostrar as ações que estão sendo feitas após os óbitos, além de mostrar solidariedade. 

Na terça (14), a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) confirmou mais uma morte. São 10 óbitos de crianças em menos de dois meses no estado. 

Após o encontro, a Secretária de Saúde do Acre, Paula Mariano, falou sobre os casos e garantiu que todas as mortes estão sendo investigadas e que foi aberta uma sindicância, a pedido do chefe do executivo, para que os casos sejam apurados. 

“Se houve algum erro, alguma negligência por parte da Saúde, a gente reconhece, mas tem que ser apurado, nenhum de nós aqui está dizendo que está a mil maravilhas. Então, assim, a orientação é essa, foi aberta uma sindicância, até porque a gente tem que dar uma resposta. Me solidarizo com todas as mães, o que a gente pode fazer a gente está fazendo, que é investigar. Nós queremos dar respostas o quanto antes”, garantiu. 

A diretora Técnica do Pronto Socorro, Deiviane Medeiros, também estava presente e falou sobre o atendimento dado para as crianças que morreram de síndromes respiratórias na unidade. Ela falou que não faltou medicação e que todas as crianças tiveram suporte quando chegaram na unidade. 

“Fiz um levantamento sobre toda essa questão das crianças, todos os dados são baseados em dados oficiais e clínicos. As crianças foram atendidas por médicos intensivistas (que fazem plantão, mas são pediatras). Não faltou medicação e nem atendimento para essas crianças.” 

Governo publica decreto que cria comitê de acompanhamento das síndromes respiratórias no AC — Foto: Ágatha Lima/Rede Amazônica Acre

Governo publica decreto que cria comitê de acompanhamento das síndromes respiratórias no AC — Foto: Ágatha Lima/Rede Amazônica Acre 

Após a reunião, a mãe do pequeno Théo Dantas, de 10 meses, Joelma Dantas, que morreu na terça (7), disse em suas redes sociais que no encontro as mães esperavam que o governador desse uma resposta para elas, o que, segundo ela, não aconteceu. 

O bebê estava internado no Pronto Socorro de Rio Branco desde segunda (6) e aguardava ser transferido para o Hospital da Criança. 

“Fomos esperançosas para saber o que o governador ia falar e pensávamos que ele ia dar as respostas que nós queríamos, o porquê de a secretária não ter sido exonerada ainda, o porquê que a Adriana Lobão que recebeu o áudio da Dora do PS dizendo que as crianças estavam morrendo por falta de assistência não foram demitidas”, questionou. 

Joelma disse ainda que elas chegaram a questionar Gladson sobre a falta de assistência e medicação no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Acre (Into-AC), para onde as crianças foram levadas. 

“A gente perguntou o que que ele poderia fazer pela gente. Governador, aponte os culpados, o senhor tirou as crianças do Hospital da Criança elevou para o Into e chegou lá as crianças ainda estão precisando de ajuda. Ele chamou a responsável para ver o que estava faltando para as crianças e ela disse que elas não estavam precisando de nada e ficou nisso”, falou. 

Bebês morreram de síndromes respiratórias em Rio Branco e pais alegam negligência — Foto: Arquivo pessoal

Bebês morreram de síndromes respiratórias em Rio Branco e pais alegam negligência — Foto: Arquivo pessoal 

Comitê de acompanhamento

O governado publicou na quarta (15) o decreto 11.071 de criação do Comitê de Acompanhamento Especial das Síndromes Respiratórias (Caerp) no estado. 

Esse aumento dos casos expôs a falta de estrutura dos hospitais para atender crianças, já que o PS é a referência para atendimentos graves na capital. 

Pais das crianças que morreram com a doença acusam o estado de negligência e denunciam falta de estrutura e medicamentos nessas unidades. Por isso, na sexta (10), o Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC) fez uma fiscalização no PS da capital. 

Áudio de diretora expôs problema dias atrás

Começou a circular, no sábado (11), um áudio da diretora do PS, Dora Vitorino, relatando à Sesacre os problemas para atender a demanda. No áudio, dá para perceber que ela se dirige à secretária adjunta de Assistência à Saúde, Adriana Lobão, e cobra agilidade na abertura de leitos. 

O áudio era de 12 a 15 dias atrás, antes de a Saúde abrir novos leitos no PS. Nele, Dora relata que estão chegando crianças para serem intubadas e que não tem onde colocá-las. Além disso, pede celeridade na abertura dos leitos e diz que não sabe mais o que fazer, inclusive, descreveu a situação das equipes médicas em não conseguir atender a demanda. 

“Eu não tenho o que fazer mais, sinceramente. Peça agilidade para resolver a questão desses leitos, nossa reunião foi na quinta-feira de manhã, hoje é quarta, se passaram seis dias, seis dias é muito tempo para quem tava com urgência naquele dia, com paciente intubado, falei na reunião que eram 3, é uma situação muito complicada. Nós no pronto-socorro não temos o que fazer, não temos espaço para colocar crianças. O que tinha para fazer a gente fez, nós pegamos a sala do pós-óbito, colocamos a criança, e lá agora é para pediatria. Não temos mais o que fazer”, diz no áudio. 

Pacientes transferidos

O governo decidiu transferir as instalações e pacientes do Hospital da Criança de Rio Branco para o prédio do Into-AC. Foram, ao todo, 63 crianças transferidas no sábado (11). 

Agora, com a reforma no Hospital da Criança e transferência das instalações, todos os atendimentos pediátricos passam para o Into, não só os casos de síndromes respiratórias. No entanto, segundo a Sesacre, os pais que tiverem com crianças doentes devem primeiro procurar a Unidade de Pronto Atendimento do Segundo Distrito ou, nos casos mais graves, o PS, e depois os pacientes serão remanejados ao Into, caso seja solicitado pelo médico. 

Nos últimos dias, o aumento nos casos de síndromes respiratórias em crianças tem chamado atenção. Mães e pais têm ficado desesperados com a demora por leitos para internação dos filhos e alegam negligência médica. 

A 1ª Promotoria de Justiça Especializada de Defesa da Saúde do Ministério Público do Acre (MP-AC) informou que vai apurar se houve omissão no atendimento a crianças e a disponibilidade de leitos de pediatria, medicamentos e insumos da rede pública estadual, destinados ao atendimento de crianças acometidas de vírus respiratórios.

Com informação do G1

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