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sexta-feira, agosto 12, 2022

Nova safra de uísques do Brasil ganha elogios de especialistas do exterior

Por Veja Abril.

Ouro líquido. É assim que o britânico Jim Murray, a maior autoridade em uísque do planeta, chama os rótulos que mais se destacam no guia que publica anualmente. Ele prova milhares de garrafas e costuma ser impiedoso com aquilo que não gosta, mas é generoso em dar a mesma atenção tanto a pequenos produtores quanto a ícones escoceses com séculos de história. Na edição mais recente de sua “Bíblia do Uísque”, Murray concedeu a alta honraria a uma garrafa no Brasil e abriu os olhos — ou o paladar — do mundo para destilados produzidos no país.

LAMAS RARUS - Após envelhecer em barris de carvalho americano usados na produção de bourbon, ele também passa por barricas que continham rum. O resultado é um aroma adocicado que remete a nozes e cacau -
LAMAS RARUS – Após envelhecer em barris de carvalho americano usados na produção de bourbon, ele também passa por barricas que continham rum. O resultado é um aroma adocicado que remete a nozes e cacau – //Divulgação

O destaque dado a um single malte feito pela mineira Lamas Destilaria representa o reconhecimento de um segmento novo, mas vibrante. Se até pouco tempo atrás os uísques nacionais eram considerados de segunda linha e desprezados por apreciadores da bebida, agora já há quem os coloque entre os mais promissores do planeta. O curioso é que se trata de um movimento recente, de quatro anos para cá, o que é uma contradição em um setor dominado por marcas centenárias como Johnnie Walker e Jack Daniel’s

UNION EXTRA TURFADO - Com maltes defumados importados do norte da Escócia e um aroma que remete a fumaça e cereais, é o carro-chefe da destilaria do Rio Grande do Sul -
UNION EXTRA TURFADO – Com maltes defumados importados do norte da Escócia e um aroma que remete a fumaça e cereais, é o carro-chefe da destilaria do Rio Grande do Sul – //Divulgação

A Lamas abriu as portas em 2019 após anos de experiências restritas à família dos fundadores. A empresa tem um portfólio fixo e edições limitadas feitas em parceria com profissionais de outras áreas. Assim, consegue usar madeiras nacionais, como a amburana, popular na produção de cachaça, e barris que já foram utilizados na preparação de vinhos. “Estamos nos consolidando no segmento como uma destilaria artesanal com um perfil mais inovador”, diz a sócia Luciana Lamas. “Desde o início, a nossa proposta sempre foi de fugir da mesmice.”

OUROPRETANA AMBURANA PORTER - O single malte é finalizado em barris de amburana, madeira nacional, antes usados para envelhecer uma cerveja escura do estilo porter -
OUROPRETANA AMBURANA PORTER – O single malte é finalizado em barris de amburana, madeira nacional, antes usados para envelhecer uma cerveja escura do estilo porter – //Divulgação

O mercado artesanal de uísque também dialoga com as cervejas especiais. A Ouropretana, de Minas Gerais, produz um single malte envelhecido em barris de carvalho americano e finalizado nos tonéis de madeira amburana que receberam a produção da cerveja Ouropretana Amburana Brown Porter. O resultado foi fora da curva. “Estamos realizando algo que ninguém fez”, diz Leonardo Tropia, um dos fundadores da Ouropretana.

Há espaço para quem aprecia a tradição. No Rio Grande do Sul, a Union produz uísque há cinco décadas, fornecendo inclusive matéria-prima a outras empresas do mundo. Em 2019, colocou no mercado rótulos próprios. Agora, oferece opções puro malte, além de uma linha também limitada. O lançamento mais recente é uma edição envelhecida por dezessete anos. “São produtos que marcam alguma comemoração”, diz Luciano Borsato, diretor-executivo da Union. Um brinde à nova era.

Publicado em VEJA de 13 de julho de 2022, edição nº 2797

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